{"id":2683,"date":"2021-09-28T08:38:23","date_gmt":"2021-09-28T06:38:23","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org\/news\/?p=2683"},"modified":"2021-09-28T08:38:23","modified_gmt":"2021-09-28T06:38:23","slug":"so-queremos-regressar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/en\/so-queremos-regressar\/","title":{"rendered":"\u201cS\u00f3 queremos regressar.\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2684\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/kids-in-corane.jpg\" alt=\"\" width=\"4608\" height=\"3456\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Luis Nhachote em Corrane<\/p>\n<p><em>A violenta insurg\u00eancia na prov\u00edncia de Cabo Delgado, no norte de Mo\u00e7ambique, for\u00e7ou mais de 800.000 pessoas a deixar suas casas. Destes, cerca de 6.000 est\u00e3o agora alojados no campo de Corrane, na prov\u00edncia de Nampula.<\/em><\/p>\n<p><em>Apesar do trauma causado pelo som de armas, persegui\u00e7\u00f5es e assassinatos, eles est\u00e3o a tentar esquecer o passado e reconstruir suas vidas. O Continent visitou o acampamento para ouvir suas hist\u00f3rias.<\/em><\/p>\n<p>A 20 de Maio de 2020, Awa Bacar acordou assustado na aldeia de Namoto, a nordeste de Cabo Delgado. Os insurgentes que tinham estado a aterrorizar a prov\u00edncia desde 2017 chegaram, e ela estava no nono m\u00eas de gravidez. \u201cOs disparos come\u00e7aram de madrugada\u201d, diz ela. Enquanto ela e a comunidade fugiam, as dores do parto de Bacar come\u00e7aram e \u201cno meio da estrada tive que parar e dei \u00e0 luz ali mesmo\u201d.<\/p>\n<p>A sua filha, Acha Ibrahimo, completou um ano em Maio deste ano no campo para deslocados de Corrane, na prov\u00edncia de Nampula, que faz fronteira com o sul de Cabo Delgado. Acha est\u00e1 saud\u00e1vel e vai bem &#8211; mas ainda n\u00e3o conheceu o pai, que se encontra em Mueda, uma cidade de Cabo Delgado onde vivem muitas pessoas deslocadas pela guerra na prov\u00edncia.<\/p>\n<p>O campo de Corrane foi inaugurado a 5 de Novembro de 2020, a 60 quil\u00f3metros da cidade de Nampula, e cresceu para albergar cerca de 6.000 pessoas, distribu\u00eddas por 1.441 fam\u00edlias. Novas pessoas chegam todos os dias.<\/p>\n<p>Eles vivem em tendas doadas pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Migra\u00e7\u00e3o (OIM) ao Instituto Nacional de Gest\u00e3o e Redu\u00e7\u00e3o do Risco de Desastres de Mo\u00e7ambique. O acampamento fica em uma \u00e1rea isolada e \u00e1rida, com apenas quatro fontes de \u00e1gua para a crescente popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Situa-se no meio de tr\u00eas comunidades. Alberto Alexandre Lauia, administrador da \u00e1rea local, disse que os moradores e os rec\u00e9m-chegados convivem em harmonia &#8211; \u201cN\u00e3o h\u00e1 conflitos.\u201d<\/p>\n<p>Mil e duzentas crian\u00e7as deslocadas em idade escolar frequentam as escolas locais; e 56 beb\u00eas nasceram at\u00e9 agora em Corrane, desde Novembro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2685\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Hospital.jpg\" alt=\"\" width=\"4608\" height=\"3456\" \/><\/p>\n<p><strong><u>Os pesadelos<\/u><\/strong><\/p>\n<p>Ernesto Jacob, 70, e sua esposa Magreta Vintane, 60, deixaram tudo para tr\u00e1s na vila de Muengue, no distrito de Moc\u00edmboa da Praia. \u201cO Al-Shabab chegou \u00e0 noite e incendiou a nossa aldeia, s\u00f3 conseguimos escapar com a roupa do corpo\u201d, disseram, usando o termo local comum para designar o grupo insurgente. Eles fugiram para Corrane. \u201cN\u00e3o estamos a pensar em voltar, depois do que vimos.\u201d<\/p>\n<p>Armando Janu\u00e1rio Pinheiro, 36, e chefe de fam\u00edlia de quatro pessoas, pretende regressar \u00e0 sua casa, na vila de Moc\u00edmboa da Praia, quando a paz for restaurada. \u201cEspero voltar assim que souber que h\u00e1 seguran\u00e7a\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>As for\u00e7as governamentais de Mo\u00e7ambique e Ruanda retomaram a cidade em Agosto de 2021, ap\u00f3s um ano sob controle dos insurgentes. Mas Pine precisa de mais certezas; \u201cQueremos saber se ap\u00f3s os ruandeses partirem, haver\u00e1 seguran\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Embora muito longe do tiroteio, a vida em Corrane apresenta seus pr\u00f3prios desafios. Em Moc\u00edmboa da Praia, Pine era seguran\u00e7a com um sal\u00e1rio mensal de pouco mais de seis mil meticais (quase $ 100), al\u00e9m de praticar agricultura.<\/p>\n<p>A vida no acampamento \u00e9 muito diferente.<\/p>\n<p>O representante do Instituto Nacional de Gest\u00e3o e Redu\u00e7\u00e3o do\u00a0 Risco de Desastres na prov\u00edncia de Nampula, Alberto Jamal, confirmou que os deslocados em Corrane recebem comida insuficiente. Quatro fontes de \u00e1gua apenas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o suficientes. A via de acesso para a entrada \u00e9 prec\u00e1ria e escorregadia no per\u00edodo das chuvas. Poucos moradores t\u00eam acesso \u00e0 electricidade. N\u00e3o h\u00e1 mercado, embora os servi\u00e7os de dinheiro m\u00f3vel cheguem ao acampamento. Os poucos produtos \u00e0 venda s\u00e3o vendidos em barracas improvisadas debaixo de cajueiros. E al\u00e9m das dificuldades f\u00edsicas e da falta de oportunidades de emprego, os deslocados precisam de apoio psicossocial.<\/p>\n<p>\u201cEu s\u00f3 quero regressar\u201d, disse Pine. \u201cA vida \u00e9 dif\u00edcil aqui.\u201d<\/p>\n<p>Este artigo foi originalmente publicado no\u00a0<a href=\"http:\/\/the%20continent%20with%20mail%26guardian\/\">https:\/\/mg.co.za\/thecontinent\/<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Luis Nhachote em Corrane A violenta insurg\u00eancia na prov\u00edncia de Cabo Delgado, no norte de Mo\u00e7ambique, for\u00e7ou mais de 800.000 pessoas a deixar suas casas. Destes, cerca de 6.000 est\u00e3o agora alojados no campo de Corrane, na prov\u00edncia de Nampula. 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