BCI-quero o meu dinheiro

BCI-quero o meu dinheiro

Por Estacio Valoi Não bastam os parcos salários pagos aos trabalhadores moçambicanos no geral num pais rico -pobre e mesmo assim, para ag

Por Estacio Valoi

Não bastam os parcos salários pagos aos trabalhadores moçambicanos no geral num pais rico -pobre e mesmo assim, para agravar, as instituições bancarias que deveriam ser o garante, guardião dos dinheiros dos seus clientes acabam pontapeados prejudicados, obrigados a voltar a moda clássica, como guardar o dinheiro em ‘ latas’ enterradas, no foro dos colchoes, nos ‘ porquinhos’ de barro a poupança!

Nas primeiras horas da semana do dia 3 de Dezembro de 2025 lia num dos maiores jornais da Praça, o Canal de Moçambique com o titulo “ Polvorosa no BIM,” uma roubalheira de anos que vinha sendo praticada por funcionários daquela instituição bancarias, o Millennium BIM. https://www.facebook.com/CanalMoz/posts/canal-de-mo%C3%A7ambique-edi%C3%A7%C3%A3o-nr-848-de-03-de-dezembro-de-2025/1265219382309025/

Era segundo o CanalMoz, “Um esquema sofisticado encabeçado pelo diretor de Segurança daquela instituição, Ebenezário Hamela, técnicos e gestores que resultou no desvio de milhões de meticais das contas dos clientes. Uma Fraude milionária que culminou com à detenção de Hamela.

“A fraude consistia na alteração fraudulenta dos talões de movimentação de contas , incluindo extratos bancários. As vitimas eram os grandes depositantes e outras entidades com elevado volume de transações, dessas contas eram retirados valores e posteriormente eram apagados os registos.” Versa o jornal
Lembrei-me de outros casos mal parados no Banco Comercial de Investimentos (BCI). E, o Centro de Jornalismo de Investigacao (CJIM) encetou uma investigação onde não apenas entrevistou alguns clientes defraudados, funcionários deste e de outros bancos, mas também alguns elementos da segurança destes bancos, que por vezes até instruem os clientes como fazer uso de uma ATM.
Neste caso, uma das vitimas do BCI foi Martina Miguel, com queixa submetida aos 04/09/de 2024. Passado mais de um ano, apos ter recebido a ultima carta do BCI no dia 06/11/25, ate aqui sem resposta positiva, seu dinheiro devolvido!
Tudo começou faz mais de um ano, num Sábado depois de mais um dia de trabalho da Martina . Por baixo de uma vaga de calor, o vento quase que parado entre as arvores. Martina saíra num “chapa’ do seu local de trabalho no Bairro de Maringanha em Pemba para o BCI- Central Wimbe. Ansiosa e com expectativa de saldar algumas contas, comprar comida, escola para seus filhos e outras necessidades, quando chegou a ATM do BCI , inseriu o seu cartão, nem dinheiro e muito menos o cartão de Lupa viu!

“ Eram 13h quando eu larguei do serviço. Desloquei-me a ATM do BCI no bairro Wimbe. Cheguei, inseri meu cartão e a máquina escureceu (desligou-se). Questionei-me como? De repente a ATM começou a piscar, fiquei a espera, acendeu eu ai parada. O senhor que estava do outro lado da ATM perguntou-me. “Que se passa dona.” Ao eu retorque dizendo que o a maquina tinha engoliu o meu cartão.” O senhor disse me: “ como a maquina esta a piscar tens que cancelar” e assim fiz. Contudo, nem o cartão e muito menos o dinheiro saiu. Foram quase e 30 minutos ali parada, nem cartão nem dinheiro. Sai para apanhar transporte publico privado (Chapa) mas para o meu espanto antes de atravessar a estrada de frente ao banco e voltar para casa, recebo uma mensagem do banco no meu celular a dizer que tinha retirado o dinheiro naquela ATM no valor de seis mil e quinhentos. Mostrei ao segurança que la estava a trabalhar o qual disse me para voltar na segunda -feira ao Banco. Reenviei a msg a minha patroa.” Conta Martina
A Longa jornada
Assim começa o calvário de Martina mãe de 6 filhos que ficou sem o seu salario. Queixa, cartas e mais cartas, umas por ela enviadas ao banco e outras em resposta do Banco. Segunda-feira Martina vai ao balcão do BCI e uma das funcionarias verifica na conta. “Verdade, o dinheiro na sua conta desapareceu e o seu cartão lá não está!”
“Questionei a Senhora, como é era possível !? E ela me disse: -“ Tens que ter cuidado quando vai levantar porque muitas pessoas quando chegam, choram por causa dessa situação, vocês não controlam o vosso PIN.” Expliquei a senhora que nem o PIN cheguei a por, que a ATM após eu inserir o meu cartão escureceu, parou de funcionar.” Disse Miguel
A senhora do banco sugere a Miguel para fechar a conta e assim teria acesso a um novo cartão mas sem o seu dinheiro. Isto porque o banco diz que : “ levantou-se dinheiro na minha conta na ATM do aeroporto de Pemba, a um quilometro ou mais da ATM do Wimbe onde Marina estava. “ Perguntei a senhora, como seria possível estar ao mesmo tempo em dois lugares diferentes, isto aqui no Wimbe ATM e no Aeroporto.!?” Claro que nem teletransportada!
“Eles tiraram-lhe o dinheiro lá atrás da ATM. Eles sabem quais são as melhores vítimas para identificarem, que não tem grandes valores a entrar, que quando entra o valor ela sempre tira o salário e leva para casa..” Diz outra fonte em anonimato

Vaivém das cartas

Segundo Martina, uma funcionaria do banco vociferava esgrimindo palavras para ela :“ Você nunca mais ira receber este dinheiro.” E, “escrevemos a carta, submetemos ao banco, ligamos para a linha do cliente perguntamos se podíamos ver as camaras CCTV do banco. Não queriam mostra-nos as imagens. Tanto insistimos ate que um dia o banco chamou -me para ver as imagens. No Banco, enquanto isso os funcionários do banco discutiam entre eles “-a senhora está dizer que estava de lenço cor de rosa, a outra senhora que estava na máquina que estou a ver aqui, está de lenço preto” .
“Eu Marina, não estava a ver a imagens, apenas os funcionários que discutiam entre eles, eu ia ouvindo. E eu disse lhes que se for alguém de lenço preto, não sou eu, porque eu trazia lenço cor de rosa. Para finalizar a busca, a senhora que estava no computador disse que a procura seria cancelada naquele momento e que iriam telefonar- me na tal Segunda -feira mas, não ligaram! Mandamos outra carta para o BCI. Recebi a mensagem para ir levantar a carta em resposta. Fiquei sentada, a espera uns trinta minutos, para depois O Banco dizer -me que não tinham recebido a carta, que a resposta tinha que vir do banco de Moçambique.”
As respostas das primeiras cartas vieram todas do BCI onde numa das passagens diz que Martina, não teria de volta o seu dinheiro isto porque o banco não devolve o dinheiro quando se trata da situação do PIN. “No meu caso nem se tratava do PIN mas da ATM que desligou e mesmo que fosse PIN, como seria possível eu ali na maquina levantar o dinheiro, mesmo que alguém me ajudasse a por o meu PIN, teria o dinheiro e o cartão de volta! ? Eu sei usar o meu cartão e o meu PIN.” Enfatiza Martina
Carta queixa enviada ao BCI no dia 4 de Setembro de 2024. “ tudo escrito com tinha acontecido, eles confirmaram que receberam a carta inicial de queixa. No dia 5, dia a seguir disseram que vão levar 30 dias para fazer a investigação. Dia 5 de Setembro, outra carta, contactou a linha do cliente sobre que mais poderia fazer. Fora informada para visualizar o CCTV da ATM. Uma senhora que fica em Maputo e que faz parte da equipa disse-lhe nesta carta resumida, esquece, deste o teu B.I e o teu PIN a outra pessoa e agora o problema é teu. Esquece o assunto. Uma carta de duas páginas a dizer para esquecer!”

Dia 17 de Outubro na sede própria do BCI em Maputo, fizemos uma reclamação a dizer que isto não é aceitável. Mandou para o BCI dois emails de reclamações do BCI, e do Banco de Moçambique, na data 14 de Setembro de 2025 a dizer que este assunto não foi resolvido. No dia 18 de Setembro de 2025, o banco de Moçambique disse que recebera o email. Ela é contactada pelo BCI para ir ver as imagens no dia 3 Outubro de 2025, mas nunca apareceu nas imagens. Nunca mais lhe telefonaram até dia 21 de Outubro de 2025. “volta aqui porque temos uma carta para te entregar.” Não lhe entregaram nenhuma carta, essa foi a última coisa.
Martina no dia 6 de Novembro recebeu uma chamada de um funcionário do banco de Moçambique a informar que estavam a fazer uma investigação, que havia uma carta do banco de Moçambique em Maputo para ela fazer o levantamento. Ao que a mesma respondeu, que se encontrava na cidade de Pemba onde reside e, o banco prometeu enviar-lhe a resposta para o email dela “ vamos enviar a carta para o teu email..”!

Depois do Moz24h ter enviado carta em direito a resposta ao BCI, o Banco, no dia 19/12/2025 convocou Martina para estar no banco na manha daquele dia. E lá esteve fazendo-se acompanhar por uma testemunha.
Desta vez, passados meses, do nada o banco tinha encontrado as imagens da CCTV, onde mostram Martina na ATM. Contudo, o banco apenas mostrou a cliente imagens com o tempo de um minuto ou menos, recusando assim exibir o vídeo na integra, isto é, os quase trinta minutos em que Martina permaneceu na ATM.

“ Só me mostraram a parte do vídeo em que o senhor que estava na outra ATM dizia para eu cancelar. Depois os funcionários do BCI Agência de Wimbe Pemba insistiram para eu assinar uma Acta que dizia que tínhamos visto as imagens todas. Estava la com o meu cunhado. Nós não assinamos a Acta.” Disse Miguel
Na mesma manha em que Martina o seu cunhado estavam no banco ,depois de insistência, o individuo que se identificou como funcionário do BCI que telefonou ao (CJIM) a convidar-nos para uma reunião no BCI para poder lhes esclarecer sobre o conteúdo na carta em direito a resposta por nos enviada ao BCI, revelava o seu nome: Dizia “ Sou Achoque Ramushandro, funcionário do BCI. Vim por causa da missiva que mandou para o BCI tem varias insuficiências. Para poder responder a um pedido tem que ter alguns dados. A hora o local, as pessoas envolvidas. Por isso estamos a pedir uma conversa presencial para poder colher estes dados e responder em conformidade. Queria saber se tem disponibilidade para vir conversar com o banco! Eu liguei a pedido da direção. O pedido tem duas informações uma relacionado a moeda dos reassentados de palma e o outro fala de uma ATM e, temos muita informação complexa. Então queríamos um encontro pessoal para esclarecer esses pontos!”

O Moz24h propôs que a conversa continuasse naquele momento via telefónica ou que podia enviar as questões via o mesmo email por nós usado para enviar a carta ao que o funcionário retorquiu que :“ -Vou falar com a minha chefe!” Mas, o funcionário na sabia que Martina e seu cunhado estavam naquela manhã no banco. O que leva-nos a questionar que dados mais não estavam bem explícitos e que conversa pessoal com o nosso jornal seria essa!?
“O cartão foi logo engolido e acabou – la atrás alguém pega no Cartão e vai levantar no BCI Aeroporto (isto dito pela Funcionária do BCI logo no início quando a Martina foi fazer queixa que os dinheiros tinham sido roubados)” Diz uma das nossas fontes!
Dos seguranças do BCI com quem conversamos confirmam o ‘ desaparecimento ‘ dos cartões nas ATM. ‘ Há pessoas que já perderam dinheiro aqui.”
Outro elemento da segurança do BCI por nós entrevistado disse que : “Sim! As pessoas metem seus cartões mas antes de inserir o PIN, sem levantar dinheiro, o sistema interrompe a maquina, problemas técnicos e, isto é responsabilidade do banco.

Outra vitima. Minha Mãe Terezinha Cesario Amussine Muenga, uma pensionista, é uma idosa conta Jaime Simão. “Em 16 de Maio deste ano 2025 a pensão dela foi depositada na conta. Eu não estava na cidade no dia 17, Sábado, acabou confiando no meu irmão mais novo, entregou-lhe o cartão dela para ir a ATM. Foi ao BCI ATM- IMAP (Wimbe). Meteu o cartão e a ATM desligou-se. Ficou a espera e o cartão nunca saiu. Com medo ela não nos disse no momento. Eu vi no telefone da mama muitas msgs de saque de dinheiro. Algum dinheiro foi retirado naquelas bombas do Puma, outro no Standard Bank perto do Salimo e outro fizeram compras no mercado central, ate fizeram transferência para uma conta bancaria de Senhora.

Eu estava no distrito, voltei a Pemba já no Domingo. A parte mais estranha, ela recebeu mensagens do BCI no sábado. Quando já na Segunda- feira fui ao banco-BCI para cancelar a conta e la no statement do banco disseram-me que todas as transações tinham sido feitas naquela Segunda-feira e não no Sábado. Era tudo confuso. Fui para alguns sítios de onde os saques foram supostamente feitos. Voltei ao banco e o banco. No banco apenas disseram-me que era só esquecer, que aquele dinheiro já tínhamos perdido.”

Foi também mesma ATM do Wimbe onde a idosa ficou sem os 120 mil meticais num processo semelhante ao da Martina Miguel.

“Na verdade o que percebi é que eles estão organizados. Nem o banco, nem a polícia, ninguém queria colaborar neste caso. Acho que eles reparam na pessoa. Quando viram a idade da idosa na conta bancaria, viram que a idosa não teria muita força para continuar. Minha mãe ela doente perdeu o marido este ano e nós nos concentramos no falecimento. Ela perdeu 120.000 meticais. Isto foi no mês de Maio deste ano. Pedimos para ver as imagens da ATM CCTV, mas o banco recusou-se!” Disse Jaime Simão filho da Idosa.

A outra vítima do mesmo esquema em Março do corrente ano foi Keith Cooke. «Eles tiraram-me 30 000 da agência do BCI em Wimbe. Não enviei carta ao banco, fui falar com o gerente e ele redigiu uma carta de reclamação que eu assinei. Foi obviamente alguém do banco, porque essa foi a única vez que os meus cartões foram usados sem que eu recebesse uma notificação no meu telemóvel», Enfatiza Cooke.

Outras vitimas via BCI online Banking

“Tentava transferir via online Banking 20.000 meticais no dia 16 de Dezembro. Esperei receber o código que vem via SMS mas logo a primeira não recebi e solicitei que me reenviassem. Recebi três códigos de uma só vez onde uma escrita em inglês dizia para inserir o código e confirmar a transferência dos 250.000 meticais mas, a minha transferência era de 20.000. Era como se alguém la de dentro do banco estivesse a monitorar as minhas transações. Cancelei a transação. A poucos anos um amigo meu em Maputo, num processo similar ficou sem 1 milhão de meticais. Transferiu e o Sistema foi abaixo por uns minutos. Quando conseguiu aceder a sua conta, 1 milhão tinha desaparecido e, assim perdeu o seu dinheiro.” Disse a fonte em anonimato

No casos em apreço, contrastam com o plasmado na lei bancaria

A Lei nº 27/2022 protege como consumidor bancário e o Banco de Moçambique é responsável pela fiscalização.
Em Moçambique, o diploma específico chamado Lei nº 27/2022, de 29 de dezembro, que regula as “contas bancárias, serviços de pagamento e relação entre banco e cliente. Esta lei define direitos e deveres entre o banco e o cliente, incluindo casos de transações não autorizadas e erros na execução de operações bancárias. Onde o Banco de Moçambique (Banco Central) supervisiona e fiscaliza o setor bancário e tem poderes para: exigir que o banco corrija injustiças cometidas contra clientes; aplicar multas por violação da proteção do consumidor; aplicar penalidades se o banco falhar em garantir segurança adequada nas transações.
Em 2025, o Banco de Moçambique multou diversas instituições, incluindo o BCI, por violar normas de proteção do consumidor e serviços financeiros — o que demonstra que o regulador está vigilante quanto à defesa dos clientes. Relembra que instituições do setor, incluindo o BCI, foram multadas por violar normas de proteção do consumidor, o que demonstra que há regras que devem ser respeitadas. https://integritymagazine.co.mz/arquivos/54577 “O BCI deve reparar as transações não autorizadas e devolver-me o dinheiro, de acordo com a lei. Se não o fizer, considerarei outras medidas legais.” Diz Martina
Estas são algumas de entre muitas vitimas!
Até o fecho da nossa edição, o Banco Comercial de Investimentos (BCI), não respondeu a nossa carta em direito a resposta (CJIM)

COMMENTS

WORDPRESS: 0
en_USEnglish