{"id":3342,"date":"2024-11-18T09:45:56","date_gmt":"2024-11-18T07:45:56","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org\/news\/?p=3342"},"modified":"2024-11-19T06:48:29","modified_gmt":"2024-11-19T04:48:29","slug":"quantas-vidas-humanas-custa-a-barragem-de-mphanda-nkuwa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/en\/quantas-vidas-humanas-custa-a-barragem-de-mphanda-nkuwa\/","title":{"rendered":"Quantas vidas humanas custa a Barragem de Mphanda Nkuwa"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Por Estacio Valoi<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segunda feira, 24 de Setembro pelo retrovisor deix\u00e1vamos para tr\u00e1s a cidade de Tete envolta numa vaga de calor, uma baforada de ar que entorpecia a garganta assim que baix\u00e1ssemos os vidros da viatura em que tr\u00eas pessoas da equipa viajamos a Mphanda Nkuwa la nas margens do rio Zambeze. Uma viagem de cerca de 150 quil\u00f3metros de estrada ao ritmo de v\u00e1rias m\u00fasicas, repetidas sem parar, \u00edamos disputando a estrada apertada com cami\u00f5es da empresa Lalgy na sua corrida vertiginosa, donos da estrada, para exportar o carv\u00e3o da Empresa da Jindal de Marara ao porto seco na cidade de Tete.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pela berma da estrada, indo mais adentro, patente terra faz tempo n\u00e3o sentem o sabor da chuva, o gado esse vai se desenrascando. S\u00e3o mais de trezentas e setenta mil pessoas de dois distritos da prov\u00edncia de Tete correm risco de enfrentar d\u00e9fice alimentar segundo uma radio local.<\/p>\n<p>Enquanto seguimos, mais em frente vislumbravam-se torres met\u00e1licas, parto de uma nova central el\u00e9trica da Cahora Bassa. Cansado de disputar a estrada com os cami\u00f5es da Lalgy, entramos por uma estrada de terra batida de areia castanha, vermelha a mistura de pedras, uma zona remota de rochas, montes, floresta. Do cume do monte os nossos olhos divagam ate a linha do horizonte. Faz impress\u00e3o que o carro vai deslizar ravina a abaixo, vest\u00edgios da limpeza da madeira feita pelos chineses serteiam divinas, os garimpeiros da zona cavam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paramos em Chococoma, nesses poucos minutos encontrei Neli Vicente que foi mostrando-nos as ra\u00edzes da regi\u00e3o, do outro lado da montanha o majestoso\u00a0\u00a0 rio Zambeze, uma rocha que protege uma caverna onde ficavam os le\u00f5es espirituais e umas minas outrora abertas na montanha plana num raio de um quil\u00f4metro a oitocentos metros de largura onde extraiam ouro e cobre.<\/p>\n<p>O rei Le\u00e3o era o guardi\u00e3o daquelas terras do Zambeze de le\u00f5es espirituais e sempre que a comunidade quisesse chuva, prevenir ou curar epidemias \u201c\u00edamos falar com aquele esp\u00edrito que defendia.\u201d O Rei Le\u00e3o morreu.<\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n\t<div class=\"wp-playlist wp-video-playlist wp-playlist-light\">\n\t\t<video controls=\"controls\" preload=\"none\" width=\"9977\"\n\t\t height=\"5624\"\t><\/video>\n\t<div class=\"wp-playlist-next\"><\/div>\n\t<div class=\"wp-playlist-prev\"><\/div>\n\t<noscript>\n\t<ol>\n\t\t<li><a href='https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/pandakua-video.mp4'>Imagem: Esatacio Valoi Mphadakuwa<\/a><\/li>\t<\/ol>\n\t<\/noscript>\n\t<script type=\"application\/json\" class=\"wp-playlist-script\">{\"type\":\"video\",\"tracklist\":true,\"tracknumbers\":true,\"images\":true,\"artists\":true,\"tracks\":[{\"src\":\"https:\\\/\\\/cjimoz.org.mz\\\/news\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/11\\\/pandakua-video.mp4\",\"type\":\"video\\\/mp4\",\"title\":\"Imagem: Esatacio Valoi Mphadakuwa\",\"caption\":\"Imagem: Esatacio Valoi Mphadakuwa \",\"description\":\"Imagem: Esatacio Valoi Mphadakuwa \",\"meta\":{\"length_formatted\":\"1:23\"},\"dimensions\":{\"original\":{\"width\":848,\"height\":478},\"resized\":{\"width\":9977,\"height\":5624}},\"image\":{\"src\":\"https:\\\/\\\/cjimoz.org.mz\\\/news\\\/wp-includes\\\/images\\\/media\\\/video.svg\",\"width\":48,\"height\":64},\"thumb\":{\"src\":\"https:\\\/\\\/cjimoz.org.mz\\\/news\\\/wp-includes\\\/images\\\/media\\\/video.svg\",\"width\":48,\"height\":64}}]}<\/script>\n<\/div>\n\t\n<p>Enquanto as inten\u00e7\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o da barragem de Mphanda Nkuwa continuam as comunidades, essas\u00a0 n\u00e3o querem ver e muito menos ouvir sobre o \u201cmaldito projecto\u201d e, pedem prote\u00e7\u00e3o aos esp\u00edritos enquanto\u00a0 continuam \u00e0 espera de um novo rei -esp\u00edrito de le\u00e3o para os defender , proteger, n\u00e3o acreditam mais nas autoridades assim como\u00a0 esperavam a viatura de Ant\u00f3nio Patr\u00edcio que de longe , olhos postos\u00a0 na montanha da magia de noite viam por vezes\u00a0 luzes , sinais de ilumina\u00e7\u00e3o de uma viatura em marcha que nunca chega ao centro de\u00a0 Chococoma.\u00a0 Vicente, diz mais, andar de noite \u00e9 um pouco complicado com o risco de pela caminhada cruzar com fantasmas, duendes e que um curandeiro que era chamado Ximbango, proibia as pessoas de andar de noite, os teimosos \u2018levavam porrada.\u2019<\/p>\n<p>S\u00e3o comunidades, mais de 1400 fam\u00edlias quem tem como fonte sobreviv\u00eancia a cria\u00e7\u00e3o de gado, da agricultura e j\u00e1 tem o ouro \u201cna altura n\u00e3o sab\u00edamos que tinha ouro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O projeto Mphanda Nkuwa o Governo Mo\u00e7ambique rubricou um acordo de parceria para a constru\u00e7\u00e3o da Hidroel\u00e9trica de Mphanda Nkuwa avaliada em 4,6 milh\u00f5es de euros e ter\u00e1 na sua primeira fase capacidade de at\u00e9 1.500 megawatts e ser\u00e1 a segunda maior Barragem depois de Cahora Bassa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi entregue em maio 2023 a um consorcio liderado pela empresa \u00c9lectricit\u00e9 de France de que tamb\u00e9m faz parte as multinacionais Total Energies e Sumitomo Corporation. Os moradores da regi\u00e3o onde ser\u00e1 constru\u00edda a barragem de Mphanda dizem que est\u00e3o a ser impedidos de erguer infraestruturas privadas h\u00e1 mais de dez anos.<\/p>\n<p><strong>A constru\u00e7\u00e3o desta barragem tem sido alvo de den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e s\u00f3cio-ambientais. \u00a0Faz mais de 10 anos as comunidades continuam sendo privadas de construir suas infraestruturas privadas.<\/strong><\/p>\n<p>Os ambientalistas alertam tamb\u00e9m para o risco do deslocamento de comunidades inteiras, a destrui\u00e7\u00e3o dos meios de subsist\u00eancia de quem vive nos arredores do projeto e graves impactos ambientais nas esp\u00e9cies do rio Zambeze.<\/p>\n<p>Aqui, com ou sem o esp\u00edrito Le\u00e3o, a comunidade quer saber de constru\u00e7\u00e3o nenhuma de barragem e muito menos de reassentamento como o feito pela mineradora Jindal, j\u00e1 lhes basta, \u201cj\u00e1 temos nossos vizinhos, nossos irm\u00e3os que est\u00e3o a sofrer.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sem benef\u00edcio <\/strong><\/p>\n<p>A dita energia n\u00e3o ser\u00e1 para o benef\u00edcio daquelas comunidades que mesmo estando a 60 quil\u00f3metros da barragem de Cahora Bassa, n\u00e3o tem energia el\u00e9trica faz d\u00e9cadas, confessam-nos que ouviram dizer uma linha de fornecimento de energia, a semelhan\u00e7a de Cahora Bassa, vai cruzar suas aldeias para a \u00c1frica do Sul, Z\u00e2mbia. \u2018Se fizerem a barragem vai interromper o curso do rio.\u00a0 Aqui \u00e9 de Esp\u00edrito de Le\u00e3o.\u2019<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto se esperava pela prote\u00e7\u00e3o do\u00a0 Rei Le\u00e3o, ainda em Chococoma, do\u00a0 fundo, surgiam vultos cobertos de plumas negras , corpos acastanhados, reluzentes, banho de lama, missangas,\u00a0 cantavam a cada p\u00e9 sobre terra, a minha lente rodopiava Lima segredava-me, \u2018 S\u00e3o Nyeue\u201d vulgo Gurewankoro, dan\u00e7am cerim\u00f4nias, dias festivos no seu ritual antes da dan\u00e7a no cemit\u00e9rio evocam os esp\u00edritos dos mortos, po\u00e7\u00e3o a mistura a maioria parte das crian\u00e7as ou jovens\u00a0 n\u00e3o foram \u00e0 escola s\u00e3o instru\u00eddos para tal, dedicam a sua adolesc\u00eancia, juventude e, a escola fica para os outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para tr\u00e1s ficou Chococoma, saimos a estrada principal que vai a Barragem de Cahora bassa , j\u00e1 de tarde voltamos a entrar mas j\u00e1 de\u00a0 Cataxa, Chococoma, Chamimba, mais alem a entrada de Nhamatua reassentamento de Cassoca feito pela mineradora de carv\u00e3o\u00a0 Jindal, fomos subindo, descendo ravina as\u00a0 margens do rio\u00a0 Rio Zambeze, em Chi\u00fata, Luzinga, Chirodzi \u2013 Mphanda Nkuwa, j\u00e1 de tarde, num calor infernal, chegamos e, foi nesta ultima parte em que encontramos a anci\u00e3, Dodina Matchesso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De tanto calor, a socapa tento mergulhar no Zambeze, mas fico pela margem, afinal o rio n\u00e3o s\u00f3 de peixe esta carregado, mas tamb\u00e9m de crocodilos! Mergulho os p\u00e9s, queria sentir a \u00e1gua!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De noite na esteira deitado de costa de olhos fitos no c\u00e9u, a estrela encontrava o &#8220;V\u00e9nus&#8221; planeta da comunica\u00e7\u00e3o, cantava-me n\u00e3o mais a ladainha! o cantar do rio, uma paz completa, n\u00e3o havia ter\u00e7a, ou quarta feira, montes Mphanda Nkuwa dormia profundos quando de repetente a voz das comunidades tornou se ensurdecedora. \u201cO regime FRELIMO e os seus amigos Franceses-Banco, TOTAL querem levar nossa terra. Querem nos matar, mas, n\u00f3s n\u00e3o vamos sair.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim como a idade da Dodina que deve ter cerca de 80 anos, as rugas tamb\u00e9m foram guardadas pelo tempo, sentada com seus tr\u00eas netos na esteira em Chirodzi diz ela que na altura existia escola nenhuma e assim n\u00e3o pode aprender o B, A, BA!\u00a0 Nasceu, cresceu e casou -se naquela \u2018pr\u00edstina\u2019 com Francisco Morais, detentor gado bovino, caprino, terras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na margem do Zambeze, rio de \u00e1gua verdejante, cintilante, e tamb\u00e9m de Ouro continuamos, firme, quando os bois tentam entrar na sua Machamba, eis que ela de vara na m\u00e3o de quando em vez com umas pedradas poe as patas do gado em marcha<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na senda das suas perip\u00e9cias da vida, sempre viveu da natureza de Chirodzi onde produz vegetais, legumes, cebola, tomate, couve e outras verduras. Como diz Dodina, ali tem tudo, n\u00e3o quer a barragem. Nost\u00e1lgica viaja ao encontro do seu falecido marido, Morais ainda em vida!<\/p>\n<p>Contudo, Dodina as comunidades acreditam que os esp\u00edritos ainda residem naquelas terras e n\u00e3o baixam a guarda, perent\u00f3ria, calma diz \u2018estas terras s\u00e3o nossas. Vivemos desta natureza.\u201d Ganha for\u00e7a quando se lembra de Morais que enquanto vivo tamb\u00e9m p\u00f3s a correr funcion\u00e1rios que pretendiam construir Cahora Bassa. Quando aqui chegavam Morais exibia-lhes as suas grandes terras, planta\u00e7\u00f5es e questionava os como \u2018e que os estavam a pedir para deixar aquelas terras de abund\u00e2ncia para irem viver num lugar desconhecido! \u201cSinto muita tristeza, muita dor, n\u00e3o quero, n\u00e3o vou sair daqui, estou firme assim como o meu falecido marido estava.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Exactamente no mesmo local onde outrora quiseram construir a majest\u00e1tica barragem de Chora Bassa, mas os esp\u00edritos do Rei Le\u00e3o n\u00e3o deixaram.\u00a0 Tiveram que lagar tudo e sair em debandada. O rei Le\u00e3o evocava os espritos, n\u00e3o queriam sentir cheiro de algum de combust\u00edveis. Salienta \u2018as pessoas que queriam contruir Cahora Bassa aqui, durante o dia limpavam \u00e1rea, abatiam arvores, mas de noite as mesmas germinavam. acreditavam que eram os esp\u00edritos que semeavam essas arvores de um dia para o outro para preservar esta zona de Mphanda Nkuwa.\u201d Triste lembra-se que o Rei Le\u00e3o que tinha o dom\u00ednio dos esp\u00edritos morreu.\u201d<\/p>\n<p>Surpreendida quando ouvi dizer que na mesma zona mais uma vez pretendem construir uma barragem \u2018n\u00e3o sabe o que ira acontecer caso a barragem seja constru\u00edda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Chirodzi, parte consider\u00e1vel dos jovens deixou a pesca para se dedicar ao garimpo do ouro abundante naquelas terras. Alexandre, jovem de um metro e meio, cabe\u00e7a meio arredondada, cerca de vinte e sete anos, um dos filhos de Dodina como outros jovens andam todos de sorriso rasgado, o ouro! Alexandre, seus dentes frontais superiores, inferiores foram levados pelo tempo, apenas v\u00ea-se a gengiva. Euf\u00f3rico a mistura da Nipa-Bebida tradicional, mandava suas gargalhadas \u201cvendi ouro, cinco milh\u00f5es. Amanha volto la no ouro, pesca pode esperar.\u201d<\/p>\n<div style=\"width: 480px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-3342-1\" width=\"480\" height=\"864\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/VIDEO-ZAMBEZE-WhatsApp-Video-2024-09-30-at-10.39.09.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/VIDEO-ZAMBEZE-WhatsApp-Video-2024-09-30-at-10.39.09.mp4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/VIDEO-ZAMBEZE-WhatsApp-Video-2024-09-30-at-10.39.09.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>Nesta fase em qua a chuva n\u00e3o se faz sentir, para aquelas comunidades o ouro tornou-se na principal fonte de rendimento. Dodina tamb\u00e9m beneficia do Ouro.<\/p>\n<p>Entramos em Chi\u00fata- Luzsinga tamb\u00e9m ser\u00e1 afectada caso a barragem venha a ser constru\u00edda, foi onde encontramos Rui M\u00e1rio Galmoto, dos seus 60 anos, 8 filhos, 27 netos, ouviu falar da inten\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o da barragem desde 2000 ate hoje 2024<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A narrativa \u2018e a mesma \u201caqui a comunidade n\u00e3o quer ouvir falar da constru\u00e7\u00e3o da barragem.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto sentados, a parca sombra de um Imbondeiro tentava fintar o sol. Outra anci\u00e3 Paulina, de cerca dos seus 69 anos enfatiza, \u00a0&#8220;ser\u00e1 um sofrimento&#8221;, aponta o reassentamento feito pela JINDAL \u2018uma cat\u00e1strofe\u2019 perante o olhar do governo, membros da nomenclatura pol\u00edtica mo\u00e7ambicana preocupados com comiss\u00f5es, lucros f\u00e1ceis a troco de vidas humanas e as empresas fazem e desfazem a seu bel prazer. \u201cJINDAL la, tem muito ouro, n\u00e3o \u2018e s\u00f3 carv\u00e3o. N\u00e3o queremos a barragem de Mpandakua, queremos ficar aqui at\u00e9 nossos netos, nossas netas, at\u00e9 morrermos. Temos uma crise de fome. Mas atrav\u00e9s do ouro, as pessoas est\u00e3o tentando sobreviver. Aqui ainda estamos comendo de uma maneira boa, vivendo de uma maneira boa.\u2019<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m \u2018e garimpeira. Ao mesmo tempo convida-me para j\u00e1 na manha de Domingo juntos irmos ao garimpo do outro pr\u00f3ximo da sua comunidade, \u2018s\u00f3 atravessar o rio.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sem informa\u00e7\u00e3o\/Desinforma\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>Quer o governo assim como seus parceiros, nada dizem e quando o fazem mais confundem as comunidades que apenas veem \u201cmovimento estranho\u2019 s\u00e3o pessoas, barcos, motas de \u00e1gua que passam sobem em dire\u00e7\u00e3o a Cahora Bassa, descem \u201cSemana passada, antecedendo esta do dia 25 de Setembro passaram 4 motas, ontem dia 24 passaram 2, as quatro que subiram o rio em dire\u00e7\u00e3o a Cahora Bassa n\u00e3o voltaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Soubesse \u00a0Francisco \u00a0-Na margem do Zambeze, subimos uma rocha, entre o imbondeiro vimos marcos de GPS que sem conhecimento da popula\u00e7\u00e3o os que pretendem construir barragem foram colocando. SOBE foi pego de surpresa quando ia a sua machamba. Apenas ouviu os sons de uma m\u00e1quina, n\u00e3o sabia o que era. Quando la chegou percebeu que se trava de um berbequim que os homens que pretendem construir a barragem perfuravam a rocha para montar as coordenadas do GPS. Quanto Zito os questionou o que estavam a fazer, nada explicaram se n\u00e3o que \u2018vamos responder depois e tal resposta nunca foi dada.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com estes movimentos as comunidades questionam -se sobre o que esta a acontecer, ningu\u00e9m \u2018e informado sobre nada.<\/p>\n<p>Ainda na zona de Chamimba 2 encontramos Steven Azevedo Fernando, um empres\u00e1rio, mas que n\u00e3o sabe que \u2018e empres\u00e1rio. La no cume do monte, tem a sua casa, duas moageiras, um pequeno gerador, assiste os filmes, os campeonatos de futebol atrav\u00e9s da sua antena parab\u00f3lica branca montada numa esquina da sua casa, tem bois, la tamb\u00e9m tem ouro, corre \u00e1gua do rio Zambeze atrav\u00e9s dos seus bra\u00e7os e questiona para onde ser\u00e1 reassentando<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00f3s aqui temos muitas coisas . Machamba,<\/strong><\/p>\n<p>&#8216;Boi, horta, \u00c1gua, madeira, escolas melhoradas, ETC.\u201d Ali vivem cerca de mil fam\u00edlias. Nesta comunidade o governo e seus parceiros prometeram construir casas para reassentar estas pessoas, energia electrica, mas a comunidade n\u00e3o quer ser reassentada a apela para que as referidas infraestruturas sejam constru\u00eddas dentro das suas comunidades \u201cconstruam essas casas aqui onde estamos e n\u00e3o reassentamento. A Cahora Bassa est\u00e1 aqui perto, mas aqui n\u00f3s n\u00e3o temos energia.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2012 receberam senhas entregues pelo grupo Consultec, no encontro separam o grupo de mulheres e grupo de homens \u201cQue reuni\u00e3o, essa que separam as pessoas, queriam mentir para n\u00f3s. Ficaram com nossos contactos\u201d sair daqui como \u00e9 que vai ser com os bois! L\u00e1 no outro s\u00edtio, n\u00f3s vamos sofrer, tirarem daqui para me dar o s\u00edtio de l\u00e1, perto da estrada. E se talvez esse boi fosse batido com um carro, j\u00e1 ia \u00e9 quebrar para n\u00f3s est\u00e1 a ver isso. n\u00e3o queremos sair por causa disso, porque j\u00e1 vimos coisas, o grupo de reassentamento de Cassoca est\u00e1 a sofrer caso de \u00e1gua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Xirimba o mesmo grupo prometeu construir um estac\u00e3o alto voltaicos \u2018pain\u00e9is solares aqui\u201d?! Silva um dos residentes local questionou-lhes sobre que tipo de energia quando tem Chora Bassa! \u2018N\u00e3o faz sentido\u201d. As comunidades teriam que contribuir para a constru\u00e7\u00e3o da estac\u00e3o, \u201carranjar dinheiro para comprar cabos para ligar dos pain\u00e9is solares ate as nossas resid\u00eancias!\u201d De 2012, depois da tal discuss\u00e3o, a referida equipa nunca mais la p\u00f3s os p\u00e9s!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A semelhan\u00e7a de Moatize, aqui deste lado, tamb\u00e9m a terra escassa para o reassentamento. A nossa reportagem soube que pessoas da nomenclatura pol\u00edtica mo\u00e7ambicana adquiriram grandes extens\u00f5es de terra para depois negociar com as multinacionais. No reassentamento feito pela JINDAL, quando o porto seco da mineradora esta com muito carv\u00e3o a espera de ser exportado, param com a produ\u00e7\u00e3o, a comunidade fica sem \u00e1gua durante tr\u00eas ou mais dias ate exportarem \u201cPorque n\u00e3o est\u00e3o a produzir fecham a agua, mesmos tubos que tamb\u00e9m canalizam agua para o centro de reassentamento\u201d assim como o gado das pessoas vai sucumbindo transformando -se numas autenticas carca\u00e7as, bebem \u00e1gua das casas de banho reciclada, comem capim infectado pelos qu\u00edmicos. \u201cNingu\u00e9m resolve nada! Podemos tamb\u00e9m vir passar o mesmo como as comunidades reassentadas pela Jindal.\u201d Enfatizou Silva Sadiel Domingos Semblano acrescenta que cerca de 45% das pessoas abandonaram, venderam as casas, cada uma ao pre\u00e7o de 150 mil meticais. \u201cN\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para viver!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na mesma narrativa, Itino Lucas Suague Ruquia, 27 anos pai de dois filhos um casal, rapaz de 5 e uma menina de 2 anos enquanto a chuva n\u00e3o cai, o garimpo do ouro tornou-se numa das principais fontes de subsist\u00eancia \u201cdo ouro, vendo para conseguir sustentar a minha fam\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto o rei Le\u00e3o n\u00e3o retorna, as comunidades v\u00e3o lutando como podem, mas a verdade \u2018e uma, n\u00e3o querem barragem por aquelas terras. Sem saber para onde v\u00e3o, que condi\u00e7\u00f5es existem, as comunidades s\u00e3o unanimes. \u201cN\u00e3o vamos abandonar essas terras.\u201d<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3345\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/pandakua-.png\" alt=\"Mpandakua\/TETE\" width=\"1600\" height=\"1200\" \/><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Por Estacio Valoi &nbsp; Segunda feira, 24 de Setembro pelo retrovisor deix\u00e1vamos para tr\u00e1s a cidade de Tete envolta numa vaga de calor, uma baforada de ar que entorpecia a garganta assim que baix\u00e1ssemos os vidros da viatura em que tr\u00eas pessoas da equipa viajamos a Mphanda Nkuwa la nas margens do rio Zambeze. 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