{"id":2608,"date":"2021-07-12T10:05:20","date_gmt":"2021-07-12T08:05:20","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org\/news\/?p=2608"},"modified":"2021-07-12T10:15:26","modified_gmt":"2021-07-12T08:15:26","slug":"a-longa-marcha-as-concessoes-dos-minerais-de-cabo-delgado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/en\/a-longa-marcha-as-concessoes-dos-minerais-de-cabo-delgado\/","title":{"rendered":"A longa marcha \u00e0s concess\u00f5es dos minerais de Cabo Delgado"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2635\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mrm-camp.jpg\" alt=\"\" width=\"805\" height=\"536\" \/><\/p>\n<p>Foto: Estacio Valoi\/Concess\u00e3o da MRM-Gemfields<\/p>\n<p><strong class=\"ui-sortable-handle\">Texto e fotos : Estacio Valoi<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A meio de uma guerra fraticida, a prov\u00edncia de Cabo Delgado, continua a ser um destino de v\u00e1rias gentes que procuram os minerais que habitam no solo desta parte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Prov\u00edncia tem cerca de 15 minerais e as concess\u00f5es, as quais n\u00e3o beneficiam aos locais, mas sim, a ministros, generais, directores e outros ligados, interligados a nomenclatura politica mo\u00e7ambicana que sem capital dinheiro abocanharam as terras a espera e\/ou procura de um investidor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com as cartas geol\u00f3gicas na escala de 1:250000, ocorrem em CD: Ouro, Granadas, Turmalinas, Berilo, Amazonite, Espinela, Grafite, Vanadio, Calc\u00e1rio, Magnetite, Titanio, Mica, M\u00e1rmore, Areias Pesadas, Rubi, Safira, Quartzo, \u00c1gua-marinha entre outros.<\/p>\n<p>Com o a descoberta do G\u00e1s, o regime tentou ocultar uma ind\u00fastria de rubis que produz milh\u00f5es de d\u00f3lares directos para os bolsos da nomenclatura politica, desde o inicio da sua descoberta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Decorria o ano de 2009, per\u00edodo da descoberta de rubis feita pelos agricultores em Namanhumbir, distrito de Montepuez, considerado pela Gemological Institute of America como \u2018a mais importante descoberta de rubis\u201d do s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>Gemas de uma cor excepcional, limpa acabando atraindo multinacionais de renome na corrida pelo brilhante. Eram cerca de 40 porcento de rubis no subsolo de uma concess\u00e3o em Mo\u00e7ambique que iriam desembocar em viol\u00eancia, mortes, persegui\u00e7\u00f5es, viola\u00e7\u00e3o sexual, prostitui\u00e7\u00e3o, incremento do contrabando de droga, perca de terras \u2026sem benef\u00edcio para os locais \u2018 ilegais\u2019 em sua pr\u00f3pria terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O General Raimundo Domingos Pachnuapa e a Gemfields MRM s\u00e3o os colossos com a concess\u00e3o cedida a Montepuez Ruby Mining (MRM). Nos seus relatos, os moradores locais dizem que foram for\u00e7ados a deixar suas terras; os assaltos \u00e0 m\u00e3o armada e a viol\u00eancia aumentaram \u00e0 medida que especuladores se aglomeraram na \u00e1rea; e um n\u00famero crescente de mineiros de pequena escala foi espancado e fuzilado. Alguns dizem que os mineiros foram enterrados vivos.<\/p>\n<p>\u201cFor\u00e7a civil conhecida por \u2018 Nacatana\u2019 , fomos capturados e l\u00e1 tinha um de Lichinga. O meu amigo perdeu a vida. Fomos detidos durante a noite ali. For\u00e7aram-nos a despirmo-nos, bateram-nos. Na altura n\u00f3s est\u00e1vamos alojados em Namujo, para n\u00f3s mais perto de Muaja, fomos levados para tapar as covas com as m\u00e3os, a nossa roupa estava no carro deles. Naquele momento estava l\u00e1 um branco, este indiano aqui na foto, mas n\u00e3o me lembro do nome dele, naquele dia est\u00e1vamos mal que nem deu para lembrar do nome. O outro meu amigo que trabalhava comigo, acabou perdendo a vida mas n\u00e3o devido a minera\u00e7\u00e3o. Quanto ao v\u00eddeo em quest\u00e3o. Foi sim dentro da mina para quem vem de Namujo, a entrar parta a zona de Anemia 4 metros, zona de terra vermelha, foi uma noite em que fomos atrapalhados e fomos tratados daquela forma incr\u00edvel.\u201d Contou-nos um morador local.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros relatos de mortes por baleamento a mineradores artesanais. De garimpeiros enterrados vivos e outros de espancamentos a mutila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na altura Pomp\u00edlio Xavier Wazamguia, procurador-distrital de Montepuez, atribuir\u00e1 grande parte do crime ao aumento das tens\u00f5es entre as for\u00e7as de seguran\u00e7a armadas encarregadas de proteger os dep\u00f3sitos de rubi e os mineiros n\u00e3o licenciados em busca de pedras preciosas. \u201cNossas for\u00e7as s\u00e3o as que usam armas, n\u00e3o os mineiros\u201d, disse o procurador-geral em uma entrevista. \u201cAlguns membros das for\u00e7as de seguran\u00e7a foram julgados e condenados.\u201d<\/p>\n<p>Wazamguia processara mais de 10 casos de homic\u00eddio contra policiais entre janeiro de 2013 e janeiro de 2015, al\u00e9m de 35 a 40 casos envolvendo assaltos \u00e0 m\u00e3o armada supostamente cometidos por policiais que roubaram de moradores e mineiros, de acordo com o procurador. Em outro caso, dois policiais foram condenados por cortar os dois bra\u00e7os de um residente, disse ele.<\/p>\n<p>Na altura Beatriz Buchili, a Procuradora-Geral da Rep\u00fablica (PGR) visitou a \u00e1rea de Montepuez em 21 de Abril de 2016 para investigar as den\u00fancias de viol\u00eancia. N\u00e3o se conhecem publicamente os resultados da investiga\u00e7\u00e3o anunciada pela nossa zelosa PGR. Contudo, a mineradora acabou em julgamento em Londres, decis\u00e3o para compensar as centenas de pessoas desalojadas.<\/p>\n<p>Vieram os \u2018raids\u2019 que n\u00e3o s\u00f3 expulsaram os milhares de mineradores artesanais vindos, na sua maioria, da Tanz\u00e2nia, como tamb\u00e9m aos principais compradores, os tailandeses, mas n\u00e3o para acomodar as comunidades locais.<\/p>\n<p><strong class=\"ui-sortable-handle\"><u>Mas era preciso retirar a tudo e todos, os Rubis e outros minerais \u2018s\u00e3o todos nossos\u201d<\/u><\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2638\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Montepuez-rubi-mining-pic.jpg\" alt=\"\" width=\"502\" height=\"281\" \/><\/p>\n<p>A empresa e o governo partilham do mesmo interesse, minimizar a minera\u00e7\u00e3o e o contrabando dos n\u00e3o licenciados de pedras preciosas da \u00e1rea de Montepuez. Para o governo, significa proteger as receitas fiscais e os ganhos em moeda estrangeira; para as empresas, trata-se de proteger os lucros em crescimento. Os \u2018raids\u2019 anteriores, expuls\u00e3o de garimpeiros, estrangeiros e comunidades retiradas das suas terras foi para acomodar multinacionais e elementos da nomenclatura pol\u00edtica mo\u00e7ambicana, os mesmos de ontem e, mais uns novos&#8230;<\/p>\n<p>Em Abril de 2017 mais de 4 mil mineradores artesanais foram expulsos da concess\u00e3o de Namanhumbir, incluindo pessoas da comunidade.<\/p>\n<p>Os \u2018raids\u2019 foram encetados por uma for\u00e7a conjunta designadamente as For\u00e7as de Interven\u00e7\u00e3o R\u00e1pida (FIR) na altura, pol\u00edcia de protec\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7as privadas, for\u00e7a ambiental com objectivo de expulsar os milhares de estrageiros contrabandistas assim como as comunidades locais \u201cladr\u00f5es de rubis\u201d na sua pr\u00f3pria terra.<\/p>\n<p>Foram mobilizados autocarros da empresa transportadora Nagy, para providenciar a mobiliza\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de Pemba a Namanhumbir, sua perman\u00eancia durante 15 dias ou mais paga pela mineradora MRM.<\/p>\n<p>Casas assaltadas pelas for\u00e7as, bens usurpados, carros, motos, dinheiro. Nos machibombos foram levadas as v\u00e1rias nacionalidades estrangeiras, desde tanzanianos, tailandeses, nigerianos&#8230; Largados na linha de fronteira; Os mo\u00e7ambicanos oriundos das v\u00e1rias prov\u00edncias de Mo\u00e7ambique, umas foram levados na contra m\u00e3o. Pessoas das comunidades de Namanhumbir foram largadas nos distrito de Ancuabe, em Mesa, outros de Nampula, largados na linha de fronteira Tanz\u00e2nia \u2013 Mo\u00e7ambique, \u2018agora podem voltar a vossas casas. Caminharam mais de 100 quil\u00f3metros, sem nada, tornando-se salteadores de Machambas alheias \u00e0 procura de alimentos.<\/p>\n<p>Mas o neg\u00f3cio das concess\u00f5es como sempre ainda estava para atingir patamares mais altos. As multinacionais filhas da Faberg\u00e9 tomaram as terras. A mineradora Fura adquiriu todas as concess\u00f5es segundo lista abaixo, tornando-se na maior concession\u00e1ria, tendo a sua filha Gemfields-MRM como segunda a Faberg\u00e9-Gemfields, Fura Gems Inc. Mustang (conhecida como New Energy desde meados de 2018) Regious Resources, Gem Rocks, SRL Mining Limites, generais do ex\u00e9rcito mo\u00e7ambicano e ministros s\u00e3o os principais benefici\u00e1rios, mais a Gemfields e Mwitiri mais uma vez em \u2018joint venture\u2019 entraram pelo ouro criando a empresa mineira de ouro \u2013 Nairoto Resort.<\/p>\n<p><strong class=\"ui-sortable-handle\">Crime e os criminosos nunca foram \u00e0 barra do tribunal<\/strong><\/p>\n<p>Os mentores dos crimes, ordens dadas aos elementos de seguran\u00e7a foram no seu todo mestradas pelos directores executivos da Gemfields-MRM, alguns nomes acima mencionados segundo dados publicados em investigacoes anterioes, com ref\u00fagio na MUSTANG, New Energy, &#8216;os indianos que davam ordens&#8221;\u00a0 aos vulgos &#8216;Nacatanas.&#8217;<\/p>\n<p>Faberg\u00e9-Gemfields, Fura Gems Inc. Mustang (conhecido como New Energy desde meados de 2018) Regious Resources, Gem Rocks, SRL Mining Limites, generais do ex\u00e9rcito mo\u00e7ambicano e ministros mo\u00e7ambicanos s\u00e3o os benefici\u00e1rios principais e dentro de pouco, Gemfields e Mwitiri lan\u00e7ar\u00e3o uma nova parceria com a empresa mineira de ouro \u2013 Nairoto Resort. Em carta \u00e0 Fura disse que \u2018O senhor Shetty entrou na Fura Gems Inc em janeiro 2017 como Presidente Executivo. Foi director de opera\u00e7\u00f5es e membro do conselho de Gemfields Plc.\u2019 E \u2018a \u00fanica rela\u00e7\u00e3o entre as duas empresas tem de ver com um acordo de aquisi\u00e7\u00e3o entre Fura e New Energy anunciado publicamente em julho 2018, no qual Fura aceitou aquisi\u00e7\u00e3o de certos activos nos rubis de New Energy em Mo\u00e7ambique (\u2018a transac\u00e7\u00e3o\u2019).<\/p>\n<p><strong class=\"ui-sortable-handle\">Foi tudo para acomodar as multinacionais e os seus.<\/strong><\/p>\n<p><strong class=\"ui-sortable-handle\">Das concess\u00f5es, entre os propriet\u00e1rios, um grupo de pessoas. Pais , filhos,\u00a0 concubinas, primos, cunhados, amigos do regime\u00a0 \u00a0fazem parte do leque dos que beneficiam do neg\u00f3cio segundo cadastro mineiro de Cabo Delgado, terras do povo foram abocanhadas por pessoas da nomenclatura politica mo\u00e7ambicana\u00a0 \u00e0 espera de um investidor, cedendo a terra \u00e0s multinacionais a troco de umas quinhentas comparativamente com os milh\u00f5es naquele subsolo, uma concess\u00e3o de milhares de d\u00f3lares.<\/strong><\/p>\n<p>Com a expuls\u00e3o dos milhares de mineradores ilegais as pessoas das comunidades contentaram-se, ansiosos de que iriam beneficiar, que poderiam ter suas parcelas de terra onde escavar os rubis sem terem que ir escavar dentro das concess\u00f5es das mineradoras, serem perseguidos, espancados, detidos, encarcerados. Antes mesmo com os riscos que correiam conseguiam sobreviver. \u201cFicamos at\u00e9 um pouco felizes quando expulsaram aquelas pessoas, mas tamb\u00e9m aqui antes da expuls\u00e3o t\u00ednhamos vida. Dinheiro, \u00edamos cavar, vend\u00edamos, abrimos barracas, vend\u00edamos comida, bolos, tudo. Agora hoje n\u00e3o temos nada.\u201d<\/p>\n<p><strong class=\"ui-sortable-handle\">Os que descobriram o mineral<\/strong><\/p>\n<p>Os que descobriram o mineral, o primeiro foi Selemane Assane em 2009, este n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico que vira a sofrer com a tamanha descoberta do dep\u00f3sito de rosas expropriado pelo general Raimundo Pachinuapa, membro da comiss\u00e3o pol\u00edtica do partido FRELIMO e ex-governador da prov\u00edncia de Cabo Delgado, juntamente com Asghar Fakhraleali, para Assane e os outros, posteriormente tornando-se em espinhos, suas terras usurpadas, tornaram-se \u2018vil\u00f5es, ladr\u00f5es\u2019.<\/p>\n<p>S\u00e3o terras usurpadas, e, em junho de 2011 foram definitivamente tomadas pela Gemfields, multinacional inglesa, que atrav\u00e9s de um acordo com a Mwiriti de Raimundo Domingos Pachinuapa e seus parceiros Asgar, de nacionalidade iraniana, formaram uma \u2018joint venture\u2019 &#8211; Montepuez Ruby Mining. Assim a Gemfields adquiria o controle accion\u00e1rio de 75 por cento da nova empresa (MRM) conforme atesta o Boletim da Rep\u00fablica III s\u00e9rie \u2013 N\u00famero 38 de 23 de setembro de 2011. A MRM \u00e9 detentora da Concess\u00e3o Mineira no 4703C.<\/p>\n<p>Selemane Assane foi gratificado com algumas pris\u00f5es \u00a0e com r\u00f3tulo de \u2018ladr\u00e3o de rubis e inimigo\u2019. Assane, o \u2018fundador\u2019 da MRM, esteve preso na cadeia de Montepuez durante 35 dias e foi libertado no dia 3 de mar\u00e7o de 2020 mediante cau\u00e7\u00e3o de 40 mil meticais.<\/p>\n<p><strong class=\"ui-sortable-handle\">Compensados pelos crimes \u2013 direitos humanos violados <\/strong><\/p>\n<p>Sobre a extors\u00e3o dos benefici\u00e1rios das indemniza\u00e7\u00f5es, n\u00e3o era algo novo, elementos dos servi\u00e7os secretos e da Procuradoria de Ancuabe tinham estado a perseguir os benefici\u00e1rios das indemniza\u00e7\u00f5es resultante processo jur\u00eddico extrajudicial que levou a mineradora Montepuez Rubi Mining (MRM) ao tribunal londrino. Os benefici\u00e1rios j\u00e1 est\u00e3o a ser pagos da\u00ed estarem na mira de quem os quer extorquir.<\/p>\n<p>Em Ancuabe as opera\u00e7\u00f5es dos Servi\u00e7os de Informa\u00e7\u00e3o e Seguran\u00e7a do Estado (SISE) contra os indemnizados t\u00eam o rosto do senhor Hor\u00e1cio que se acredita ser o director local dos Secretos. \u201cDizem que \u00e9 dinheiro de \u00abAlshabab\u00bb, N\u00f3s explicamos que \u00e9 dinheiro das indeminiza\u00e7\u00f5es. N\u00e3o somos do Alshabab\u201d Disse um benefici\u00e1rio visivelmente agastado com a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Receberam valores de entre 7 milh\u00f5es de meticais a 500 mil. O governo disse que era dinheiro dos intitulados \u2018Alshabab\u2019\u00a0 mais ainda elementos da SERNIC, Procuradores distritais de Ancuabe e Montepuez e alguns de Pemba, mesmo que este caso tenha sido reportado em televis\u00f5es, r\u00e1dios, jornais nacionais e internacionais, diziam apenas: \u2018Nunca ouvimos falar deste caso, n\u00e3o sabemos. Esses receberam dinheiro dos \u2018Alshabab\u2019.<\/p>\n<p>E, a persegui\u00e7\u00e3o continuava, iam a casa dos j\u00e1 sofridos levar seus bens como plasmas, motorizadas, dinheiro como ultimo fim. \u2018Queremos a lista de todos que receberam dinheiro e quanto\u201d estavam mais preocupados n\u00e3o com os que tinham recebido 100 mil mais os das somas avultadas, de 500 mil aos 7 mil. Queriam o dinheiro.\u201d<\/p>\n<p>Namanhumbir \u2013 Montepuez com duas associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, a 4 de outubro e Armando Guebuza, com cerca de 350 membros cada, foi atribu\u00edda a cada associa\u00e7\u00e3o uma \u00e1rea para minera\u00e7\u00e3o de 250 hectares, \u201cdelimitada, designada\u201d e as quais desde o passado m\u00eas de janeiro at\u00e9 mar\u00e7o momento da publica\u00e7\u00e3o desta investiga\u00e7\u00e3o, estavam \u00e0 espera do seu novo parceiro, a \u201cGems Rock\u201d, para o arranque das actividades. Estiveram a fazer acampamentos em Nacoja e agora falta aqui em Namahumbir. Enquanto cada uma das associa\u00e7\u00f5es tem 30% das ac\u00e7\u00f5es da empresa, a Gems Rock, det\u00e9m 40% \u2013 referem membros das associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2634\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/FURA-1.jpg\" alt=\"\" width=\"5184\" height=\"3456\" \/><\/p>\n<p><em>Foto: Estacio Valoi<\/em><\/p>\n<p>Sem o conhecimento da comunidade o suposto contracto com as associa\u00e7\u00f5es ficou sem efeito, nulo. As terras, concess\u00f5es em acordos feitos pelas multinacionais fora do territ\u00f3rio mo\u00e7ambicano, hoje apenas tem a Fura, Gemfields \u2013 MRM (Faberg\u00e9)<\/p>\n<p>Ainda segundo as associa\u00e7\u00f5es, a dimens\u00e3o das \u00e1reas para as comunidades primeiro era de 250 hectares para cada uma. Antes eram 500 hectares para cada comunidade. Acho que o governo tinha manipulado mas agora o nosso parceiro j\u00e1 comprou uma das \u00e1reas da Gemfields e da Mustang e, acho que as \u00e1reas j\u00e1 est\u00e3o incorporadas. Em termos de viol\u00eancia est\u00e1 ainda continua nas zonas de garimpo que sempre foi uma zona em que os conflitos n\u00e3o param e continua haver aquela viol\u00eancia, balas, pessoas espancadas, isto n\u00e3o falta, at\u00e9 porque durante a semana houve persegui\u00e7\u00f5es dentro da \u00e1rea da Montepuez Rubi Mining e balas ao ar a soar. S\u00f3 j\u00e1 n\u00e3o temos pessoas baleadas que v\u00e3o parar ao hospital.<\/p>\n<p><strong class=\"ui-sortable-handle\">Com\u00e9rcio continua <\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2639\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/rubi-minining-areas-1.jpg\" alt=\"\" width=\"5184\" height=\"3456\" \/><\/p>\n<p><em>Foto: Estacio Valoi<\/em><\/p>\n<p>Hoje, em pleno 2021 com a pandemia da Covid-19 em voga, o com\u00e9rcio de rubis, o mercado est\u00e1 e continua no seu grosso modo concentrado no distrito de Montepuez. Os que est\u00e3o neste momento e que tamb\u00e9m sempre compraram apesar de haver novos, temos os tailandeses, mais senegaleses, somalianos, tanzanianos em menor n\u00fameros e outros, mais em maior n\u00famero senegal\u00eas. Os guineenses \u00e9 que d\u00e3o dinheiro aos garimpeiros (mo\u00e7ambicanos) dessa forma conseguem ter a pedra (rubi) para vender aos tailandeses.<\/p>\n<p>Os patr\u00f5es dos senegaleses d\u00e3o dinheiro aos mo\u00e7ambicanos, comida a 200, 500 meticais, farinha, picareta. S\u00e3o os mo\u00e7ambicanos que entram, v\u00e3o escavar os rubis. Hoje j\u00e1 n\u00e3o pagam, mas antes sim, pagavam aos controladores da mina (seguran\u00e7a privada, pol\u00edcia, UIR), mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil entrar na mina porque muitos seguran\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o aceitam. Claro que os garimpeiros entram correndo seu pr\u00f3prio risco. Tamb\u00e9m tens chefes que cobram as quais entregas aquele dinheiro, a comida consome-se l\u00e1 e vai se trabalhar para depois vender o rubi, isto, \u00e9 a grama a 100, 200 mil meticais sob justifica\u00e7\u00e3o do Covid-19 que afugentou os clientes, o pre\u00e7o baixou muito para o pr\u00f3prio garimpeiro desde 2009, mais 2013, 2015.<\/p>\n<p>Nos tempos vendias um grama a 400 mil meticais mas agora baixou devido a Covid-19, dizem que n\u00e3o h\u00e1 dinheiro. Pessoas continuam a cavar, mas n\u00e3o com muito vigor porque a MRM est\u00e1 a refor\u00e7ar a controle com suas for\u00e7as de seguran\u00e7a privadas, civil e governamental. As pessoas continuam a organizar seus grupos de garimpeiros ilegais para irem cavar la no mato chefes como o comandante distrital administrador, a maioria FIR, esses que andam pela estrada, montam sua equipa de garimpeiros. Deixam os garimpeiros minerar e quando encontram o rubi, tamb\u00e9m vendem em Montepuez e dividem o dinheiro.<\/p>\n<p>Segundo Jacinto Antigo l\u00edder da associa\u00e7\u00e3o a qual estava licenciada para a explora\u00e7\u00e3o do ouro numa \u00e1rea dentro da reserva nacional das Quirimbas em 2018 o governo local disse que iria criar condi\u00e7\u00f5es para que pud\u00e9ssemos explorar o ouro contudo nada foi feito. Estamos sim a sobreviver, praticamente sentados sem nada para fazer, visto que quando algumas pessoas forma para la foram detidas, eram cinco membros da associa\u00e7\u00e3o onde uns cumpriram seis meses de cadeia, isto em 2018 no come\u00e7o ate o m\u00eas de Setembro, \u00e9 proibido explorar naquela zona, apenas os furtivos \u2018e que v\u00e3o la fazer o garimpo ilegal.<\/p>\n<p>Gemfields e Mwitiri criaram uma nova parceria \u2018joint venture\u2019 na empresa mineira de ouro \u2013 Nairoto Resort. Em carta a Fura disse que \u2018O senhor Shetty entrou na Fura Gems Inc em janeiro 2017 como Presidente Executivo. Foi director de opera\u00e7\u00f5es e membro do conselho de Gemfields Plc.\u2019 E \u2018a \u00fanica rela\u00e7\u00e3o entre as duas empresas tem de ver com um acordo de aquisi\u00e7\u00e3o entre Fura e New Energy anunciado publicamente em julho 2018, no qual Fura aceitou aquisi\u00e7\u00e3o de certos activos nos rubis de New Energy em Mo\u00e7ambique (\u2018a transac\u00e7\u00e3o\u2019)<\/p>\n<p>Uma das zona de maior concentra\u00e7\u00e3o de concess\u00f5es de minerais, madeira esta exactamente localizada no Norte da Prov\u00edncia de Cabo Delgado zona flagelada pela guerra de onde cerca de 800.000 pessoas na prov\u00edncia de Cabo Delgado, no norte de Mo\u00e7ambique, foram for\u00e7adas a retirar-s devido a\u00a0 ataques terroristas. Os insurgentes separaram fam\u00edlias, queimando suas casas, traumatizando crian\u00e7as e matando pessoas. Em Mar\u00e7o, cerca de 228.000 pessoas estavam com inseguran\u00e7a alimentar, mas esse n\u00famero deve crescer para 363.000 durante a esta\u00e7\u00e3o de escassez que come\u00e7a em Outubro.\u00a0 Os mais afectados s\u00e3o as crian\u00e7as, com dados recentes mostrando que 75.000 crian\u00e7as menores de cinco anos sofrem de desnutri\u00e7\u00e3o aguda ,mais de 2.800 mortes segundo o projeto de registo de conflitos ACLED e 732.000 deslocados de acordo com as Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 Total, uma empresa transnacional francesa que dirige um projecto multibilion\u00e1rio de g\u00e1s liquefeito no norte de Mo\u00e7ambique que esperava trazer fortunas para a popula\u00e7\u00e3o local, contribuiu para deslocamentos internos em massa, teve um mau desempenho em sua responsabilidade social corporativa e empobreceu partes de Cabo Delgado significativamente regi\u00e3o, gerando descontentamento local que est\u00e1 levando um n\u00famero substancial de pessoas a aderir ou apoiar os insurgentes isl\u00e2micos.<\/p>\n<p>Em algumas zonas segundo investiga\u00e7\u00e3o via sat\u00e9lite \u00e9 poss\u00edvel constatar que algumas actividades v\u00e3o sendo levadas a cabo. Veja gr\u00e1fico:<\/p>\n<details style=\"background-color: #f8f8f8; padding: 5px; border-radius: 2px; border: 1px solid #ccc;\" open=\"\">\n<summary style=\"background-color: #eee; padding: 5px; font-weight: bold; border: 1px solid #ccc; border-radius: 2px; margin-bottom: 10px; cursor: pointer;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Mapa das concess\u00f5es<br \/>\n<\/strong><\/span><\/summary>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/embed?mid=1ImxYywBetBIaw1iaOw27GauIVgbSWlDp\" width=\"640\" height=\"480\"><\/iframe><br \/>\nFonte: <a href=\"https:\/\/portals.landfolio.com\/mozambique\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mapa Portal do Cadastro Mineiro de Mo\u00e7ambique<\/a><\/p>\n<\/details>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<details class=\"ui-sortable-handle\" style=\"background-color: #f8f8f8; padding: 5px; border-radius: 2px; border: 1px solid #ccc;\" open=\"\">\n<summary style=\"background-color: #eee; padding: 5px; font-weight: bold; border: 1px solid #ccc; border-radius: 2px; margin-bottom: 10px; cursor: pointer;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Imagens de sat\u00e9lite al\u00e9m das concess\u00f5es<\/strong><\/span><\/summary>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2621 aligncenter\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Oasse-S2L2A-timelapse.gif\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"512\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Entre 2017 e o momento de publica\u00e7\u00e3o do artigo se v\u00ea que ao sudoeste de Awasse apareceu uma \u00e1rea (-11.521748, 40.012535) de desmatamento e possivelmente de minera\u00e7\u00e3o. Segundo os dados obtidos do Cadastro Mineiro de Mo\u00e7ambique, a concess\u00e3o que cobre a \u00e1rea da vila de Awasse inteira mais arredores pende aprova\u00e7\u00e3o de uma licen\u00e7a de prospec\u00e7\u00e3o e pesquisa.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe ao certo para que serve a \u00e1rea acima citada, mas em imagens de sat\u00e9lite obtidas da Apple Maps d\u00e1 para ver o que parecem ser contenedores e madeira empilhada. Tamb\u00e9m observem-se abrigos para os funcion\u00e1rios. \u00c9 poss\u00edvel que as actividades observadas n\u00e3o tenham nada a ver com a licen\u00e7a pendente mas \u00e9 ao m\u00ednimo duvidoso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2630\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/oasse.png\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"759\" \/><\/p>\n<p>A empresa H.D. Kutsaka Ltda. obteve uma concess\u00e3o para extra\u00e7\u00e3o de pedras de constru\u00e7\u00e3o. A concess\u00e3o abrange uma \u00e1rea perto da vila de Chitimba ( -11.626353, 39.261048). A concess\u00e3o est\u00e1 em vigor e vimos que entre 2020 e 2021 houve mudan\u00e7as na \u00e1rea da concess\u00e3o. Houve desmatamento naquela \u00e1rea, pois vimos que \u00e1rvores foram cortadas e removidas, mas n\u00e3o se sabe se o desmatamento est\u00e1 relacionado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de pedra de constru\u00e7\u00e3o ou ao neg\u00f3cio em madeira. Nem se sabe ao certo quem est\u00e1 minerando ali, se s\u00e3o as pessoas com os direitos \u00e0 concess\u00e3o ou pessoas que est\u00e3o a explorar a \u00e1rea ilegalmente.<\/p>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2622 aligncenter\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Chitimba-S2L2A-timelapse.gif\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"512\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Em Palma, uma \u00e1rea devastada durante o conflito com o grupo terrorista \u201cAlshabab\u201d, h\u00e1 uma concess\u00e3o j\u00e1 vigente, segundo dados do Portal do Cadastro Mineiro de Mo\u00e7ambique. Trata-se de uma \u00e1rea pequena na periferia de Palma para a extra\u00e7\u00e3o de areia de constru\u00e7\u00e3o. Os direitos foram cedidos \u00e0 empresa Palma Sands Ltda.<\/p>\n<p>Abaixo: a \u00e1rea da concess\u00e3o (cr\u00e9ditos: Google Maps, Airbus, Maxar Technologies)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2629 aligncenter\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/palma-google-maps.png\" alt=\"\" width=\"1130\" height=\"718\" \/><\/p>\n<p>Apesar do conflito que est\u00e1 a assolar a zona, as actividades mineiras n\u00e3o diminu\u00edram nos \u00faltimos anos como mostram imagens de sat\u00e9lite do Sentinel-2, um servi\u00e7o da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2623 aligncenter\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Palma-Sands-Lda-S2L2A-timelapse.gif\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"512\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(cr\u00e9dito: imagens obtidas atrav\u00e9s de sentinel-hub.com)<\/p>\n<p>Imagens de sat\u00e9lite de setembro 2015 e 2019:<\/p>\n<p><iframe class=\"juxtapose\" src=\"https:\/\/cdn.knightlab.com\/libs\/juxtapose\/latest\/embed\/index.html?uid=c357e73a-df1e-11eb-b7bf-95443c729a29\" width=\"450%\" height=\"680\" frameborder=\"0\"><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><\/span><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><\/span><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span><\/iframe><\/p>\n<p>Do outro lado de Palma, na pen\u00ednsula de Afungi, a Total continuou as suas actividades at\u00e9 ser atacada pelos terroristas no final de mar\u00e7o 2021.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2624 aligncenter\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/total-palma-S2L2A-timelapse.gif\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"512\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/details>\n<p>Como Cabo Delgado sofre a turbul\u00eancia de uma insurg\u00eancia interna dos autoproclamados Estado Isl\u00e2mico (EI), \u00e9 necess\u00e1rio revelar como os investimentos estrangeiros est\u00e3o contribuindo para a crise. A persegui\u00e7\u00e3o de jornalistas e defensores dos direitos humanos no contexto de amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a representadas pela insurg\u00eancia isl\u00e2mica significa que a crise mo\u00e7ambicana em Cabo Delgado foi amplamente sub-notificada, pelo que \u00e9 necess\u00e1rio fornecer uma cobertura detalhada atrav\u00e9s deste projecto. Quase n\u00e3o h\u00e1 nenhuma informa\u00e7\u00e3o ou literatura at\u00e9 agora que relacione sistematicamente o investimento total em g\u00e1s, descontentamento local, corrup\u00e7\u00e3o e a insurg\u00eancia<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2637\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/rubi-mining-areas-5-1.jpg\" alt=\"\" width=\"4093\" height=\"3252\" \/><\/p>\n<p><em>Foto: Estacio Valoi<\/em><\/p>\n<p><strong class=\"ui-sortable-handle\">Sequelas dos rubis um exemplo de entre muitos!<\/strong><\/p>\n<p>Lu\u00eds Lazaro Rame\u00a0 \u00e9 uma de entre muitas pessoas v\u00edtimas do crime. Segundo este foi exactamente naquela \u00e9poca em que esses militares trabalhavam com aquela for\u00e7a civil conhecida por \u2018Nacatana\u2019, &#8220;fomos capturados e la tinha um de Lichinga. O meu amigo perdeu a vida. Fomos detidos durante a noite ali. For\u00e7aram-nos a despirmo-nos, bateram-nos. Na altura n\u00f3s est\u00e1vamos alojados em Namujo, para n\u00f3s mais perto de Muaja, fomos levados para tapar as covas com as m\u00e3os, a nossa roupa estava no carro deles. Naquele momento estava l\u00e1 um branco, este indiano aqui na foto, mas n\u00e3o me lembro do nome dele, naquele dia estava mal que nem deu para lembrar do nome. O outro meu amigo que trabalhava comigo, acabou perdendo a vida mas n\u00e3o devido a minera\u00e7\u00e3o. Quanto ao v\u00eddeo em quest\u00e3o. Foi sim dentro da mina para quem vem de Namujo, a entrar para a zona de Anemia 4 metros, zona de terra vermelha, foi uma noite em que fomos atrapalhados e fomos tratados daquela forma incr\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>Depois daquilo que aconteceu faz esses anos n\u00e3o tenho coragem de voltar para aquela mina a n\u00e3o ser que o governo ou a pr\u00f3pria mineradora possa dar-nos acesso para fazermos a nossa minera\u00e7\u00e3o, porque o que senti, sinto at\u00e9 hoje na minha coluna, n\u00e3o consigo nem fazer machamba porque d\u00f3i passado todos estes anos desde 2013, a quest\u00e3o da sa\u00fade que continuo a enfrentar, faz com que fa\u00e7a biscates em outro lugar longe da mina para poder sustentar a minha fam\u00edlia. Bateram-nos, for\u00e7ados a deitarmo-nos de barriga, batiam com um pau desde a coxa at\u00e9 as ancas, na cintura, toda a coxa, nessa carne. Para voc\u00ea poder levantar, depois caminhar de l\u00e1 para casa, nem pensar, muito menos para cal\u00e7ar chinelos, sapato, nem pensar. De 2013 at\u00e9 hoje, praticamente consigo fazer nada, na machamba mal consigo capinar, ou fazer trabalho que requer mais for\u00e7a porque se n\u00e3o tudo rebenta, as dores e voltam novamente com muita for\u00e7a. O que me aconteceu!&#8221;<\/p>\n<p>Fui ao hospital, receitaram me medicamentos. Acabei perdendo as receitas. Perdi as receitas e outros documentos levados pelo ciclone Katrine quando passou e acabei mudando para aqui onde estou agora a viver (Namujo). Eu nasci em 1980, sou casado com uma mulher de Nampula a qual ainda est\u00e1 l\u00e1, n\u00e3o veio para aqui, eu sustenta a fam\u00edlia com biscates o pouco que consigo ou com pouca parcela da machamba, vou fazendo algo. Eu sou natural de Muaja mas estou aqui em Nanhupo faz muito tempo, antes do estabelecimento das mineradoras. Hoje agora dezembro 2020 \u00e9 proibido cavar. Implementaram o sistema de pris\u00f5es que varia de 9 meses, 1 ano, quando voc\u00ea \u00e9 capturado em Nanina. Das pessoas que foram detidas batidas comigo uma morreu. De entre esses dois, um era de Niassa e o outro de Nampula. Eramos quatro pessoas, uma que morreu era daqui, tamb\u00e9m outro meu amigo dos quatro, tamb\u00e9m perdeu a vida quatro anos atras, o nome dele era Ant\u00f3nio Ntepe o qual acabou deixando seus familiares e um filho. Era natura daqui de Nanhupo, toda a fam\u00edlia dele. O outro do Niassa, n\u00e3o me lembro do nome mas ele esta vivo, de quando em vez tenho me cruzado com ele, anda nas minas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Foto: Estacio Valoi\/Concess\u00e3o da MRM-Gemfields Texto e fotos : Estacio Valoi &nbsp; A meio de uma guerra fraticida, a prov\u00edncia de Cabo Delgado, continua a ser um destino de v\u00e1rias gentes que procuram os minerais que habitam no solo desta parte do pa\u00eds. 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