{"id":2801,"date":"2022-12-28T08:57:38","date_gmt":"2022-12-28T06:57:38","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org\/news\/?p=2801"},"modified":"2022-12-28T08:59:42","modified_gmt":"2022-12-28T06:59:42","slug":"oilgas-e-as-marcas-do-corporativismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/en\/oilgas-e-as-marcas-do-corporativismo\/","title":{"rendered":"\u201cOil&#038;Gas\u201d e as marcas do corporativismo"},"content":{"rendered":"<p><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2802\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/foto-ja.jpeg\" alt=\"\" width=\"1040\" height=\"720\" \/><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por Estacio Valoi<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como arvores de Natal em dias idos, na fase da prospec\u00e7\u00e3o do g\u00e1s chegavam ao porto de Pemba em Cabo Delgado navios com luzes anunciando um futuro colorido. Pelas ruas roncavam motores de alegria, empregados andavam de bolsos cheios, constru\u00e7\u00f5es para acomodar o g\u00e1s desfilavam que nem cogumelos assim como as concess\u00f5es mineiras tamb\u00e9m eram anunciadas a publicidade moda \u2018 chique,\u2019 o \u2018El dorado prometido<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o tardou o \u2018El dorado transformara-se num campo de batalha da expropria\u00e7\u00e3o de terra, pessoas espancadas, outras baleadas ou enterradas vivas, contractos mal celebrados entre o governo e as multinacionais que ao mesmo tempo ludibriavam o regime a seu favor,\u00a0 o governo que fazia-se olhos de mercador, protegia as grandes corpora\u00e7\u00f5es criminalizando aqueles que reclamavam pelos seus direitos, o estado e o estado da criminaliza\u00e7\u00e3o, as marcas da expans\u00e3o do poder corporativo e o encolhimento do espa\u00e7o c\u00edvico \u00e9 patente.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As luzes flutuantes dos navios murcharam a soberania nacional\u00a0 entregue ao Ruanda de onde o controlo do g\u00e1s assim como as decis\u00f5es tomadas em torno disto s\u00e3o tomadas em Kigali, os acordos entre Mo\u00e7ambique e Ruanda continuam no segredo dos Deuses, o Conselho da Uni\u00e3o Europeia adoptou assist\u00eancia no valor de 20 milh\u00f5es de\u00a0 euros para apoiar o destacamento continuado da For\u00e7a de Defesa do Ruanda na\u00a0 prov\u00edncia de Cabo Delgado e o primeiro g\u00e1s exportado chegava a Espanha.<\/p>\n<p>Em Mo\u00e7ambique, ficara a Impunidade Corporativa e a viola\u00e7\u00e3o de Direitos Humanos, fen\u00f4meno que acontece a n\u00edvel global, e que levou a organiza\u00e7\u00e3o denominada Justi\u00e7a Ambiental\u00a0 a versar sobre esta tem\u00e1tica no seu ultimo f\u00f3rum anual de 2022 em Maputo onde estiveram presentes\u00a0 mais de 130 participantes de entre estes organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, activistas, membros de comunidades diretamente afectadas pelos megaprojetos advogados, especialistas, acad\u00e9micos e representantes do governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As marcas da expans\u00e3o do poder corporativo e o encolhimento do espa\u00e7o c\u00edvico s\u00e3o para o autor, arquitecto e activista Nigeriano Nnimmo Bassey da HOMEF\u00a0 s\u00e3o vis\u00edveis a volta da \u00c1frica e sua est\u00f3ria onde as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais tem vindo a influenciar os sistemas governamentais<\/strong> . \u2018Est\u00e3o quase acima da lei ent\u00e3o a maioria dos governos fazem aquilo que as corpora\u00e7\u00f5es querem. As corpora\u00e7\u00f5es tem o controle do sistema de seguran\u00e7a, usam os nossos ex\u00e9rcitos, reprimem o nosso povo e em geral destroem o meio ambiente sem qualquer sentido de responsabilidade, ent\u00e3o temos o espa\u00e7o da sociedade civil ou c\u00edvico n\u00e3o apenas sendo afunilado pelo tipo de leis que temos mas pelo tipo de a\u00e7\u00e3o\u00a0 das autoridades que as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais tem na \u00e1rea da minera\u00e7\u00e3o, petr\u00f3leo, florestas e planta\u00e7\u00f5es pelo continente. Isto \u00e9 realmente colonial porque as actividades dessas corpora\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o para os africanos desfrutarem mas sim para exporta\u00e7\u00e3o. As planta\u00e7\u00f5es produzem para exporta\u00e7\u00e3o, o g\u00e1s e petr\u00f3leo minerais\u00a0 s\u00e3o extra\u00eddos para exporta\u00e7\u00e3o e poucas pessoas dos nossos cidad\u00e3os est\u00e3o empregadas neste sector excepto como trabalhadores , no cargo de guardas de port\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2803\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-20-at-9.49.24-AM-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"882\" height=\"569\" \/><\/p>\n<p><strong>Estado e o Estado da criminaliza\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Bassey n\u00e3o duvidas que o governo mais protege mais as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais \u2018\u00a0 \u00c9 uma realidade. Os nossos governos e as nossas forcas de seguran\u00e7a protegem mais as minas os gasodutos mais do que\u00a0 protegem as comunidades, a vida das comunidades, pouca aten\u00e7\u00e3o no nosso pr\u00f3prio povo. \u2018e por isto que temos mais e mais aumento da impunidade, n\u00edvel alto de abuso de direitos humanos enquanto as nossas comunidades sofrem.\u201d https:\/\/freedomhouse.org\/country\/mozambique\/freedom-world\/2022<\/p>\n<p>E para mudar este cen\u00e1rio de impunidade \u2018s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando as pessoas estiverem unidas. Os problemas existem em todos os pa\u00edses. Quando os nossos povos se erguerem os pol\u00edticos v\u00e3o perceber que est\u00e3o no poder porque n\u00f3s assim os permitimos que ali estejam. Quando o sistema esta contra o seu povo sempre procuram formas de reprimir, oprimir, pessoas deslocadas, e a criminaliza\u00e7\u00e3o vai continuando sistematicamente. No delta do N\u00edger de onde viemos, o governo e as petrol\u00edferas, ate a m\u00eddia apontam as popula\u00e7\u00f5es locais como estando envolvidas em vandalismo e sabotagem mas percebemos mais e mais que\u00a0 \u00e9o oposto, s\u00e3o as corpora\u00e7\u00f5es que est\u00e3o envolvidas em actividades criminais mas porque as pessoas n\u00e3o tem poder, os governos culpabilizam as pessoas, comunidades, ent\u00e3o o poder do povo \u00e9 o ultimo recurso. Enfatizou o activista.<\/p>\n<p><strong>Em Mo\u00e7ambique enquanto as press\u00f5es jur\u00eddicas, pol\u00edticas e econ\u00f3micas consider\u00e1veis v\u00e3o sendo feitas contra os que se op\u00f5em a impunidade, as duras conquistas democr\u00e1ticas do pa\u00eds nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas est\u00e3o sob press\u00e3o crescente, a lei do investimento internacional n\u00e3o favorece ao governo local sendo necess\u00e1rio rever ou revogar esses tratados, acordos. Segundo a pesquisadora Lea di Salvatore, PHD da Universidade de Nottingham no evento analisando sobre o poder das empresas transnacionais frisou que a lei do Investimento Internacional protege as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais assistindo as nos tratados internacionais provendo a investidores estrangeiros prote\u00e7\u00e3o extra.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cHa muitos\u00a0 tratados ineficientes. Os acordos de investimento permitem que\u00a0 investidores estrangeiros processem os pa\u00edses onde exercem as suas actividades num tribunal internacional de arbitragem, e isto\u00a0 acontece quando os governos desses pa\u00edses tomam medidas regulat\u00f3rias que podem ter um impacto nos lucros esperados ou projectados das empresas e estas medidas podem ser para proteger o ambiente, para proteger a popula\u00e7\u00e3o local, ou mesmo sobre quest\u00f5es de impostos. Este tipo de processos t\u00eam-se verificado cada vez mais a n\u00edvel da ind\u00fastria de combust\u00edveis fosseis devido a todas a medidas sobre a mudan\u00e7as ambientais e clim\u00e1ticas. O risco de enfrentar disputas entre investidores e Estados no setor de combust\u00edveis f\u00f3sseis est\u00e1 aumentando exponencialmente. (Esta \u00e9 a melhor maneira que encontrei para contornar a palavra responsabilidade)<\/p>\n<p>J\u00e1 podemos ver casos em que as companhias intentam contra as medidas que os governos avan\u00e7am para tentar lidar com o fen\u00f3meno das\u00a0 mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2804\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-20-at-9.49.24-AM.jpeg\" alt=\"\" width=\"901\" height=\"607\" \/><\/p>\n<p><strong>A pesquisadora vai mais al\u00e9m referindo que os tratados,\u00a0 n\u00e3o s\u00e3o para proteger os mo\u00e7ambicanos, mas as corpora\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>\u201c \u00c9 exactamente o oposto, n\u00e3o s\u00e3o tratados para proteger os cidad\u00e3os e muito menos o governo porque estes tratados s\u00e3o feitos apenas para proteger investimentos externos. e&#8217; um regime que foi criado como que para pretender que se esta a promover e atrair o investimento mas n\u00e3o ha evidencias de que este regime promove e atrai investimento, muito pelo contrario, muitos chamam este regime como forma de neocolonialismo onde as corpora\u00e7\u00f5es podem reter o poder sobre os recurso naturais especialmente no hemisf\u00e9rio Sul . Todos estes tratados que podem ser ratificados entre dois pa\u00edses ou com v\u00e1rios pa\u00edses , uns ate rubricados a 20 ou 30 anos continuam fortalecidas fornecendo esta prote\u00e7\u00e3o extra apenas e exclusivamente para estas empresas de investimento estrangeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 necess\u00e1rio olhar para o poder econ\u00f4mico dessas empresas, e para as raz\u00f5es pelas quais acabam forcando essas leis ou tratados<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos de renegociar, reformar ou por fim completo a estes acordos de investimento porque s\u00e3o absolutamente desequilibradas e unicamente pro investidores e o que acontece \u2018e que precisamos da comunidade mundial junta e especialmente os paises do norte (western world, like the EU) que s\u00e3o os quais iniciaram que a prolifera\u00e7\u00e3o destes acordos, para por fim a estes acordos . Um exemplo concreto \u2018e o que a Uni\u00e3o Europeia decidiu recentemente, que a uni\u00e3o europeia vai se retirar do tratado da carta de energia, que \u00e9\u00a0 um tratado sobre a o investimento energ\u00e9tico que protege inclusivo os\u00a0 combust\u00edveis fosseis. Como este tratado vai contra as suas obriga\u00e7\u00f5es sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas , a UE obrigam a todos os pa\u00edses e a Uni\u00e3o europeia a retirar-se deste acordo de investimento e neste contexto n\u00e3o ser\u00e1 mais aplic\u00e1vel a n\u00edvel dos pa\u00edses da\u00a0 Uni\u00e3o Europeia e isto \u00e9 um exemplo.<\/p>\n<p>Isto significa que \u2018e um \u00fanico tratado rubricado pelos muitos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia mas agora , infelizmente todos os membros , porque protege directamente as companhias de combust\u00edveis fosseis . Significa que este tratado n\u00e3o \u00e9 mais aplic\u00e1vel aos investidores da Uni\u00e3o Europeia dentro da Uni\u00e3o Europeia, todos os estados retiraram-se do acordo implica que este acordo n\u00e3o \u00e9 mais aplic\u00e1vel, e muitos s\u00e3o aos pa\u00edses signat\u00e1rios deste acordo n\u00e3o mais poder\u00e3o ter esta prote\u00e7\u00e3o porque os investidores tem esta prote\u00e7\u00e3o apenas se os seus estados forem parte do tratado . E\u00a0 outa coisa interessante \u2018e que estes investimentos tem o que chamamos de \u2018cl\u00e1usula de p\u00f4r do sol\u2019 significa que a prote\u00e7\u00e3o de investimentos ainda continua por vinte anos depois da fim deste tratado e neste caso a UE providencia o uso desta e solicitou aso pa\u00edses europeus para renegociar a quest\u00e3o da \u2018cl\u00e1usula do p\u00f4r do sol.\u201d<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que \u00e9 importante sobre a decis\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o apenas por ter pedido os pa\u00edses para a pr\u00f3pria Uni\u00e3o retirar-se do tratado de Energia tamb\u00e9m solicitou os estados para reverem os seus tratados bilaterais de investimentos, e renegociar os tratados que trazem protec\u00e7\u00e3o para a ind\u00fastria de Combust\u00edveis fosseis . Este dado \u00e9 muito importante porque propiciam um\u00a0 espa\u00e7o para todos os outros pa\u00edses que\u00a0 n\u00e3o s\u00e3o parte da Uni\u00e3o Europeia, como Mo\u00e7ambique para renegociar os seus tratados pelo menos com todos os estados da Uni\u00e3o Europeia no sentido de n\u00e3o mais vai proteger as empresas da ind\u00fastria de combust\u00edveis fosseis e isto \u2018e realmente hist\u00f3rico em termos de evolu\u00e7\u00e3o em termos da lei internacional de investimento. Mo\u00e7ambique, se vier a construir infraestrutura para utiliza\u00e7\u00e3o interna destes combust\u00edveis f\u00f3sseis como gasodutos, oleodutos, etc, correr\u00e1 o risco de ver esta infraestrutura ficar encalhada, e de ver o pa\u00eds bloqueado na depend\u00eancia de combust\u00edveis f\u00f3sseis.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O poder corporativo e o encolhimento do espa\u00e7o c\u00edvico criam restri\u00e7\u00f5es na capacidade de trabalhar das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, apesar dessas liberdades estarem previstas na constitui\u00e7\u00e3o, defende o cidad\u00e3o Fanito Salatiel, Advogado e activista humanit\u00e1rio presentes no evento:<\/strong> \u201cem Mo\u00e7ambique n\u00f3s temos em termos de hierarquia a Constitui\u00e7\u00e3o da Republica, que \u00e9 a Lei Mae e todas as leis subordinam-se a ela . e mesmo a n\u00edvel da constitui\u00e7\u00e3o a uma serie de preceitos a este n\u00edvel que legitimam uma serie de prorrogativas onde uma das quais \u00e9 essa liberdade de se associarem\u00a0 os mo\u00e7ambicanos enfim de puderem se organizar e defender portanto interesses dessas organiza\u00e7\u00f5es , esse \u2018e o limite constitucional , esta abertura legal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entretanto do ponto de vista daquilo que nos vemos no nosso dia a dia, \u00e9 verdade que existe aqui uma limita\u00e7\u00e3o, posso assim dizer do ponto de vista de alguma legisla\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria por exemplo vamos falar no caso da lei das associa\u00e7\u00f5es em que, diante das modifica\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a ser feitas, a lei acaba ofuscando aquilo que s\u00e3o as prerrogativas dessas associa\u00e7\u00f5es. temos por exemplo a lei do combate ao terrorismo, a quest\u00e3o da lei de branqueamento de capitais , todo esse conjunto de legisla\u00e7\u00e3o acaba limitando o trabalho das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Como se sabe, a maior parte das ONGs tem um financiamento externo, ent\u00e3o quando come\u00e7a-se a criar uma s\u00e9rie de limita\u00e7\u00f5es que controlam como elas sobrevivem, ou mesmo a quest\u00e3o do reconhecimento, isto limita os direitos e liberdades que est\u00e3o plasmados na constitui\u00e7\u00e3o, essa liberdade das pessoas poderem se associar , poderem defender os interesses da classe .<\/p>\n<p>Minha vis\u00e3o \u00e9 que de facto com a expans\u00e3o do poder corporativo, \u00e9 um facto e \u00e9 verdade que esta limita\u00e7\u00e3o acaba afetando aqueles direitos ,digamos b\u00e1sicos da comunidade, os direitos fundamentais. Como sabem esses megaprojetos transnacionais elas s\u00e3o do ponto de vista econ\u00f4mico muito fortes e muita das vezes quando se inserem nas comunidades entram com uma serie de promessas e no final das contas n\u00f3s vemos e temos v\u00e1rios exemplos como no caso da VALE\u00a0 e agora o caso mais recente o de Cabo Delgado , penso que de uma forma geral, essa limita\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es acaba prejudicando a comunidade.\u201d https:\/\/www.hrw.org\/world-report\/2022\/country-chapters\/mozambique<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cabo Delgado \u00e9 um exemplo deste afunilamento das liberdades. hoje em dia temos esta quest\u00e3o do terrorismo, onde o Estado, ao inv\u00e9s de proteger os jovens e residentes locais, acaba excluindo-os dos benef\u00edcios da explora\u00e7\u00e3o dos recursos, negligenciando-os ou mesmo criminalizando-os, o que pode\u00a0 servir como forma de catapultar os jovens a juntarem-se ao terrorismo.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEssa quest\u00e3o \u00e9 pertinente e \u00e9 uma quest\u00e3o muito sens\u00edvel e a abordagem tem que ser muito cuidadosa. Falar da quest\u00e3o do acesso aos benef\u00edcios versus jovens, \u00e9 verdade que a quest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o dos recursos minerais, energ\u00e9ticos, isso a principio n\u00e3o tr\u00e1s benef\u00edcios diretos portanto \u00e9 preciso tirar isso da cabe\u00e7a das pessoas de que quando temos uma mina , j\u00e1 temos um projeto e vamos ter benef\u00edcios nas nossas casas , se n\u00e3o com\u00edamos frango vamos passar a comer, n\u00e3o \u00e9 assim que as coisas funcionam. Por vezes podem acontecer benef\u00edcios indiretos , como por exemplo a melhoria da condi\u00e7\u00e3o das infraestruturas, uma escola ou vias de acesso melhoradas.\u201d Mas isto \u00e9 uma realidade que n\u00e3o esta acontecer, n\u00f3s temos exemplos e qualquer mo\u00e7ambicano com uma vis\u00e3o desinteressada pode se ver que de facto, em quase todos os projectos, n\u00e3o se v\u00ea nem os benef\u00edcios directos nem os indirectos. Eu venho da provincial de cabo Delgado e n\u00f3s temos alguns exemplos , em Namahumbir n\u00f3s temos l\u00e1 uma mineradora , temos em Balama, em Ancuabe e em outros s\u00edtios e j\u00e1 agora estamos a falar da situa\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, no final das contas em termos de impacto positivo na vida das pessoas eu acho que n\u00e3o vemos nada, e isto em algum momento vai servir de fundamento para algum ressentimento.A quest\u00e3o da liberdade , da manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 um principio constitucional, e sendo um direito fundamental , um das caracter\u00edsticas do direito fundamental \u00e9 a sua aplica\u00e7\u00e3o imediata e todas as entidades, quer publica ou privada deve respeitar este direito . O que\u00a0 n\u00f3s\u00a0\u00a0 de facto temos visto \u00e9 o uso exacerbado da forca muitas das vezes desproporcional e desnecess\u00e1ria. Uso da forca \u00e9 totalmente ilegal\u00a0\u00a0 n\u00e3o haja duvida quanto a isso.\u00a0 A \u00fanica observa\u00e7\u00e3o que posso fazer quanto ao uso de c\u00e3es , g\u00e1s lacrimog\u00eanio, ate matan\u00e7as , isso \u00e9 totalmente abomin\u00e1vel e n\u00e3o dignifica um estado que se prese ser de direito , qui\u00e7a que respeite os direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2805\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-20-at-9.49.25-AM.jpeg\" alt=\"\" width=\"881\" height=\"573\" \/><\/p>\n<p><strong>Para Daniel Ribeiro, Coordenador T\u00e9cnico da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental ambiental denominada Justi\u00e7a Ambiental (JA), o g\u00e1s natural do Rovuma, apesar do que se propala &#8211;\u00a0 que vai trazer benef\u00edcios em termos sociais, impulsionar o crescimento econ\u00f4mico, trazer empregos para os locais, trazer desenvolvimento\u00a0 para o Pais \u2013 nesta primeira fase parece que provou \u2013se ter trazido alguns constrangimentos<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNeste momento a \u00fanica analise independente detalhada que n\u00f3s temos \u00e9 de uma Universidade na Franca e, por aquilo que n\u2019os estamos a ver , baseado no estudo econ\u00f4mico deles, os benef\u00edcios econ\u00f4micos n\u00e3o s\u00e3o aquilo que esta a ser prometido porque as proje\u00e7\u00f5es do governo e da empresa TOTAL s\u00e3o muito inflacionados. Estima-se que Mo\u00e7ambique s\u00f3 vai come\u00e7ar a receber dinheiro do g\u00e1s entre 2035 e 2040 e, o volume total projetado pelo projeto baseado na\u00a0 analise\u00a0 deles \u00e9 de 18 a 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares Americanos,\u00a0 e n\u00f3s olharmos para a vida total do projeto os montantes n\u00e3o \u2018e t\u00e3o grande.<\/p>\n<p>S\u00f3 para por em perspectiva , o ciclone IDAI, Keneth e as cheias que ocorreram criaram danos econ\u00f4micos para Mo\u00e7ambique\u00a0 em volta de 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Agora , 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares , em 2040 , em termos do que sito representa em termos de poder de compra , \u00e9 equivalente a quatro bilh\u00f5es de d\u00f3lares agora . Quer dizer, se n\u2019os temos um ano parecido com aquele do\u00a0 IDAI ,KENETT e Cheias, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que estamos a prever, ter um ano mais cheio de calamidades deste tipo , em 2040 vamos eliminar 75% do rendimento econ\u00f4mico do projeto. A quest\u00e3o \u00e9 que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 s\u00e3o uma quest\u00e3o global, e a explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s da \u00e1rea 1 e da \u00e1rea 4 \u00e9 equivalente a sete anos de emiss\u00f5es de g\u00e1s efeito de estufa da Franca. A Fran\u00e7a \u00e9 um pa\u00eds desenvolvido na Europa com emiss\u00f5es altas, ent\u00e3o isto mostra a quantidade de g\u00e1s de efeito de estufa que vai entrar na atmosfera, e consequentemente vai contribuir para o amento da crise clim\u00e1tica \u00e0 qual Mo\u00e7ambique \u00e9 um dos pa\u00edses mais vulner\u00e1veis. N\u00e3o se esque\u00e7a que o metano que \u00e9 um dos gases que \u00e9 libertado no processo de explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s ,metano \u2018e 80 vezes mais potente que o di\u00f3xido de carbono durante vinte anos , ent\u00e3o em cem anos \u00e9 quarto vezes mais potente.\u201d<\/p>\n<p>Como alternativa, os oradores no evento levantaram varias sugest\u00f5es como alternativa como \u2018 catalizar mudan\u00e7as, desde ecofeminismo a ecosocialismo, litig\u00e2ncia estrat\u00e9gica, valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes tradicionais, solidariedade internacional, etc.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Estacio Valoi &nbsp; &nbsp; Como arvores de Natal em dias idos, na fase da prospec\u00e7\u00e3o do g\u00e1s chegavam ao porto de Pemba em Cabo Delgado navios com luzes anunciando um futuro colorido. 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