{"id":3610,"date":"2026-06-15T05:00:48","date_gmt":"2026-06-15T03:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/?p=3610"},"modified":"2026-06-14T12:07:38","modified_gmt":"2026-06-14T10:07:38","slug":"o-modelo-por-tras-da-extracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/en\/o-modelo-por-tras-da-extracao\/","title":{"rendered":"O Modelo por Tr\u00e1s da Extra\u00e7\u00e3o-Vilankulo"},"content":{"rendered":"<h3><strong><em>Por Estacio Valoi e Lu\u00eds Nhachote (CJI \u2014 Parte 3)<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que est\u00e1 a acontecer em Vilankulo n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. \u00c9 a express\u00e3o local de um modelo econ\u00f3mico mais amplo \u2014 repetido ao longo de d\u00e9cadas em diferentes regi\u00f5es de Mo\u00e7ambique \u2014 assente na concess\u00e3o de recursos naturais a investidores externos, com promessa de desenvolvimento r\u00e1pido e transforma\u00e7\u00e3o estrutural do territ\u00f3rio que termina sem beneficio, \u00a0e quem det\u00e9m o controle s\u00e3o as multinacionais com os sempre 75%! Casa entregue, vendida a pre\u00e7o de banana em beneficio de poucos!<\/p>\n<div id=\"attachment_3612\" style=\"width: 2570px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3612\" class=\"size-full wp-image-3612\" src=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9707-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1707\" \/><p id=\"caption-attachment-3612\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Estacio Valoi\/Vilankulo<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre nepotismo, alegada corrup\u00e7\u00e3o, uma mineradora apadrinhada pelo governo do dia, sem licen\u00e7a ambiental, pr\u00e9-requisito para come\u00e7ar de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o mo\u00e7ambicana, e uma AIA \u00e9 necess\u00e1ria para garantir essa licen\u00e7a, viola\u00e7\u00e3o dos direitos comunit\u00e1rios, trabalhadores, sem consultas comunit\u00e1rias ou quando existem, sem participa\u00e7\u00e3o publica, Vilankulo Inhambane continuava\u00a0 a avan\u00e7ar numa explora\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica\u00a0 faz tr\u00eas anos, com aval final o lan\u00e7amento da cidade petroqu\u00edmica em 2025 \u00a0pelo atual presidente mo\u00e7ambicano Daniel Chapo.\u00a0 \u201cHaiyu\u2026. est\u00e1 tudo debaixo da mesma corpora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A empresa-m\u00e3e poderia ser a Great Wall Mining Development Co (AGWMDC), uma empresa mineira chinesa que extrai areias pesadas (ilmenita, rutilo e zirc\u00e3o). <a href=\"https:\/\/www.cipmoz.org\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Extractivism-which-destroys.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cipmoz.org\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Extractivism-which-destroys.pdf<\/a><\/p>\n<p>Areias pesadas de Mo\u00e7ambique, ricas em minerais densos como ilmenite, r\u00fatilo e zirc\u00e3o, s\u00e3o exploradas para extrair tit\u00e2nio e zirc\u00f3nio, materiais essenciais em ind\u00fastrias tecnol\u00f3gicas, aeron\u00e1utica, pigmentos, tintas e cer\u00e2micas. Tamb\u00e9m s\u00e3o cruciais na constru\u00e7\u00e3o civil para concreto de alta resist\u00eancia, para fabrica\u00e7\u00e3o de tintas, pl\u00e1sticos, pap\u00e9is, e componentes cer\u00e2micos;\u00a0 e Metalurgia: Produ\u00e7\u00e3o de metais de alta resist\u00eancia, como tit\u00e2nio: Essencial para concretos estruturais, lajes, pavimentos, drenagem e fabrica\u00e7\u00e3o de tijolos refrat\u00e1rio, s\u00e3o principalmente exportadas para grandes mercados consumidores, \u00c1sia (principalmente China), Europa e Estados Unidos segundo dados de monitoria da ind\u00fastria extrativa<strong>, <\/strong>atualmente concentrada em zonas como Nampula, na Zamb\u00e9zia, Chibuto (Gaza), envolve empresas chinesas, sendo transportado frequentemente atrav\u00e9s do Porto de Maputo.<\/p>\n<div style=\"width: 1280px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-3610-1\" width=\"1280\" height=\"720\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/heli-final.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/heli-final.mp4\">https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/heli-final.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>Veja o video:<\/p>\n<p><strong>A r\u00e1pida expans\u00e3o do grupo Haiyu em Mo\u00e7ambique<\/strong><\/p>\n<p>De 2019 a 2025: Em menos de seis anos, o grupo Haiyu, maioritariamente de capitais que se creem chineses, estabeleceu uma rede de empresas mineiras em Mo\u00e7ambique, distribu\u00eddas entre as prov\u00edncias de Nampula e Inhambane. Documentos comerciais obtidos e analisados ao longo desta investiga\u00e7\u00e3o revelam um padr\u00e3o consistente: m\u00faltiplas subsidi\u00e1rias, estruturas societ\u00e1rias quase id\u00eanticas e um controle centralizado a partir de entidades estrangeiras. A an\u00e1lise do CJI baseia-se em 17 certid\u00f5es comerciais, altera\u00e7\u00f5es estatut\u00e1rias e registos administrativos, permitindo reconstruir o percurso do grupo desde a sua entrada no pa\u00eds, em 2019, at\u00e9 \u00e0 recente reorganiza\u00e7\u00e3o em 2025.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o geogr\u00e1fica das opera\u00e7\u00f5es do grupo Haiyu em Mo\u00e7ambique coincide com \u00e1reas onde o atual Presidente, Daniel Chapo, exerceu anteriormente fun\u00e7\u00f5es administrativas. Chapo foi administrador distrital em Nacala-a-Velha (2009) e Palma (2015), antes de ser nomeado Governador da Prov\u00edncia de Inhambane em 2016, cargo que ocupou at\u00e9 \u00e0 sua candidatura presidencial em 2024. Algumas das zonas onde o grupo estabeleceu opera\u00e7\u00f5es mineiras situam-se nessas mesmas regi\u00f5es ou em \u00e1reas sob sua anterior jurisdi\u00e7\u00e3o administrativa. N\u00e3o h\u00e1, at\u00e9 ao momento, uma evid\u00eancia p\u00fablica que estabele\u00e7a uma liga\u00e7\u00e3o direta entre o governante e as opera\u00e7\u00f5es do grupo. No entanto, a sobreposi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica levanta quest\u00f5es relevantes sobre o contexto institucional em que essas concess\u00f5es foram atribu\u00eddas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><u>Uma expans\u00e3o r\u00e1pida e estruturada<\/u><\/strong><\/p>\n<p>Os primeiros registos do grupo Haiyu em Mo\u00e7ambique surgem em 2019, com a constitui\u00e7\u00e3o das suas primeiras sociedades ligadas \u00e0 atividade mineira. Desde ent\u00e3o, o n\u00famero de empresas associadas ao grupo aumentou de forma progressiva, acompanhando uma estrat\u00e9gia de expans\u00e3o territorial.<\/p>\n<p>As sociedades identificadas concentram-se principalmente em duas regi\u00f5es: em <strong>Nampula<\/strong>, com v\u00e1rias entidades sob designa\u00e7\u00f5es semelhantes e <strong>Vilankulo (Inhambane)<\/strong>, onde o grupo tamb\u00e9m estabeleceu presen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Entre as empresas analisadas est\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>Haiyu (Mozambique) Mining Nampula I, II, III<\/p>\n<p>Haiyu (Mozambique) Mining Nampula X, SU, Lda<\/p>\n<p>Haiyu (MZ) Mining \u2013 Vilankulo<\/p>\n<p>Haiyu Vilankulo Mining Co., Lda<\/p>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o de nomes e estruturas sugere uma l\u00f3gica de replica\u00e7\u00e3o operacional, frequentemente observada em grupos com atividades extrativas em m\u00faltiplas concess\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_3590\" style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3590\" class=\"size-full wp-image-3590\" src=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/a1.jpeg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"1280\" \/><p id=\"caption-attachment-3590\" class=\"wp-caption-text\">A holding<\/p><\/div>\n<p><strong><u>Um modelo que se repete<\/u><\/strong><\/p>\n<p>Os documentos analisados milimetricamente pelo CJI indicam que as diferentes empresas seguem um modelo societ\u00e1rio praticamente id\u00eantico. Em geral, a estrutura de capital \u00e9 composta por: i)Uma entidade maiorit\u00e1ria com cerca de <strong>90% de participa\u00e7\u00e3o<\/strong>, ligada \u00e0 empresa chinesa <strong>Hainan Haiyu Mining Co., Ltd e <\/strong>ii)Uma participa\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria de cerca de <strong>10%<\/strong>, associada a entidades registadas em Hong Kong.<\/p>\n<p>Este modelo repete-se em v\u00e1rias sociedades, sugerindo uma organiza\u00e7\u00e3o centralizada, apesar da multiplicidade de empresas formalmente distintas. Segundo os registos, o controlo efetivo das opera\u00e7\u00f5es permanece concentrado na entidade chinesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><u>Os mesmos nomes, v\u00e1rias empresas<\/u><\/strong><\/p>\n<p>Outro padr\u00e3o identificado \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o de administradores nas diferentes sociedades. Entre os nomes que surgem com frequ\u00eancia est\u00e3o: Hefeng Dong, Juyi Li, Li Zhou e Zhou Li<\/p>\n<p>A presen\u00e7a recorrente dos mesmos administradores em v\u00e1rias empresas pode indicar coordena\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e centraliza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><u>Mudan\u00e7as recentes e reorganiza\u00e7\u00e3o<\/u><\/strong><\/p>\n<p>A partir de 2024, os documentos apontam para altera\u00e7\u00f5es relevantes na estrutura do grupo em Mo\u00e7ambique. Entre as mudan\u00e7as identificadas est\u00e3o: Aumentos de capital social, Altera\u00e7\u00f5es estatut\u00e1rias e a Cria\u00e7\u00e3o de novas entidades, incluindo uma sociedade unipessoal. \u00a0Em 2025, esta evolu\u00e7\u00e3o culmina numa aparente reorganiza\u00e7\u00e3o do grupo, com a introdu\u00e7\u00e3o de novas configura\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas.<\/p>\n<p>Segundo a an\u00e1lise documental, estas altera\u00e7\u00f5es podem estar associadas a reestrutura\u00e7\u00e3o interna, adapta\u00e7\u00e3o a novas concess\u00f5es e segmenta\u00e7\u00e3o de ativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 364px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-3610-2\" width=\"364\" height=\"640\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Video-feito-do-Helicoptero-zona-de-exploracao-da-HM-6-2.mp4?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Video-feito-do-Helicoptero-zona-de-exploracao-da-HM-6-2.mp4\">https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Video-feito-do-Helicoptero-zona-de-exploracao-da-HM-6-2.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p><strong><u>Expans\u00e3o geogr\u00e1fica e recursos<\/u><\/strong><\/p>\n<p>A presen\u00e7a simult\u00e2nea em Nampula e Vilankulo sugere uma estrat\u00e9gia orientada para zonas costeiras com potencial mineral. Embora os documentos comerciais n\u00e3o detalham diretamente as concess\u00f5es associadas a cada empresa, a distribui\u00e7\u00e3o territorial e a cria\u00e7\u00e3o sequencial de sociedades indicam uma poss\u00edvel liga\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de recursos espec\u00edficos.<\/p>\n<p><strong><u>Padr\u00f5es que levantam quest\u00f5es<\/u><\/strong><\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos registos n\u00e3o revela, por si s\u00f3, qualquer ilegalidade documental. No entanto, v\u00e1rios elementos justificam um escrut\u00ednio mais aprofundado: Cria\u00e7\u00e3o sequencial de m\u00faltiplas empresas com estruturas id\u00eanticas; Concentra\u00e7\u00e3o de controlo em entidades estrangeiras; repeti\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de administradores e a utiliza\u00e7\u00e3o de entidades intermedi\u00e1rias registadas em Hong Kong<br \/>\nEstes padr\u00f5es s\u00e3o consistentes com estruturas empresariais complexas utilizadas em opera\u00e7\u00f5es internacionais, particularmente em setores de elevado valor econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>No centro de tudo isto est\u00e1 uma quest\u00e3o raramente colocada de forma direta: quem decide o destino destes territ\u00f3rios? Projetos desta escala n\u00e3o s\u00e3o definidos ao n\u00edvel local. Resultam de negocia\u00e7\u00f5es entre Estado, investidores e estruturas t\u00e9cnicas, muitas vezes distantes das comunidades que ir\u00e3o viver com as consequ\u00eancias. Quando a informa\u00e7\u00e3o chega ao terreno, o essencial j\u00e1 est\u00e1 decidido. O espa\u00e7o para participa\u00e7\u00e3o torna-se limitado \u2014 e, por vezes, meramente formal.<\/p>\n<p>Vilankulo torna-se, assim, um ponto de converg\u00eancia de v\u00e1rias tens\u00f5es: entre curto e longo prazo, entre crescimento econ\u00f3mico e sustentabilidade, entre interesse nacional e impacto local, entre promessa e realidade.<\/p>\n<p>A costa de Inhambane encontra-se hoje numa encruzilhada. Pode consolidar um modelo baseado na conserva\u00e7\u00e3o e no turismo, integrar-se plenamente numa economia extrativa global ou tentar conciliar ambos \u2014 uma tarefa que, na pr\u00e1tica, tem demonstrado ser profundamente dif\u00edcil quando os interesses entram em choque direto.<\/p>\n<p>A minera\u00e7\u00e3o de areias pesadas encaixa perfeitamente nesse padr\u00e3o. Concess\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o, forte presen\u00e7a de capital estrangeiro, exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima com reduzida transforma\u00e7\u00e3o local e benef\u00edcios concentrados fora das comunidades diretamente afetadas. O discurso que acompanha estes projetos \u00e9 conhecido: cria\u00e7\u00e3o de emprego, dinamiza\u00e7\u00e3o da economia local, aumento de receitas para o Estado. Mas a quest\u00e3o central n\u00e3o \u00e9 o que \u00e9 prometido. \u00c9 o que permanece depois.<\/p>\n<p>No terreno, os primeiros efeitos s\u00e3o vis\u00edveis. A minera\u00e7\u00e3o aparentemente gera emprego prometido, sobretudo numa fase inicial, absorvendo m\u00e3o-de-obra local num contexto de escassez de oportunidades. Para muitos jovens, trata-se da \u00fanica alternativa imediata de rendimento. Mas esse efeito tem prazo. \u00c0 medida que o projeto avan\u00e7a, a mecaniza\u00e7\u00e3o tende a aumentar, a necessidade de trabalho manual diminui e os postos mais qualificados s\u00e3o frequentemente ocupados por t\u00e9cnicos externos. O ciclo repete-se: emprego r\u00e1pido, seguido de redu\u00e7\u00e3o progressiva e concentra\u00e7\u00e3o de valor fora da comunidade.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, come\u00e7am a desenhar-se infraestruturas que ultrapassam a escala da extra\u00e7\u00e3o local. Planos de portos, estradas e corredores log\u00edsticos surgem como extens\u00f5es naturais do projeto mineiro. Mesmo quando permanecem no plano conceptual, revelam a verdadeira dimens\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o: n\u00e3o se trata apenas de retirar areia, mas de integrar a costa numa cadeia global de exporta\u00e7\u00e3o de recursos. A paisagem deixa de ser definida pela sua voca\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica ou tur\u00edstica e passa a ser organizada em fun\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia log\u00edstica.<\/p>\n<p>Este processo levanta uma quest\u00e3o estrutural: que parte da riqueza gerada permanece no pa\u00eds \u2014 e, sobretudo, nas comunidades diretamente afetadas? A experi\u00eancia acumulada em diferentes contextos sugere um padr\u00e3o consistente. A maior parte do valor \u00e9 capturada fora \u2014 na transforma\u00e7\u00e3o industrial, nas cadeias de distribui\u00e7\u00e3o e nos mercados internacionais. Localmente, permanecem empregos limitados, receitas fiscais frequentemente reduzidas por incentivos e isen\u00e7\u00f5es, e uma press\u00e3o ambiental e social concentrada.<\/p>\n<p><strong>O problema n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f3mico. \u00c9 de distribui\u00e7\u00e3o. \u00c9 de modelo!<\/strong><\/p>\n<p>Antes da expans\u00e3o de projetos extrativos de grande escala, outras possibilidades foram discutidas para a costa de Inhambane. Modelos baseados na conserva\u00e7\u00e3o ambiental, no turismo sustent\u00e1vel, na chamada economia azul a qual o governo ainda este m\u00eas de maio de 2026 apareceu a defender, e at\u00e9 com \u00a0mecanismos internacionais de financiamento ligados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de ecossistemas. Essas alternativas partiam de uma l\u00f3gica diferente: valorizar o territ\u00f3rio ao longo do tempo, mantendo o capital natural como ativo estrat\u00e9gico. A op\u00e7\u00e3o pela via extrativa representa uma mudan\u00e7a profunda \u2014 substitui um modelo de rendimento gradual por um modelo de explora\u00e7\u00e3o intensiva e acelerada.<\/p>\n<p>Para as comunidades locais, essa transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 te\u00f3rica. \u00c9 vivida no quotidiano. Por um lado, h\u00e1 expectativa: emprego, circula\u00e7\u00e3o de dinheiro, promessa de desenvolvimento. Por outro, cresce a incerteza: perda de acesso \u00e0 terra, transforma\u00e7\u00e3o dos modos de vida, degrada\u00e7\u00e3o ambiental e aus\u00eancia de garantias claras sobre o futuro. A velocidade da mudan\u00e7a \u00e9 frequentemente superior \u00e0 capacidade de adapta\u00e7\u00e3o social e institucional.<\/p>\n<p><strong>A semelhan\u00e7a deste como acontece nos outros projetos envolvendo multinacionais, consultores s\u00e3o pagos para a aprovar e as comunidades ficam a ver navios<\/strong><\/p>\n<p>De nossas fontes locais e documentos \u201cO Minist\u00e9rio do Ambiente rejeitou esse projeto. Tem os documentos que foram submetidos pela mineradora: o Plano de Gest\u00e3o Ambiental deles, o Relat\u00f3rio do Estudo de Impacto Ambiental e tudo isso foi rejeitado pelo Minist\u00e9rio do Ambiente. E para rejeitarem isso, eles usaram muito este relat\u00f3rio que \u00e9 a an\u00e1lise de potencial impacto ambiental. Ent\u00e3o isso, em 2019\/2020, foi reprovado.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os atropelos foram continuando e uma das organiza\u00e7\u00f5es locais fazendo alus\u00e3o ao relat\u00f3rio que chumbou o projeto da mineradora: \u201cH\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica nesse relat\u00f3rio do porqu\u00ea que isso tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser feito. Quando o relat\u00f3rio foi submetido, todo mundo identificou foi empregue dentro do Minist\u00e9rio, n\u00e3o foi publicado em nenhuma parte, foi usado para avalia\u00e7\u00e3o interna da equipe do Minist\u00e9rio do Ambiente. O relat\u00f3rio identifica que n\u00f3s tamb\u00e9m fizemos tudo, estudos aqui dos recifes, porque o que se est\u00e1 a tentar mostrar \u00e9 a import\u00e2ncia desse ecossistema.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_3589\" style=\"width: 1610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3589\" class=\"size-full wp-image-3589\" src=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Zona-Lagoa-onde-se-pretende-construir-o-porto.jpeg\" alt=\"hoto: Estacio Valoi\/Zona 'Lagon' where the company intends to construct the port\" width=\"1600\" height=\"1200\" \/><p id=\"caption-attachment-3589\" class=\"wp-caption-text\">Fhoto: Estacio Valoi\/Zona &#8216;Lagon&#8217; where the company intends to construct the port<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A reclama\u00e7\u00f5es sobre a constru\u00e7\u00e3o do porto \u00e1 explora\u00e7\u00e3o de \u00e1reas pesadas<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Segundo Gabureza em Vilanculos houve\u00a0 reclama\u00e7\u00f5es que at\u00e9 envolveram ainda o administrador para resolu\u00e7\u00e3o, \u00a0mas, \u00a0\u201clogo depois do lan\u00e7amento daquele projeto (cidade petroqu\u00edmica),\u00a0 ali com o Presidente da Rep\u00fablica, s\u00f3 vimos os chineses a admitir o pessoal, e neste momento, est\u00e1 semana mesmo (15 de fevereiro 2026) eles est\u00e3o a admitir em massa, muitas tentativas de consulta por parte da empresa a comunidade, empresariado, operadores tur\u00edsticos, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil ambientais assim como outros consultados sobre onde podem construir e \u00a0a resposta foi simples. N\u00e3o queremos a constru\u00e7\u00e3o do porto aqui.\u201d<\/p>\n<p>E acrescenta que: \u201cAqui em termos da comunidade, os chefes de c\u00edrculo \u00e9 que v\u00e3o e t\u00eam encontros com chefes do posto administrativo, distritos, e est\u00e3o a receber instru\u00e7\u00f5es. E h\u00e1 uma zona a\u00ed que eles chamam de plan\u00edcie, e o que me faz desconfiar \u00e9 que seja aquela zona dos mangais que chamam de plan\u00edcie de estu\u00e1rio, desconfio que seja o tal lugar que projetam para o Porto. E as comunidades t\u00eam recebido informa\u00e7\u00f5es de que ali ningu\u00e9m faz nada ou plantar porque vai-se fazer ali uma \u00e1rea residencial. Um plano residencial no mangal! N\u00e3o faz sentido! Eu acho que seja o plano para manter as pessoas afastadas. E depois dizem \u201cPorque aqui tem uma antiga estrada, mais pr\u00f3ximo da costa, que liga Massinga e Vilanculo,\u201d onde antes da guerra dos 16 anos era suposto ser a estrada principal, e quando come\u00e7ou a guerra foi abandonada, mas agora est\u00e3o a falar de reativar e reabrir essa estrada para haver um acesso direto daqui para o aeroporto, para estes empres\u00e1rios. Tamb\u00e9m houve encontros sobre criar nesta zona das minas, do mangal um aer\u00f3dromo, s\u00e3o essas conversas que est\u00e3o a chegar aos l\u00edderes locais v\u00eam dos encontros a n\u00edvel distrital. \u201cDisse\u00a0 Gabureza<\/p>\n<p><strong>Malagueta Jesus reconfirma que a empresa sem licen\u00e7a Ambiental v\u00eam desenvolvendo suas atividades a tr\u00eas anos. <\/strong>\u201cTem equipamento ilustre, viaturas mesmo antes de terem sido concedidos a explora\u00e7\u00e3o, eles j\u00e1 tiravam o min\u00e9rio duma forma clandestina, e a nossa costa est\u00e1 mal guarnecida. Voc\u00ea fica com 60% ou 70% porque voc\u00ea \u00e9 quem vai operar, eu fico com 40% no gabinete. No fim do dia n\u00e3o se sabe qual \u00e9 a quantidade que o teu s\u00f3cio est\u00e1 a tirar. Quer dizer, ele vai tirar aquilo que lhe conv\u00e9m. Aquelas dunas s\u00e3o importantes para o ecossistema.\u201d<\/p>\n<p><strong>Umas das organiza\u00e7\u00f5es locais com quem conversamos salienta que existem alternativas para elem dos supostos d\u00f3lares do Haiyu que v\u00e3o deixar Mo\u00e7ambique cheio de crateras em quil\u00f3metros de dimens\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA impress\u00e3o que nos d\u00e1 \u00e9 que a mineradora tem encontros ao mais alto n\u00edvel governamental, mandam instru\u00e7\u00f5es aos lideres dos distritos, l\u00edderes e seus c\u00edrculos, v\u00ea-se que n\u00e3o t\u00eam no\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o disto. S\u00f3 dizem: \u201cEp\u00e1, vai haver uma estrada, vai haver isto.\u201d \u00a0Est\u00e3o a empregar pessoas, mas \u00e9 trabalho modo escravatura: trabalha sem parar, carrega pedras, carrega as m\u00e1quinas, desenterram sacos, e se n\u00e3o quiser trabalhar h\u00e1 um outro. E \u00e9 para jovens. E neste momento os jovens est\u00e3o a lutar entre eles, em desespero. Como n\u00e3o h\u00e1 emprego, aquelas migalhas s\u00e3o muito. Ent\u00e3o, todo mundo est\u00e1 a ver isso como uma salva\u00e7\u00e3o, mas ningu\u00e9m sabe que h\u00e1 uma alternativa na mesa. Primeiro houve a alternativa do Debt-for-Nature Swap, que s\u00e3o esquemas financeiros, em que um pa\u00eds troca sua d\u00edvida externa por um investimento grande para proteger ecossistemas cr\u00edticos de import\u00e2ncia global. Ent\u00e3o, este tro\u00e7o da costa de Inhambane, est\u00e1 reconhecido internacionalmente como um peda\u00e7o de paisagem marinha e costeira \u00fanica.<\/p>\n<p>E acrescenta que h\u00e1 dois anos atr\u00e1s ou ano e meio houve uma proposta do Debt-for-Nature Swap \u2013 aquele que est\u00e1 a trabalhar no Equador a proteger as Gal\u00e1pagos \u2013 que apresentou ao governo: \u201cVamos perdoar a d\u00edvida externa em cerca de 700 milh\u00f5es de d\u00f3lares, e voc\u00eas ainda recebem cento e tal milh\u00f5es de d\u00f3lares em Endowment Fund para implementar nesta \u00e1rea, programas.\u201d Quer dizer, investir no pr\u00f3prio governo, investir nas organiza\u00e7\u00f5es que trabalham com as pr\u00f3prias comunidades. Enfatizou a fonte<\/p>\n<p><strong>&#8220;O governo\u2019 n\u00e3o quer alternativas<\/strong>!&#8221;<\/p>\n<p>\u201cSim, porque aquele esquema n\u00e3o implica dinheiro nos bolsos, mas implica dinheiro no Estado e a Endowment Fund, continuaria a financiar desde que continuasse a proteger o desenvolvimento de neg\u00f3cios comunit\u00e1rio mas com a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos. O medo que isto d\u00e1, faz de certo modo, lembra um pouco Cabo Delgado, temos muitos jovens sem grandes alternativas, desesperados! Agora no in\u00edcio \u00e9 f\u00e1cil contratar as pessoas locais para abrir estradas, pequenas obras, carregar sacos! Mas quando come\u00e7arem as oportunidades, mesmo de fornecer servi\u00e7os, de contratar t\u00e9cnicos capacitados, quase todo mundo h\u00e1 de vir da China. E, se forem nacionais, talvez venham de Maputo, n\u00e3o \u00e9. E essas pessoas provavelmente ter\u00e3o que ser desalojadas de onde est\u00e3o. Sim, est\u00e3o a favor disto porque n\u00e3o temos outra maneira de fazer a vida, isto para do desastre ambiental, porque aqui temos sistemas de recife \u00fanicos, rotas de esp\u00e9cies \u00fanicas, as pessoas vivem da pesca.<\/p>\n<p><strong>\u201cO que se passa agora?&#8230;Aqui ningu\u00e9m vive da SASOL.\u201d<\/strong> \u00a0<a href=\"https:\/\/moz24h.co.mz\/vilanculos-em-polvorosa-diga-nao-ensaio-sismico-proteger-bazaruto-da-cnooc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/moz24h.co.mz\/vilanculos-em-polvorosa-diga-nao-ensaio-sismico-proteger-bazaruto-da-cnooc\/<\/a> Em Vilankulo retalha-se quase tudo, querem tudo, do subsolo at\u00e9 o que esta no fundo do mar!<\/p>\n<p><strong>Inhambane em risco de desaparecer \u201cN\u00e3o queremos pesquisas s\u00edsmicas&#8230;\u201d<\/strong><\/p>\n<div style=\"width: 624px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-3610-3\" width=\"624\" height=\"352\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/NAO-EM-VILANCULO.mp4?_=3\" \/><a href=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/NAO-EM-VILANCULO.mp4\">https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/NAO-EM-VILANCULO.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p><strong>Veja o v\u00eddeo: Gabriel Cossa membro da comunidade\/Empresario\/Vilanculo<\/strong><\/p>\n<p>Mais do que uma escolha econ\u00f3mica, trata-se de uma escolha sobre o tipo de desenvolvimento que o pa\u00eds pretende seguir. Um caminho que privilegia a extra\u00e7\u00e3o intensiva pode gerar ganhos r\u00e1pidos, mas coloca em risco os pr\u00f3prios sistemas naturais que sustentam outras formas de riqueza. Um caminho baseado na conserva\u00e7\u00e3o exige mais tempo, mais coordena\u00e7\u00e3o e mais paci\u00eancia \u2014 mas tende a preservar o valor ao longo das gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O caso das areias pesadas em Inhambane exp\u00f5e essa tens\u00e3o de forma particularmente clara. <strong>No fim, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas quem ganha hoje. \u00c9 quem continuar\u00e1 a ganhar amanh\u00e3 \u2014 e a que custo?<\/strong> Porque, quando a areia for retirada, quando os ecossistemas estiverem alterados e quando o ciclo extrativo terminar, restar\u00e1 uma pergunta inevit\u00e1vel: <strong>O que ficou \u2014 e para quem?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Estacio Valoi e Lu\u00eds Nhachote (CJI \u2014 Parte 3) &nbsp; &nbsp; O que est\u00e1 a acontecer em Vilankulo n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. \u00c9 a express\u00e3o local de um modelo econ\u00f3mico mais amplo \u2014 repetido ao longo de d\u00e9cadas em diferentes regi\u00f5es de Mo\u00e7ambique \u2014 assente na concess\u00e3o de recursos naturais a investidores externos, [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":3611,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-scaled.jpg",2560,1707,false],"landscape":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-scaled.jpg",2560,1707,false],"portraits":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-scaled.jpg",2560,1707,false],"thumbnail":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-250x167.jpg",150,100,true],"medium":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-400x267.jpg",300,200,true],"large":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-650x433.jpg",650,433,true],"1536x1536":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-1536x1024.jpg",1536,1024,true],"2048x2048":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-2048x1365.jpg",2048,1365,true],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-18x12.jpg",18,12,true],"post-thumbnail":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-150x100.jpg",150,100,true],"retina2x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-800x533.jpg",800,533,true],"retina3x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-1200x800.jpg",1200,800,true],"retina4x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-1600x1067.jpg",1600,1067,true],"retina5x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-2000x1333.jpg",2000,1333,true],"retina6x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_9665-2400x1600.jpg",2400,1600,true]},"rttpg_author":{"display_name":"Reda\u00e7\u00e3o CJIMOZ","author_link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/en\/author\/hcuambe\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/en\/category\/uncategorized\/\" rel=\"category tag\">Crime Organizado<\/a>","rttpg_excerpt":"Por Estacio Valoi e Lu\u00eds Nhachote (CJI \u2014 Parte 3) &nbsp; 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