{"id":2060,"date":"2018-05-23T09:08:21","date_gmt":"2018-05-23T09:08:21","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org\/news\/?p=2060"},"modified":"2018-05-23T09:16:28","modified_gmt":"2018-05-23T09:16:28","slug":"disputa-de-terra-das-zonas-fronteiricas-do-kruger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/disputa-de-terra-das-zonas-fronteiricas-do-kruger\/","title":{"rendered":"Disputa de terra das zonas Fronteiri\u00e7as do Kruger"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0Ser\u00e3o as reservas ecol\u00f3gicas solu\u00e7\u00e3o para a ca\u00e7a furtiva?<\/strong><\/p>\n<p>Estacio Valoi<\/p>\n<p>06 Abril, 2018<\/p>\n<p><strong>\u00a0Uma zona de protec\u00e7\u00e3o ao longo da fronteira do Parque Nacional do Kruger tem como alvos os ca\u00e7adores furtivos. As popula\u00e7\u00f5es desalojadas denunciam a usurpa\u00e7\u00e3o da terra por parte de estrangeiros ricos, em parceria com l\u00edderes pol\u00edticos corruptos.<\/strong><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2062\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/borderlands-foto-1-400x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><\/p>\n<p><strong>No distrito de Massingir, com uma cobertura de cerca de 580,000 hectares no lado Mo\u00e7ambicano, separando atrav\u00e9s da linha de fronteira com a \u00c1frica do Sul, \u00e9 not\u00f3rio o elevado \u00edndice de caca furtiva. Estima-se que 90% dos 3960 rinocerontes v\u00edtimas da ca\u00e7a furtiva no Parque Nacional do Kruger, desde 2010, foram abatidos por furtivos mo\u00e7ambicanos que entram no Parque atrav\u00e9s da fronteira, segundo dizem fiscais do Parque<\/strong><\/p>\n<p><strong>Empresas tur\u00edsticas Sul-africanas e agentes de conserva\u00e7\u00e3o vem desenvolvendo projectos eco- tur\u00edsticos no territ\u00f3rio mo\u00e7ambicano, ao longo da linha de fronteira com o objectivo de criar uma zona de protec\u00e7\u00e3o contra a Ca\u00e7a Furtiva, ao longo da veda\u00e7\u00e3o de 360km de extens\u00e3o, para proteger os rinocerontes e elefantes que, progressivamente t\u00eam vindo a ser alvo dos ca\u00e7adores.<\/strong><\/p>\n<p><strong>As comunidades que tiveram de ceder espa\u00e7o \u00e0 zona de protec\u00e7\u00e3o t\u00eam acusado as empresas de usurpar a terra para criar \u00c1reas Ecol\u00f3gicos para os mega-ricos. Os habitantes afirmam que os Sul-africanos s\u00e3o auxiliados pelo filho do antigo Presidente da Rep\u00fablica de Mo\u00e7ambique e l\u00edderes pol\u00edticos locais, atrav\u00e9s de subornos, promessas falsas e conflitos de terra deliberadamente fomentados.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEles disseram que nos dariam empregos quando lhes entreg\u00e1mos as terras. Isso n\u00e3o era verdade. De seguida, manipularam e dividiram as nossas comunidades para que s\u00f3 eles pudessem reinar e tirar proveito\u201d, disse Isac Alione Fubai, um antigo l\u00edder da Comunidade de Cubo.<\/p>\n<p>A Twin City, empresa Sul Africana que ocupou largas frac\u00e7\u00f5es de terra da zona de protec\u00e7\u00e3o tinha criado conflitos entre os membros das comunidades de Cubo e Nkanhine para benef\u00edcio pr\u00f3prio, disse Fubai.<\/p>\n<p><strong>Twin City<\/strong><\/p>\n<p>Na \u00c1frica do Sul, a principal actividade da Twin City consiste no desenvolvimento, aluguer e gest\u00e3o de complexos comerciais. A empresa pertence \u00e0 super-rica fam\u00edlia Pistorius, mundialmente conhecida depois de o antigo atleta paraol\u00edmpico Oscar Pistorius matar a sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp em 2013.<\/p>\n<p>Em Mo\u00e7ambique, a empresa formou um cons\u00f3rcio chamado Twin City- Karingana Wa karingana Ecoturismo Limitada, com sede em Maputo e registrada no Registro de Entidades Comerciais. Os seus s\u00f3cios s\u00e3o: Twin City Development (Pty) Ltd, tendo 50% das ac\u00e7\u00f5es e Twins Investment Limited, accionista dos outros 50%. Os accionistas mo\u00e7ambicanos, representados por Muhammad Khalid Peyrye, s\u00e3o: o antigo Governador da Prov\u00edncia de Gaza, Eug\u00e9nio Numaio, seu filho Rangel Numaio e o Coordenador mo\u00e7ambicano de empresas, Renato Mucavel.<\/p>\n<p>Twin City Development foi estabelecida em 1984 por Arnold Pistorius, tio de Oscar, e tem consolidadas 27 por\u00e7\u00f5es de terra ao longo da fronteira mo\u00e7ambicana dentro da Reserva Karingani Game Reserve, de 137,000 hectares. Ao longo do tempo, oficiais do Governo mo\u00e7ambicano ajudaram a tomar 20,000 hectares de terra das comunidades a favor da Karingani, e tem planos de adquirir mais.<\/p>\n<p>Primeiramente, as comunidades habitantes do Cubo concordaram em dispensar 10,000 hectares a Adolfo Bila, Administrador do distrito de Massingir durante o mandato do primeiro Presidente da Rep\u00fablica de Mo\u00e7ambique, Samora Machel. De seguida, outros 10,000 hectares foram dispensados ao antigo Governador de Gaza, Eug\u00e9nio Numaio, ap\u00f3s ele ter falado, numa reuni\u00e3o com os membros da Associa\u00e7\u00e3o das Comunidades sobre a import\u00e2ncia do Ecoturismo para a comunidade.<\/p>\n<p>\u201cOs primeiros 10,000 hectares foram passados a Numaio por Bila, e n\u00f3s concordamos com isso, na expectativa de que o antigo administrador cumprisse com as suas promessas de responsabilidade social em troca da terra. Mas ele n\u00e3o cumpriu com as suas promessas. Nenhum membro da Comunidade Cubo est\u00e1 a trabalhar para a Twin City\u201d, disse Fubai.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos empregos, o acordo com a Comunidade Cubo consistia em incluir instala\u00e7\u00f5es veterin\u00e1rias e \u00e1gua canalizada para o seu gado. \u201cMas, al\u00e9m de ter constru\u00eddo duas salas de aula, uma casa de banho, um jardim infantil e veda\u00e7\u00e3o para o hospital, Bila n\u00e3o fez mais nada\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>Depois da interven\u00e7\u00e3o do Centro Terra Viva, uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental para assuntos de terra e meio-ambiente, membros da comunidade acordaram em manter e desenvolver 3,000 hectares dos restantes 10,000 hectares que tinham sido originalmente ocupados.<\/p>\n<p>Os membros da comunidade formaram uma associa\u00e7\u00e3o chamada Tlharihane va ka Cubo, e concordaram em deslocar-se para Macavene e Vale de Xilalane, pr\u00f3ximo \u00e0 Barragem de Massingir.<\/p>\n<p>Em 2006, a Associa\u00e7\u00e3o da Comunidade Cubo formou um cons\u00f3rcio com a African Wildlife Foundation (AWF) para desenvolver um projecto e est\u00e2ncia tur\u00edstica na \u00e1rea de 3,000 hectares da comunidade. \u201c A AWF sugeriu que aceit\u00e1ssemos Numaio como nosso parceiro, e que ele colocaria uma veda\u00e7\u00e3o em torno da \u00e1rea para evitar que le\u00f5es matassem pessoas e gado\u201d, disse Fubai.<\/p>\n<p>A parceria viu Numaio tomar 60% do projecto e est\u00e2ncia tur\u00edstica da comunidade. Disputas em torno da propriedade surgiram, sobre os 3,000 hectares e Numaio subsequentemente anunciou que tinha obtido o DUAT, Direito de Uso e Aproveitamento de Terra, como sua propriedade, justificando isto dizendo que tinha investido no projecto.<\/p>\n<p>Em Maio de 2016, Balule Lodge foi inaugurado pelo Ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia. Samora Machel J\u00fanior, filho do primeiro Presidente da Rep\u00fablica foi mencionado, juntamente com Eug\u00e9nio Numaio e Renato Mucavele como os parceiros mo\u00e7ambicanos. A cerim\u00f3nia de Inaugura\u00e7\u00e3o foi marcada pela aus\u00eancia da Comunidade de Cubo.<\/p>\n<p>Outros conflitos originaram devido a promessas de veda\u00e7\u00e3o ap\u00f3s duas pessoas e centenas de cabe\u00e7as de gado terem sido atacadas e mortas por le\u00f5es atravessando o territ\u00f3rio da Twin City, a partir da \u00c1frica do Sul para Massingir.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s pedimos que eles colocassem uma veda\u00e7\u00e3o porque os le\u00f5es atravessam para este lado, matando o nosso gado e os hipop\u00f3tamos alimentam\u00ad-se das nossas planta\u00e7\u00f5es e destroem as nossas machambas. Mas Numaio recusou-se a colocar a veda\u00e7\u00e3o e disse que queria se apropriar dos nossos 3,000 hectares de terra. N\u00f3s n\u00e3o queremos ver a nossa terra sendo roubada de n\u00f3s\u201d, disseram os l\u00edderes comunit\u00e1rios do Cubo.<\/p>\n<p>Uma leoa que matou um jovem numa machamba foi abatida por membros da comunidade. \u201c Temos reclamado dos animais selvagens e em 2001, a Twin City pediu que pus\u00e9ssemos as nossas reclama\u00e7\u00f5es em escrito. N\u00f3s fizemos isso mas n\u00e3o obtivemos resultados.<\/p>\n<p>\u201cAgora sabemos porqu\u00ea sempre se recusaram a colocar a veda\u00e7\u00e3o. Porque querem nos tirar a terra\u201d disseram os membros da comunidade.<\/p>\n<p>Fubai renunciou o seu cargo de l\u00edder da comunidade Cubo, dizendo que estava a sofrer press\u00e3o de Numaio e do Governo do Distrito de Massingir para convencer a Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria a ceder os seus \u00faltimos 3,000 hectares \u00e0 parceria Twin City.<\/p>\n<p>Fubai disse que foram-lhe oferecidos US$5,800 , uma mans\u00e3o tipo 16 e carro de luxo em troca dos 3,000 hectares. \u201cMas eu n\u00e3o aceitei o suborno\u201d.<\/p>\n<p>Em Outubro de 2010, o desenvolvimento de projectos tur\u00edsticos da comunidade foi interrompido pelo Governo Distrital. Am\u00e9lia Cubai, que substituiu Fubai na chefia de Tlharihane Va Ka Cubo disse que v\u00e1rios oficiais, incluindo o Administrador do Distrito de Massingir tinham tentado persuadir a comunidade a entregar os seus 3,000 hectares de terra \u00e0 Twin City, facto que traria desenvolvimento substancial \u00e0 comunidade, sen\u00e3o eles \u201c levariam a terra \u00e0 for\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA comunidade n\u00e3o foi intimidada, n\u00f3s recusamos\u201d, disse Cubai.<\/p>\n<p>O Censo de 2017 foi comprometido no ano passado quando a comunidade Cubo exigiu que o Governo devolvesse as suas terras como condi\u00e7\u00e3o para que estes participassem do censo. Como resultado, o Ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia comprometeu-se a terminar o conflito de terra de 5 anos com a Twin City dando \u00e0 popula\u00e7\u00e3o o direito de usar outras terras.<\/p>\n<p><strong>Parque Nacional do Limpopo<\/strong><\/p>\n<p>No norte da zona fronteiri\u00e7a, Mo\u00e7ambique reservou cerca de 10,000km de terra para fazer parte da gigante transfronteiri\u00e7a \u201cparque pac\u00edfico \u201cacordado entre os governos da \u00c1frica do Sul p\u00f3s-apartheid, Mo\u00e7ambique e Zimbabwe em 2000. Desde ent\u00e3o, veda\u00e7\u00f5es ao longo da fronteira foram removidas e os animais do Kruger movimentaram-se entre os dois pa\u00edses ao longo de antigos corredores migrat\u00f3rios.<\/p>\n<p>O reassentamento de comunidades vivendo no Parque Nacional do Limpopo no lado Mo\u00e7ambicano foi parte do acordo transnacional, disse o Administrador do parque, Corn\u00e9lio Miguel.<\/p>\n<p>\u201c N\u00f3s fazemos parte de um enorme ecossistema associado ao Parque Nacional Kruger na \u00c1frica do Sul e o Parque Nacional Gonarezhou, no Zimbabwe. N\u00f3s precis\u00e1vamos executar o processo de reassentamento para criar boas condi\u00e7\u00f5es de vida \u00e0s comunidades vivendo dentro do parque em dificuldades e condi\u00e7\u00f5es extremas; acreditamos que com o reassentamento, eles ter\u00e3o a oportunidade de melhorar a sua qualidade de vida, vivendo em melhores resid\u00eancias e meios de sobreviv\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSimultaneamente, estamos a recuperar o ecossistema e a assegurar a continuidade dos corredores de animais. Os animais v\u00e3o, por sua vez, no futuro, beneficiar as comunidades atrav\u00e9s de empregos e promo\u00e7\u00e3o do turismo local\u201d, disse Miguel.<\/p>\n<p>Cerca de 2,000 fam\u00edlias foram reassentadas em oito vilas, no bairro Eduardo Mondlane em Massingir, de acordo com Anast\u00e1cio Matavel, Director Executivo do F\u00f3rum de Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o-Governamentais de Gaza (FONGA). Cinco comunidades, abrangendo 13,300 fam\u00edlias est\u00e3o ainda a viver dentro do parque, \u00e0 espera do reassentamento.<\/p>\n<p>Mat\u00e1vel descreveu o reassentamento como um \u201cprocesso falhado\u201d. Primeiro, foram constru\u00eddas 18 casas, e depois, 50 casas. O governo local tentou financiar o projecto atrav\u00e9s do Instituto Nacional de Gest\u00e3o de Calamidades, mas o processo falhou.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o havia mais dinheiro e as constru\u00e7\u00f5es foram rejeitadas pelas comunidades. Eles tamb\u00e9m n\u00e3o levaram aspectos culturais em considera\u00e7\u00e3o, tais como: quem deve viver junto. N\u00fameros de mulheres e crian\u00e7as vivendo todos em pequenas palhotas.\u201d<\/p>\n<p>Mat\u00e1vel disse n\u00e3o haver empregos na zona de reassentamento, nem espa\u00e7o para a agricultura e cria\u00e7\u00e3o de gado. \u201cO parque prometeu criar todas as condi\u00e7\u00f5es sociais necess\u00e1rias para um reassentamento decente. Foi por isso que n\u00f3s aceitamos sair, mas o que \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o recebe em troca? Nada. Qual tem sido a rela\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o e o parque? N\u00e3o h\u00e1 benef\u00edcios\u201d.<\/p>\n<p>\u201c Todas as comunidades querem voltar para dentro do parque, onde costumavam ca\u00e7ar e vender a carne. N\u00f3s cultiv\u00e1vamos dentro do parque tinha boas terras onde durante o tempo da seca, pod\u00edamos produzir vegetais e fruta para a nossa sobreviv\u00eancia. N\u00f3s t\u00ednhamos \u00e1gua, mas agora, precisamos compr\u00e1-la\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cana-de-a\u00e7\u00facar<\/strong><\/p>\n<p>As oportunidades de emprego aumentaram com o desenvolvimento de campos de cana-de-a\u00e7\u00facar abrangendo 37,500 hectares no distrito de Massingir. Um cons\u00f3rcio composto por empresas Sul-africanas e Mo\u00e7ambicanas criou um projecto, avaliado em US$ 740 milh\u00f5es que incluiria uma unidade de processamento.<\/p>\n<p>Em 2007, o Governo mo\u00e7ambicano assinou um contrato com a empresa ProCana para a produ\u00e7\u00e3o de Etanol a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar. O investidor inicial da ProCana era sediada em Londres, a Central African Mining and Exploration Company, que constituiu a Bioenergy Africa para tomar 94% das ac\u00e7\u00f5es da ProCana.<\/p>\n<p>Posteriormente, a Bioenergy mudou o seu nome para Stable Mining, e est\u00e1 registrada no para\u00edso fiscal do Caribe, das Ilhas Virgens Brit\u00e2nicas. Em 2009, o governo mo\u00e7ambicano anunciou o cancelamento do Contrato ProCana.<\/p>\n<p>O projecto foi adoptado pela Massingir Agro Industrial (MAI) em 2012. A empresa Sul Africana TSB Sugar detinha 51% das ac\u00e7\u00f5es e os restantes 49% eram pertencentes \u00e0 SIAL (Sociedade de Investimentos Agro-Industriais do Limpopo), uma empresa mo\u00e7ambicana liderada pelo antigo Ministro da Ind\u00fastria Oct\u00e1vio Muthemba.<\/p>\n<p>TSB disse que o projecto esperava produzir 500,000 toneladas de a\u00e7\u00facar por ano \u2013 mais do que todas as outras produtoras mo\u00e7ambicanas de cana-de-a\u00e7\u00facar combinadas \u2013 e 240,000 litros de Etanol. Campos de cana foram plantados pr\u00f3ximos \u00e0 Barragem de Massingir, mas o projecto falhou em 2016. De acordo com a TSB, um estudo de viabilidade mostrou que os custos de investimento tinham crescido para $ 1,2 bili\u00f5es, reduzindo o retorno esperado, e a empresa mo\u00e7ambicana foi incapaz de angariar fundos extra, necess\u00e1rios para o seu financiamento.<\/p>\n<p>Matavel do FONGA disse que as comunidades em Massingir opunham-se ao projecto da cana\u00ad-de-a\u00e7\u00facar por esta ser uma monocultura, que precisa de quantidades avultadas de \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o e que poderia ainda contaminar a terra atrav\u00e9s do uso de pesticidas.<\/p>\n<p>\u201cO projecto seria uma cat\u00e1strofe ambiental\u201d, disse Mat\u00e1vel. \u201c Como o que aconteceu (no canavial) em Xinavane, as comunidades locais n\u00e3o t\u00eam lenha nem materiais de constru\u00e7\u00e3o. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para travar o projecto do a\u00e7\u00facar\u201d.<\/p>\n<p><strong>Casulos Ecol\u00f3gicos<\/strong><\/p>\n<p>A inquieta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o tem aumentado com a expans\u00e3o das Reservas Privadas Sul-africanas ao longo do lado mo\u00e7ambicano da zona fronteiri\u00e7a, a maioria tendo \u201cpartes \u201cpertencentes a empresas mo\u00e7ambicanas e oficiais mo\u00e7ambicanos.<\/p>\n<p>Twin City assumiu o arrendamento dos 45,000 hectares da Xonghile Game Park e 8,000 hectares de investidores privados e consolidou-os em Karangani Game Reserve. Singita, uma empresa Sul Africana de Ecoturismo, pertencente a Luke Bailes, tem planos de construir uma luxuosa est\u00e2ncia dentro da reserva. Investidores em Karingani incluem a Funda\u00e7\u00e3o Bedari nos Estados Unidos e o gestor de Fundo de Investimento americano Paul Tudor Jones.<\/p>\n<p>Existem tamb\u00e9m v\u00e1rios equipamentos de ca\u00e7a com conex\u00f5es Sul-africanas na zona fronteiri\u00e7a, incluindo Magondzo Reserve, Masintonto Eco-Turismo e Sabie Game Park.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0s quest\u00f5es, Twin City disse ser \u201cuma empresa incorporada em Mo\u00e7ambique com o principal objectivo de investir na conserva\u00e7\u00e3o da fauna bravia. Est\u00e1 principalmente presente em Massingir com o objectivo de prevenir e neutralizar a ca\u00e7a furtiva.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA Twin City uniu for\u00e7as com unidades Sul-africanas de combate \u00e0 ca\u00e7a furtiva, que trabalhar\u00e3o na \u00e1rea, e com o Governo Mo\u00e7ambicano, incluindo o governo de Massingir, que tamb\u00e9m providenciar\u00e1 unidades de combate \u00e0 ca\u00e7a furtiva, ambas para proteger a fauna e prevenir qualquer ac\u00e7\u00e3o futura.\u201d<\/p>\n<p>O porta-voz da empresa, Reinecke Janse van Rensburg negou ter colaborado com Numaio no apropriamento de terra da comunidade Cubo. \u201c Os nossos DUAT (Direito de Uso e Aproveitamento de Terra) foram obtidos legalmente e n\u00f3s temos um acordo de parceria com a comunidade Cubo sob o qual uma est\u00e2ncia tur\u00edstica ser\u00e1 constru\u00edda brevemente. Para mais informa\u00e7\u00f5es, por favor, contactem o Administrador local e o antigo Governador.\u201d<\/p>\n<p>No seu website, a Karingani diz que desde 2008 tem estado envolvida com 11 comunidades prim\u00e1rias ligadas \u00e0 reserva, com vista a facilitar o reassentamento das comunidades afectadas. \u201c Algumas dessas comunidades foram reassentadas de terras que agora fazem parte da Karingani. Esse reassentamento foi resultado de um processo compreensivo de consulta e negocia\u00e7\u00e3o com os membros da comunidade, onde as comunidades, com o apoio das autoridades locais, chegaram a consenso em termos aceit\u00e1veis para que se deslocassem\u201d<\/p>\n<p>Ao todo, o projecto Karingani reassentou 327 fam\u00edlias, totalizando cerca de 1000 pessoas e 2000 cabe\u00e7as de gado, menciona o website.<\/p>\n<p>Eug\u00e9nio Numaio negou que tivesse havido qualquer usurpa\u00e7\u00e3o de terra no processo de instala\u00e7\u00e3o da Karingani Reserve da Twin City. \u201c Quando \u00e9 uma empresa privada, as comunidades ficam desconfiadas e pensam que eles queiram usurpar as suas terras\u201d disse ele. \u201cMas existem regras neste pa\u00eds, ningu\u00e9m leva nada \u00e0 for\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Os 20,000 hectares da terra da comunidade, incorporados \u00e0 Karingani foram adicionados em consenso com a comunidade, e foram compensados com infra-estruturas tais como escolas, disse ele. Membros da comunidade Cubo estavam a levantar objec\u00e7\u00f5es devido a interesses ocultos. Aquela era a entrada para a ca\u00e7a furtiva no Parque Nacional Kruger, e era por onde os chifres de rinocerontes sa\u00edam para serem levados a sindicatos internacionais. N\u00f3s estamos a criar obst\u00e1culos para o neg\u00f3cio da ca\u00e7a furtiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Numaio tamb\u00e9m negou alega\u00e7\u00f5es de tentativas de suborno aos l\u00edderes da comunidade Cubo. \u201c A nossa empresa Twin City est\u00e1 envolvida com grandes empresas e n\u00e3o se pode envolver em jogos sujos nem procedimentos ilegais. Por causa da imagem da empresa e os investidores s\u00e3o pessoas bem posicionadas, portanto n\u00e3o podem efectuar pagamentos fora da lei\u201d.<\/p>\n<p>Ambientes de tens\u00e3o surgiram principalmente depois das negocia\u00e7\u00f5es em torno dos 3000 hectares de terra da comunidade, que daria \u00e0 Karingani acesso ao lago, disse ele. \u201c Um estudo realizado por especialistas mostrou que tendo acesso \u00e0 \u00e1gua daquele vale, Twin City seria o local mais bonito ao longo da fronteira. Nem a \u00c1frica do Sul, nem o Zimbabwe teriam um local t\u00e3o incr\u00edvel quanto este, onde ter\u00edamos todos os Big Five.<\/p>\n<p>\u201c Mas a vis\u00e3o conservativa do neg\u00f3cio e a vis\u00e3o tradicional da comunidade s\u00e3o diferentes. Elas n\u00e3o se encaixam, parece um estrondo. Mas isto n\u00e3o \u00e9 uma guerra\u201d.<\/p>\n<p>Uma pesquisa universit\u00e1ria no desenvolvimento de oportunidades no distrito de Massingir em 2010 indicou haver potencial na agricultura, turismo, pecu\u00e1ria, florestas e pesca. Muitas comunidades locais ainda dependem de rendimentos de migrantes mo\u00e7ambicanos trabalhando na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Mas, apesar desta promessa, quase nada mudou para muitos membros da comunidade, que est\u00e3o a vender o seu \u00faltimo gado para comprar comida e construir seus pr\u00f3prios po\u00e7os tradicionais para obter \u00e1gua.<\/p>\n<p>Para Jaime Cumbane, l\u00edder de uma das comunidades reassentadas no Bairro Eduardo Mondlane em 2013, o maior problema \u00e9 a terra: \u201c Pelo menos 90% da fronteira mo\u00e7ambicana est\u00e1 nas m\u00e3os de reservas de ca\u00e7a, incluindo o Parque Nacional do Limpopo. Mas n\u00f3s n\u00e3o temos terra aqui em Massingir\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>Alguns membros das comunidades suspeitam que as reservas privadas e seus aliados do governo n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o interessados na superf\u00edcie quanto ao que est\u00e1 no subsolo. Eles aumentaram a militariza\u00e7\u00e3o nas zonas fronteiri\u00e7as, com os membros das comunidades locais tendo de pedir permiss\u00e3o para ir cultivar ou alimentar o seu gado.<\/p>\n<p>\u201c As for\u00e7as militares foram originalmente implantadas na \u00e1rea porque esta, era um canal de entrada e sa\u00edda de ca\u00e7ados furtivos no Kruger Park. Hoje, os militares est\u00e3o l\u00e1 para proteger a Twin City\u201d, disse um membro da comunidade Cubo que pediu anonimato.<\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o por: Estacio Valoi<\/p>\n<p>Centro Jornalismo Investigativo Ambiental Oxpeckers<\/p>\n<p>Operador de drone: Dexter Tangocci<\/p>\n<p>Fotos e V\u00eddeos: Filipa Domingues<\/p>\n<p>Fotos: Estacio Valoi<\/p>\n<p>Pesquisador de informa\u00e7\u00e3o: \u00c2ngela Harding<\/p>\n<p>Visualiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o: Fridah Oyaro, Tricia Govindasamy, Emma Kisa, Isacco Chiaf<\/p>\n<p>Imagens via satellite e analise Radiant. Earth<\/p>\n<p>Editores: Fiona Macleod, Johnny Miller<\/p>\n<p>Gerenciamento de Projectos: Ashlin Simpson<\/p>\n<p>Desenho e Formato: Jacopo Ottaviani<\/p>\n<p>Produzido em parceria com: Code For Africa, AfricanDRONE e a Rede Africana de Centros de Relat\u00f3rios Investigativos (ANCIR).<\/p>\n<p>Financiado pelo Pulitzer Center on Crisis Reporting e pela Funda\u00e7\u00e3o Bill e Melinda Gates, com apoio do Centro Internacional de Jornalistas (ICFJ)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/oxpeckers.org\/2018\/04\/krugers-contested-borderlands\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/oxpeckers.org\/2018\/04\/krugers-contested-borderlands\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pulitzercenter.storylab.africa\/dominion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pulitzercenter.storylab.africa\/dominion\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Ser\u00e3o as reservas ecol\u00f3gicas solu\u00e7\u00e3o para a ca\u00e7a furtiva? Estacio Valoi 06 Abril, 2018 \u00a0Uma zona de protec\u00e7\u00e3o ao longo da fronteira do Parque Nacional do Kruger tem como alvos os ca\u00e7adores furtivos. As popula\u00e7\u00f5es desalojadas denunciam a usurpa\u00e7\u00e3o da terra por parte de estrangeiros ricos, em parceria com l\u00edderes pol\u00edticos corruptos. No distrito de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2063,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[271,270],"tags":[266],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger.jpg",2991,1391,false],"landscape":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger.jpg",2991,1391,false],"portraits":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger.jpg",2991,1391,false],"thumbnail":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger-250x116.jpg",150,70,true],"medium":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger-400x186.jpg",300,140,true],"large":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger-650x302.jpg",650,302,true],"1536x1536":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger.jpg",1536,714,false],"2048x2048":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger.jpg",2048,952,false],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger.jpg",18,8,false],"post-thumbnail":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger-150x70.jpg",150,70,true],"retina2x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger-800x372.jpg",800,372,true],"retina3x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger-1200x558.jpg",1200,558,true],"retina4x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger-1600x744.jpg",1600,744,true],"retina5x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger-2000x930.jpg",2000,930,true],"retina6x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/kruger-2400x1116.jpg",2400,1116,true]},"rttpg_author":{"display_name":"Reda\u00e7\u00e3o CJIMOZ","author_link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/author\/hcuambe\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/category\/corrupcao\/\" rel=\"category tag\">Corrup\u00e7\u00e3o<\/a> <a href=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/category\/politica\/\" rel=\"category tag\">Pol\u00edtica<\/a>","rttpg_excerpt":"\u00a0Ser\u00e3o as reservas ecol\u00f3gicas solu\u00e7\u00e3o para a ca\u00e7a furtiva? Estacio Valoi 06 Abril, 2018 \u00a0Uma zona de protec\u00e7\u00e3o ao longo da fronteira do Parque Nacional do Kruger tem como alvos os ca\u00e7adores furtivos. As popula\u00e7\u00f5es desalojadas denunciam a usurpa\u00e7\u00e3o da terra por parte de estrangeiros ricos, em parceria com l\u00edderes pol\u00edticos corruptos. No distrito de&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2060"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2060"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2060\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2065,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2060\/revisions\/2065"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2063"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2060"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2060"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2060"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}