{"id":2057,"date":"2018-05-23T09:06:36","date_gmt":"2018-05-23T09:06:36","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org\/news\/?p=2057"},"modified":"2018-05-23T09:06:36","modified_gmt":"2018-05-23T09:06:36","slug":"a-rota-da-pilhagem-para-o-panama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/en\/a-rota-da-pilhagem-para-o-panama\/","title":{"rendered":"The Plunder Route to Panama"},"content":{"rendered":"<p>Como os oligarcas Africanos roubam os seus pa\u00edses<br \/>\nEstacio Valoi<br \/>\n08\/10\/2017<\/p>\n<p>Londres &#8211; O projecto Panama Papers acaba de revelar que h\u00e1 bastantes pol\u00edticos Africanos, seus familiares e amigos entre aqueles que armazenaram riqueza escondida em contas banc\u00e1rias offshore. Mas como chegou l\u00e1 esse dinheiro?<br \/>\nUma investiga\u00e7\u00e3o do Colectivo Africano de Publica\u00e7\u00e3o de Investiga\u00e7\u00f5es em parceria com a Africa sem Censura.<br \/>\nQuando a companhia mineira Canadiana &#8220;First Quantum&#8221; quis pagar as taxas devidas de sessenta milh\u00f5es de d\u00f3lares norte-americanos sobre a sua opera\u00e7\u00e3o mineira de cobre na RDC (Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo) em 2009, foi-lhe dito para pagar ao director dos impostos quatro milh\u00f5es, mais seis milh\u00f5es ao governo e guardar o restante.<br \/>\n&#8220;Porque ningu\u00e9m aqui paga impostos&#8221;, foi a resposta dada a &#8220;First Quantum. Depois da companhia ter recusado conduzir os neg\u00f3cios dessa forma, viu-se acusada de m\u00e1 conduta e, a mina foi apreendida e vendida ao magnata mineiro israelita, Dan Gertler, um bom amigo da elite governante da RDC e apelidado de &#8220;Sr. Grab&#8221;.<br \/>\nNo ano passado, o nome de Gertler foi encontrado mais de duzentas vezes conectado com contas em bancos offshore em para\u00edsos fiscais no inovador projeto &#8220;Panama Papers&#8221;. Tamb\u00e9m, o nome de Jaynet Kabila, a irm\u00e3 g\u00eamea do presidente da RDC, Joseph Kabila.<br \/>\nFoi por causa de hist\u00f3rias como esta acerca da First Quantum, e por causa da Panama Papers, que n\u00f3s decidimos dar uma olhada mais pr\u00f3xima ao comportamento dos l\u00edderes pol\u00edticos Africanos, em rela\u00e7\u00e3o aos recursos dos seus pr\u00f3prios pa\u00edses.<br \/>\nRelat\u00f3rios Internacionais e grupos de activistas focaram-se muitas vezes em multinacionais que estiveram a enviar recursos para fora de \u00c1frica, mas estaria esse foco completo? Eram os nossos l\u00edderes simplesmente fracos e subordinados, ou mais c\u00famplices do que isso?<br \/>\nVerific\u00e1mos em sete pa\u00edses o papel dos l\u00edderes Africanos, em sectores da economia e o estado em que eles, e n\u00e3o o sector privado, estavam no controlo. Por exemplo, os recursos de fosfatos nacionalizados pelo Togo, deviam ter liberado economicamente as suas gentes. Mas, constat\u00e1mos que o presidente do Togo vende os recursos abaixo do pre\u00e7o do mercado a expedidores obscuros. Em Mo\u00e7ambique, povoa\u00e7\u00f5es s\u00e3o violentamente removidas dos campos de rubi licenciados a generais e ministros.<br \/>\nOs or\u00e7amentos de estado s\u00e3o usados para construir arranha-c\u00e9us para o partido no poder, enquanto as pessoas ficam com fome no Ruanda. A moeda estrangeira controlada pela presid\u00eancia do Burundi \u00e9 destinada a certas empresas, criando escassez e prejudicando a economia. O presidente do Botswana ajuda a levar os lucros do turismo para para\u00edsos fiscais em offshore.<br \/>\nO saque do presidente sul-africano, Jacob Zuma, levou a perdas at\u00e9 sete bili\u00f5es de d\u00f3lares americanos no dinheiro dos contribuintes, transferidos para contas de bancos privados em Dubai, e presum\u00edvelmente em excesso. Projectos de investiga\u00e7\u00e3o recentes ao Pr\u00eamio Times na Nig\u00e9ria, Makaangola em Angola e Global Witness na RDC e no Zimb\u00e1bue, desenterraram um saque-por-elite-pol\u00edtica similar nesses pa\u00edses.<br \/>\n&#8220;Eles s\u00e3o donos destas casas mas n\u00e3o vivem nelas&#8221;<br \/>\nA raz\u00e3o pela qual os oligarcas Africanos se comportam desta maneira enquanto o seu povo, em alguns casos, literalmente, passa fome, \u00e9 provavelmente melhor deixar para os historiadores, sociol\u00f3gos africanos e fil\u00f3sofos. Pode-se especular que, talvez, na corrida ao poder ap\u00f3s, a devasta\u00e7\u00e3o do colonialismo, aqueles com os cotovelos mais afiados ganharam.<br \/>\nOu talvez a falta de verifica\u00e7\u00f5es e balan\u00e7os permita aos l\u00edderes sem \u00e9tica explorar a situa\u00e7\u00e3o junto com os criminosos. Mas o que n\u00f3s desterrados achamos que estas \u00ealites t\u00eam, em certa medida, \u00e9 que se transformaram nas estruturas dirigentes muito colonialistas que substitu\u00edram.<br \/>\nUm de n\u00f3s, observando buracos gigantes no sub\u00farbio mais rico de Kinshasa, perguntou por que os ricos nem pareciam se preocupar com suas pr\u00f3prias ruas. &#8220;Eles possuem estas casas, mas eles n\u00e3o moram aqui&#8221;, respondeu o membro da equipe local. &#8220;Eles moram em Fran\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>As licen\u00e7as das minas s\u00e3o para os generais<br \/>\nNo cap\u00edtulo sobre Mo\u00e7ambique, uma investiga\u00e7\u00e3o foi levada a cabo na prov\u00edncia de Cabo Delgado, concretamente sobre as ac\u00e7\u00f5es da empresa Montepuez Ruby Mining.<br \/>\nO mapa de concess\u00e3o mineira de Montepuez, produzido pelo Cadastro Mineiro, subordinado ao minist\u00e9rio mo\u00e7ambicano dos Recursos Minerais e Energia, em conformidade com os requisitos da Iniciativa da Transpar\u00eancia da Ind\u00fastria Extractiva (EITI) est\u00e1 de tal maneira coberta de quadrados, rect\u00e2ngulos e outros blocos de forma angular que nos coloca a quest\u00e3o &#8220;onde \u00e9 que as pessoas v\u00e3o viver?&#8221;.<br \/>\nToda a regi\u00e3o parece ter sido atribu\u00edda \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, apenas com espa\u00e7o ao lado para uma reserva natural. Mesmo ampliando o mapa para o m\u00e1ximo n\u00e3o revela qualquer espa\u00e7o para povoa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm conjunto com a afirma\u00e7\u00e3o do banqueiro dos minerais brit\u00e2nicos, Martin Potts, que &#8220;o maior problema \u00e9 manter os locais fora dele&#8221;, fica claro porqu\u00ea as for\u00e7as de seguran\u00e7a de Mo\u00e7ambique estiveram em pleno vigor a fazer exactamente isso, atrav\u00e9s de remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, espancamentos, assassinatos e terror geral, uma vez que a minera\u00e7\u00e3o formal come\u00e7ou na \u00e1rea em 2012.<br \/>\nPap\u00e9is da companhia relacionados com a concess\u00e3o de rubis na \u00e1rea, mostram, entre duas baseadas no Reino Unido e uma multinacional Australiana de pedras preciosas, uma lista de generais bem conectados com rela\u00e7\u00e3o ao partido no poder, oficiais superiores do sistema de seguran\u00e7a, o edil de Maputo, pol\u00edticos, e membros anteriores e actuais de alto n\u00edvel do partido do governo.<br \/>\nEsta enorme concess\u00e3o da Montepuez Ruby Mining aka MRM Gemfields, &#8211; a \u00fanica que foi j\u00e1 legalmente propriet\u00e1ria, produtora e exportadora de rubis de Mo\u00e7ambique desde os \u00faltimos cinco anos &#8211; \u00e9 parcialmente propriedade do General Mo\u00e7ambicano Raimundo Domingos Pachinuapa, membro poderoso do partido do governo o movimento libertador Frelimo.<br \/>\nA companhia Mwiriti do General Pachinuapa det\u00e9m 20% da MRM, sendo os outros 75% propriedade da multinacional Brit\u00e2nica Gemfields. Pachinuapa det\u00e9m, tamb\u00e9m, um quarto de cada uma das outras concess\u00f5es da Gemfields, Megaruma e Eastern Ruby, tal como outras vinte licen\u00e7as suas para minera\u00e7\u00e3o do rubi em Montepuez. O seu filho Raime \u00e9 gestor da MRM para assuntos corporativos.<br \/>\nO General \u00e9 muito generoso para os seus amigos<br \/>\nTent\u00e1mos falar com o General, mas ele n\u00e3o responde a alguns pedidos para entrevistas, coment\u00e1rios ou respostas a quest\u00f5es. O mais pr\u00f3ximo que estivemos dele foi num bar em Pemba, numa tarde em 2016, quando um advogado conhecido como &#8220;bem relacionado&#8221;, de repente se sentou junto ao membro do nosso grupo e lhe disse qu\u00e3o generoso para com seus amigos o general era conhecido.<br \/>\nEsses &#8220;amigos&#8221;, provavelmente, n\u00e3o s\u00e3o os habitantes comuns de Montepuez, j\u00e1 que ningu\u00e9m parece ter sido particularmente generoso para com eles desde que a mina come\u00e7ou. O dano causado, em alguns casos, \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de aldeias e fazendas, n\u00e3o foi compensado por um aumento nos servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o &#8211; electricidade, \u00e1gua, escolas, lojas -, conforme prometido pela empresa e seus parceiros de elite governantes na \u00e9poca, em 2014. Os empregos na minera\u00e7\u00e3o da MRM &#8211; mil e cem, diz a MRM; muito menos, dizem os habitantes locais &#8211; tamb\u00e9m n\u00e3o compensaram a perda de renda experimentada por mil e quinhentas fam\u00edlias de minera\u00e7\u00e3o artesanal na regi\u00e3o. Nos primeiros dias, antes que a parceria fosse formada entre Mwiriti e Gemfields para criar a MRM, esses mineiros artesanais haviam vendido rubis para a opera\u00e7\u00e3o de Mwiriti. Mas, de acordo com os habitantes locais, n\u00e3o passaram &#8220;duas semanas ap\u00f3s a chegada dos Gemfields&#8221; que as associa\u00e7\u00f5es mineiras artesanais fossem destru\u00eddas e os primeiros relatos de viol\u00eancia contra mineiros artesanais por &#8220;nacatanas&#8221;, mil\u00edcias a trabalhar para a empresa, fossem registados.<br \/>\nO dinheiro do imposto desapareceu<br \/>\nA minera\u00e7\u00e3o &#8220;formal&#8221; ainda se sup\u00f5e beneficiar, oficialmente, a regi\u00e3o de Montepuez. De acordo com o director provincial das Finan\u00e7as de Cabo Delgado, Fernando Djange, a MRM Gemfields tem um acordo com o estado Mo\u00e7ambicano para pagar 10% do valor das vendas em cada leil\u00e3o de rubi, em royalties. 2,75% deste, \u00e9 &#8220;pago ao distrito de Montepuez em royalties no final de cada exerc\u00edcio econ\u00f3mico&#8221;, diz Djange. Mais de nove leil\u00f5es at\u00e9 ao momento, de acordo com a Gemfields e uma receita total de USD 288 milh\u00f5es, com imposto corporativo pago e USD 29 milh\u00f5es em royalties, em que 2,75% seriam mais de USD 7 milh\u00f5es. Sete milh\u00f5es de d\u00f3lares Americanos podiam fazer muito bem no distrito pouco povoado mas muito pobre.<br \/>\nSomente, nunca veio.<br \/>\nExaminando os registos or\u00e7amentais do governo provincial de Cabo Delgado, nos termos do qual Montepuez recebe, s\u00f3 vemos uma contribui\u00e7\u00e3o da MRM Gemfields de seis milh\u00f5es de meticais (USD 100.000) em 2016. Em nenhum dos outros anos encontramos essa contribui\u00e7\u00e3o. &#8220;Vamos verificar com o departamento de finan\u00e7as&#8221;, diz Djange, quando o questionamos sobre isso, para depois acrescentar que &#8220;\u00e9 definitivamente l\u00e1&#8221;. Mas, nem ele nem o departamento de finan\u00e7as, retornam a n\u00f3s.<br \/>\nQuando pedimos \u00e0 administradora do distrito de Montepuez, Etelvina Fevereiro, se o seu distrito j\u00e1 recebeu o dinheiro, ela diz-nos que &#8220;s\u00f3 recebemos dois anos ap\u00f3s o leil\u00e3o. Ent\u00e3o, o dinheiro do leil\u00e3o em 2017, vamos obt\u00ea-lo em 2019&#8221;. &#8220;Mas, dois leil\u00f5es foram realizados em 2014, totalizando mais de USD 76 milh\u00f5es em receita. 2,75% deste montante ascenderia a cerca de USD 2 milh\u00f5es, vinte vezes o valor, efectivamente, pago em 2016. Mas Etelvina Fevereiro diz que n\u00e3o sabe disso, e diz-nos para verificar com a direc\u00e7\u00e3oprovincial de Economia e Finan\u00e7as em Pemba.<br \/>\nA Gemfields mant\u00e9m num email que todos os royalties foram pagos e observa que &#8220;aloca\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o&#8221; s\u00e3o da responsabilidade do governo mo\u00e7ambicano.<br \/>\nSe a Gemfields \u00e9 respons\u00e1vel pelo facto de que milh\u00f5es de d\u00f3lares em benef\u00edcios da minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o a chegar aos moradores, ou ao estado mo\u00e7ambicano, \u00e9 dif\u00edcil de responder. Os parceiros operacionais da Gemfields s\u00e3o, afinal, o estado mo\u00e7ambicano. O general Pachinuapa, seu filho Raime e o director Samora Machel (filho do ex-presidente Samora Machel) e outros, s\u00e3o influentes, precisamente, pelas suas liga\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<br \/>\nOs blocos angulares que cobrem o distrito de Montepuez indicam quantas licen\u00e7as, todas agarradas, por indiv\u00edduos t\u00e3o bem conectados. Entre eles est\u00e3o o ex-ministro das Obras P\u00fablicas, Fel\u00edcio Zacarias, o ex-ministro da Defesa, general Joaquim Alberto Chipande, o edil de Maputo, David Simango, o ministro da Agricultura, Jos\u00e9 Pacheco, o advogado Lukman Assada Amane e o ent\u00e3o director geral dos Servi\u00e7os de Intelig\u00eancia e Seguran\u00e7a do Estado (SISE), general Lagos Lidimo.<br \/>\nMas, apenas alguns encontraram parceiros internacionais com capacidade mineira substancial. A empresa de Fel\u00edcio Zacarias, Regius, possui como s\u00f3cia e membro da administra\u00e7\u00e3o a mineira do Reino Unido Redstone, que em seu &#8220;site&#8221; afirma, que agora opera a concess\u00e3o Regius n\u00famero 3868L em Montepuez. Ao mesmo tempo, Zacarias \u00e9 tamb\u00e9m um associado da Australian Mustang recursos, a qual anunciou uma opera\u00e7\u00e3o similar nas proximidades.<br \/>\nO SLR de Lukman Assade Amane \u00e9 tamb\u00e9m um parceiro da Mustang. As licen\u00e7as da Mustang e da Redstone ainda pertencem aos seus parceiros do partido-elite, embora, de acordo com seu site, a Redstone opere a licen\u00e7a da Regius, e a licen\u00e7a da Mustang ainda est\u00e1 listada como SLR.<br \/>\n&#8220;Mas elas s\u00e3o apenas licen\u00e7as de prospec\u00e7\u00e3o&#8221;, enfatiza o director provincial dos Recursos Minerais e Energia de Cabo Delgado, Ramiro Nguiraz. &#8220;Eles n\u00e3o t\u00eam permiss\u00e3o para come\u00e7ar a produzir rubis, muito menos exportar ou vend\u00ea-los&#8221;, diz Nguiraz.<br \/>\nNo caso da Mustang, no entanto, a produ\u00e7\u00e3o e a prospec\u00e7\u00e3o parecem ter come\u00e7ado mesmo sem essa licen\u00e7a de produ\u00e7\u00e3o, incluindo o t\u00edtulo do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra, DUAT.<br \/>\nDe acordo com um artigo publicado na Mining Weekly, a &#8220;Mustang Resources anunciou no final de Janeiro que despachou o seu primeiro pacote comercial de pedras preciosas do seu projecto em Mo\u00e7ambique para os EUA&#8221;, acrescentando que &#8220;o pacote continha 6.221 quilates de rubis, dos quais 75 quilates foram representados por cinco &#8220;pedras especiais&#8221; (nas palavras da empresa), incluindo dois rubis raros de 24 quilates, &#8220;nenhum dos quais requer tratamento&#8221;. Um bom rubi pode ser vendido acima dos USD 100.000 por quilate.<br \/>\nInformado sobre isto, o director Nguiraz disse ter despachado uma equipa de inspec\u00e7\u00e3o para a concess\u00e3o da Mustang em Montepuez. &#8220;Pensamos que eles fizeram algumas coisas contra a lei&#8221;.<br \/>\nO Gerente da Mustang, Christiaan Jordaan, acredita que a licen\u00e7a de explora\u00e7\u00e3o e prospec\u00e7\u00e3o da empresa lhe d\u00e1 o direito de exportar e vender rubis para financiar futuras pesquisas. &#8220;Ele acrescenta que todas as exporta\u00e7\u00f5es da Mustang foram aprovadas pela direc\u00e7\u00e3o dos Recursos Minerais e Energia e pelas Alf\u00e2ndegas&#8221; e que &#8220;com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de rubis de Mo\u00e7ambique, incluindo a parcela mencionada por voc\u00ea que foi exportada no in\u00edcio deste ano, (&#8230;) pass\u00e1mos por todos os canais oficiais para garantir as permiss\u00f5es de exporta\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias e n\u00f3s pag\u00e1mos os royalties calculados pelo governo&#8221;.<br \/>\nNguiraz, quando solicitado a comentar, mant\u00e9m-se no entanto em terra. Ele concorda que os rubis podem ser exportados para an\u00e1lise com base numa licen\u00e7a de prospec\u00e7\u00e3o, mas reafirma que a licen\u00e7a, actualmente, detida pela Mustang n\u00e3o permite nenhuma venda de rubis.<br \/>\nChristiaan Jordaan n\u00e3o respondeu ao e-mail no qual ped\u00edamos que nos fornecesse a licen\u00e7a.<br \/>\nEncontr\u00e1mos mais lacunas entre os funcion\u00e1rios p\u00fablicos que tentam fazer o seu trabalho e os envolvidos na minera\u00e7\u00e3o. No ano passado, o administrador distrital, Arcanjo Cassia, queixou-se de que n\u00e3o sabia para onde se virar para exigir a prossecu\u00e7\u00e3o dos Projectos de Responsabilidade Social Empresarial prometidos (escolas, projectos de emprego, po\u00e7os de \u00e1gua, entre outros). Noutro caso, o procurador-chefe provincial de Cabo Delgado, Pomp\u00edlio Uazanguia, foi destitu\u00eddo da sua posi\u00e7\u00e3o pela procuradora-geral mo\u00e7ambicana, Beatriz Uchili, depois dele, Uazanguia, tentar processar milicianos que mataram mineiros artesanais. Isso aconteceu no meio de rumores infundados de que Uazanguia estaria envolvido em contrabando de madeira. Esses rumores foram ent\u00e3o ecoados como um facto, mas tamb\u00e9m sem provis\u00e3o de qualquer evid\u00eancia, numa carta enviada pela Gemfields a uma publica\u00e7\u00e3o que citou Uazanguia.<br \/>\nA Gemfields, recentemente, substitu\u00edda por Pallinghurst, negou, consistentemente, qualquer envolvimento na viol\u00eancia e amea\u00e7ou processar Valoi e outros jornalistas que apontaram para a cumplicidade.<br \/>\nMas h\u00e1 uma pergunta a que a Gemfields n\u00e3o respondeu consistentemente. \u00c9 a quest\u00e3o de, por que n\u00e3o est\u00e1 a usar a sua parceria com os Pachinuapas para pressionar por uma melhor governa\u00e7\u00e3o, em vez de pior, ou para insistir em parcerias com empres\u00e1rios reais e administradores dedicados, em vez de generais pol\u00edticos influentes.<br \/>\nNem o general Pachinuapa, nem o partido no poder, FRELIMO, nem o minist\u00e9rio do Interior e a Pol\u00edcia, nem o minist\u00e9rio dos Recursos Minerais e Energia, nem o minist\u00e9rio da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural responderam aos pedidos de coment\u00e1rios. (Est\u00e1cio Valoi com apoio da ZAM www.zammagazine.com)<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como os oligarcas Africanos roubam os seus pa\u00edses Estacio Valoi 08\/10\/2017 Londres &#8211; O projecto Panama Papers acaba de revelar que h\u00e1 bastantes pol\u00edticos Africanos, seus familiares e amigos entre aqueles que armazenaram riqueza escondida em contas banc\u00e1rias offshore. Mas como chegou l\u00e1 esse dinheiro? 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