{"id":2108,"date":"2018-06-28T09:17:41","date_gmt":"2018-06-28T09:17:41","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org\/news\/?p=2108"},"modified":"2018-09-13T09:05:15","modified_gmt":"2018-09-13T09:05:15","slug":"al-shabab-em-mocambique-ou-43-anos-de-soberania-a-meia-haste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/al-shabab-em-mocambique-ou-43-anos-de-soberania-a-meia-haste\/","title":{"rendered":"Al Shabab em Mo\u00e7ambique ou 43 anos de soberania \u00e0 meia haste?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Est\u00e1cio Valoi e Lu\u00eds Nhachote<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aos 43 anos de independ\u00eancia Mo\u00e7ambique encontra-se envolto numa encruzilhada com requintes de abusos \u00e0 sua soberania. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 descoberta de reservas de jazigos de preciosos minerais, g\u00e1s e petr\u00f3leo, aliada \u00e0 aus\u00eancia das \u00a0autoridades em s\u00edtios nevr\u00e1lgicos para desenvolver o motor da economia nacional, o Estado mostra-se capturado, capitulado e no degredo. O Centro de Jornalismo Investigativo (CJI) passou semanas a fio a investigar os crimes e abusos contra os direitos humanos, em Moc\u00edmboa da Praia! O cen\u00e1rio \u00e9 de bradar os c\u00e9us.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Timeline do Terror em Cabo Delgado<\/strong><\/p>\n<p>No dia <span style=\"text-decoration: line-through;\">0<\/span>5 de Outubro de 2017, a Vila de Moc\u00edmboa da Praia acordou debaixo de um espectro de guerra, com ataques dispersos de desconhecidos munidos de catanas e metralhadoras que ter\u00e3o provocado, pelo menos 28 mortos, dos quais oito agentes da Pol\u00edcia, 19 insurgentes e, um l\u00edder comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na altura as autoridades mo\u00e7ambicanas atribu\u00edram a autoria dos ataques a \u201cextremistas isl\u00e2micos\u201d! No dia 29 de Novembro, cerca de dois meses depois do primeiro ataque, um grupo de atacantes vandalizou casas, estabelecimentos e uma igreja crist\u00e3, nas aldeias de Mitumbate e Makulo, em Moc\u00edmboa da Praia.<\/p>\n<p>O governo distrital refere que os suspeitos estudam doutrinas religiosas na Tanz\u00e2nia, Sud\u00e3o e Ar\u00e1bia Saudita, onde alegadamente recebem treinos militares e aprendem a manusear armas de fogo e armas brancas, fora do controlo das institui\u00e7\u00f5es formais.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia da viol\u00eancia em Outubro em Moc\u00edmboa da Praia, as autoridades fizeram cerca de 50 deten\u00e7\u00f5es e ordenaram ao encerramento de tr\u00eas mesquitas que, alegadamente, seriam frequentadas pelos extremistas isl\u00e2micos envolvidos nos ataques.<\/p>\n<p>A c\u00e9lula Al-Shabab \u00e9 apontada como guia espiritual dos ataques como forma de retalia\u00e7\u00e3o das autoridades em aceitarem a doutrina por eles apregoada! (Esta frase n\u00e3o se entende bem)<\/p>\n<p><strong><u>\u00a0<\/u><\/strong><\/p>\n<p><strong><u>Uma descida ao cora\u00e7\u00e3o das Trevas<\/u><\/strong><\/p>\n<p>No dia 7 de Mar\u00e7o, uma quarta-feira, pelas 5 horas de manh\u00e3 fizemos o trajecto de cerca de 450 quil\u00f3metros de estrada de Pemba a Moc\u00edmboa da Praia.<\/p>\n<p>Do cruzamento do distrito de Mueda \u00e0 Moc\u00edmboa, militares, pol\u00edcias, quer de tr\u00e2nsito, quer de protec\u00e7\u00e3o, ambos passaram em revista os passageiros que se faziam transportar em autocarros. Passavam a \u2018pente fino\u2019, minuciosos, afinal de contas, elementos alegadamente pertencentes \u00e0 c\u00e9lula Al-Shabab de Moc\u00edmboa j\u00e1 foram detidos dentro deste tipo de transportes. Ali\u00e1s, o facto j\u00e1 foi confirmado pelo governo Mo\u00e7ambicano atrav\u00e9s de \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o. Algumas das deten\u00e7\u00f5es dos membros desta c\u00e9lula ocorrerem em Auasse quando sa\u00edam da Prov\u00edncia de Nampula para Cabo Delgado, alegadamente para se juntarem aos outros membros da c\u00e9lula.<\/p>\n<p>Na Vila Sede de Moc\u00edmboa da Praia era not\u00f3ria a presen\u00e7a militar nos quart\u00e9is, nas ruas, e ve\u00edculos a circularem de um lado para o outro, carros blindados, prontos para entrar em ac\u00e7\u00e3o, pelos bairros, de armas de guerra em m\u00e3o. militares v\u00e3o circulando \u2018afinal estamos em guerra,\u2019 pelo porto, as lanchas da marinha ensaiam os seus motores, manobras de ataque. Paira o medo, \u00e0 desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>Ataques registaram-se ndo em diferentes aldeias de Moc\u00edmboa, como o mais recente caso da comunidade de Chitolo onde uma pessoa foi morta, degolada, \u2018por ter reconhecido um dos insurgentes,\u2019 cinquenta casas queimadas, motorizadas, medicamentos e alimentos saqueados. Este foi, por sinal, o primeiro local da nossa visita naquela quarta-feira para no dia seguinte seguirmos para a aldeia Njama, onde alegadamente existe uma vala comum.<\/p>\n<p>Por volta das 14 horas cheg\u00e1mos finalmente a Moc\u00edmboa e fomos directamente \u00e0 Aldeia de Chitolo, pela estrada de terra solta. Enquanto nos dirig\u00edamos para o interior da aldeia, fomo-nos cruzando com mulheres, crian\u00e7as, homens, idosos de trouxa na cabe\u00e7a, m\u00e3os, os \u00fanicos bens com os quais puderam fugir na noite anterior, escapando assim de mais um ataque da c\u00e9lula Al-Shabab.<\/p>\n<p>Eram pessoas de regresso \u00e0 sua aldeia onde na noite anterior as suas casas foram queimadas, seus bens roubados. Mas era preciso voltar e \u201cos militares disseram que podemos regressar.\u201d<\/p>\n<p>Transport\u00e1mos algumas dessas pessoas na nossa viatura, e s\u00e3o v\u00e1rias a est\u00f3rias que fomos ouvindo. Depois na aldeia encontr\u00e1mos casas queimadas ainda carregadas de fumo, militares ainda em patrulha. \u201cEsses bandidos queimaram tudo,\u201d disse-nos um senhor de nome Habibo, \u201cEsses Shababs. Aqui s\u00f3 fugi com esta camisa. Perdi tudo, n\u00e3o tenho mais nada mesmo. Queimaram minhas bancas. Degolaram uma pessoa\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><u>A C\u00e9lula em Cabo Delgado&#8230;<\/u><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A exist\u00eancia deste grupo denominado Al-Shabab na Vila de Moc\u00edmboa n\u00e3o constitui novidade, segundo constat\u00e1mos de fontes durante a investiga\u00e7\u00e3o. Desde 2014, \u00faltimo ano do consulado de 10 anos de Armando Emilio Guebuza, at\u00e9 recentemente, a c\u00e9lula ter-se-\u00e1 desenvolvido perante o olhar imp\u00e1vido quer das autoridades governamentais locais, assim como a n\u00edvel central, sempre alertadas sobre esta quest\u00e3o. Sempre se fizeram de rogados, \u2018 olho de mercador\u2019, at\u00e9 que foram compulsivamente despertos, \u2018 sacudidos\u2019, com o primeiro ataque da intitulada c\u00e9lula a 16 de Outubro de 2017.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um grupo que se reveste sob a capa do Isl\u00e3o. Nos \u00faltimos anos, membros deste grupo que se dizem Al-Shabab t\u00eam propagado nesta regi\u00e3o aquela que \u00e9 a sua vis\u00e3o do Isl\u00e3o. Recusam a autoridade do Estado, e n\u00e3o s\u00f3.\u201d<\/p>\n<p>Em entrevista ao CJI, o Sheik Sa\u00edde Tuaha disse-nos que esta c\u00e9lula surge em Moc\u00edmboa, \u201cna aldeia Magule, criada por jovens nativos com ideologias contr\u00e1rias aos mandamentos do Isl\u00e3o.\u201d Alguns foram seus antigos alunos. Alguns <span style=\"text-decoration: line-through;\">deles<\/span> s\u00e3o seus sobrinhos que encontraram alicerces numa outra Ideologia mu\u00e7ulmana, contr\u00e1ria \u00e0 professada pela sua comunidade, aquela trazida e implementada por cidad\u00e3os de origem Tanzaniana que encontraram um campo f\u00e9rtil. Cidad\u00e3os aparentemente ligados ao famigerado grupo radical Al-Shabab da Som\u00e1lia, com ramifica\u00e7\u00f5es na Tanz\u00e2nia.<\/p>\n<p>Durante a nossa investiga\u00e7\u00e3o constat\u00e1mos que as contradi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e as expectativas fundamentadas na ideologia isl\u00e2mica que lhes fora incutida ter\u00e3o sido o vector que levou jovens a pegar em armas de fogo e mesmo a matar, mesmo sem um objectivo concretamente conhecido.<\/p>\n<p>E, segundo informa\u00e7\u00f5es, tudo come\u00e7ou com alguns jovens nativos aqui de Moc\u00edmboa. \u201cAlegando que n\u00f3s n\u00e3o estamos a professar perfeitamente a religi\u00e3o, negaram os casamentos por n\u00f3s celebrados, assim como as outras, v\u00e1rias cerim\u00f3nias. Dizem eles que se algu\u00e9m morre, n\u00f3s n\u00e3o podemos cobrir a cara do morto, mas sim levar a pessoa e enterr\u00e1-la. N\u00e3o podemos realizar a cerim\u00f3nia de Tatua. \u00c0s vezes quando algu\u00e9m perde a vida, n\u00f3s temos que criar um sentimento durante uns tr\u00eas dias, as pessoas re\u00fanem-se, comem algo e se despedem. Esses jovens n\u00e3o querem, nem aceitam estas cerim\u00f3nias,\u201d disse Tauha.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, como Mu\u00e7ulmanos, temos as nossas regras, h\u00e1 tradi\u00e7\u00f5es que nos s\u00e3o submetidas na religi\u00e3o mas tamb\u00e9m acompanha as regras da comunidade isl\u00e2mica ou de mandamento isl\u00e2mico. Os jovens negaram as nossas mesquitas, n\u00e3o faziam as ora\u00e7\u00f5es, as cinco di\u00e1rias. Praticavam suas ora\u00e7\u00f5es. Para n\u00f3s, caso a pessoa n\u00e3o tivesse as cal\u00e7as abaixo do joelho, n\u00e3o era aceite, barba, n\u00e3o podiam fazer Sualate, aquelas pessoas n\u00e3o faziam parte da reza \u2013 Djamahat. Mais tarde faziam seu pr\u00f3prio Djamahat e ai come\u00e7aram os transtornos.\u201d<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, e segundo os l\u00edderes religiosos, constata-se que cerim\u00f3nias eram celebradas duas vezes, os mualimos celebravam o casamento dos jovens e estes, por sua vez, quando chegassem \u00e0 sua base-zona controlada pela c\u00e9lula, celebravam outra cerimonia dirigida pelos l\u00edderes religiosos da c\u00e9lula, \u201ccriavam uma outra cerim\u00f3nia, diziam que aquele pai n\u00e3o era pai mas sim cafre.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe width=\"1333\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-MCkwyg3pw8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong><u>\u201cUma coisa tinha entrado\u201d<\/u><\/strong><\/p>\n<p>As formas de comportamento da C\u00e9lula denominada Al-Shabab, seu <em>modus operando<\/em> n\u00e3o diferem do pr\u00f3prio Al-Shabab, Boku Haram. Com a exist\u00eancia de c\u00e9lulas do Al-Shabab na Tanz\u00e2nia, a influ\u00eancia isl\u00e2mica em Moc\u00edmboa, a proximidade fronteiri\u00e7a entre os dois pa\u00edses e, a Som\u00e1lia n\u00e3o t\u00e3o distante, acredita-se que estas c\u00e9lulas tenham o seu suporte ideol\u00f3gico origin\u00e1rio desses pa\u00edses, com destaque para cidad\u00e3os de origem Tanzaniana.<\/p>\n<p>\u201cUma coisa tinha entrado, trazida pelo Tanzaniano,\u201d uma \u201cIdeologia,\u201d que influenciou bastante na fragmenta\u00e7\u00e3o do tecido isl\u00e2mico em Moc\u00edmboa, j\u00e1 carregado de controv\u00e9rsias no seio daquela comunidade.<\/p>\n<p>Esta nova cren\u00e7a dos jovens levou a que se impusessem ao Isl\u00e3o professado pelos l\u00edderes Mu\u00e7ulmanos de Moc\u00edmboa, contribuindo como vector para que os \u2018nossos sobrinhos, filhos, jovens\u2019 pegassem em armas e retaliassem, tomando de assalto com armas de fogo a Vila de Moc\u00edmboa da Praia em Outubro de 2017.<\/p>\n<p>O que levou a que os l\u00edderes locais realizassem encontros no sentido de persuadirem os \u2018jovens nativos\u2019 a n\u00e3o aderirem a ideologias opostas aos mandamentos isl\u00e2micos. Segundo Sheik Tauha Sa\u00edde, em quase todas e\/ou na maior parte das reuni\u00f5es realizadas, os jovens recusaram-se a participar, contrapondo-se \u00e0 forma de protec\u00e7\u00e3o do Isl\u00e3o naquela vila, o que culminou com a expuls\u00e3o dos mesmos das suas comunidades.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o aceitaram. Fomos obrigados a expuls\u00e1-los das nossas Mesquitas porque podiam ter m\u00e1 influ\u00eancia, estranha \u00e0 nossa religi\u00e3o. Come\u00e7aram a construir as suas mesquitas onde entravam cal\u00e7ados, algo proibido pelo Isl\u00e3o, assim como tamb\u00e9m come\u00e7aram a cobrir todo o corpo das mulheres, at\u00e9 o rosto, tapavam a cara. Jovens n\u00e3o aceitaram, mantendo-se distantes dos ensinamentos do Isl\u00e3o. No Alcor\u00e3o h\u00e1 uma passagem que diz \u2018faintanaza mufuchak farudu Hill alai\u2019. Como Mu\u00e7ulmanos, se h\u00e1 contradi\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s, sentamos e conversamos, pegamos o nosso livro divino, buscamos a raz\u00e3o, consenso e segundo o Alcor\u00e3o diz-nos sigam isto, \u00e9 assim que \u00e9 feito. Mas j\u00e1 n\u00e3o havia entendimento.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u201cBandeira, simbolismo Isl\u00e2mico!<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSim, t\u00eam as mesmas escritas. N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a. Aqueles jovens, quando depois se reuniram, numa an\u00e1lise profunda, automaticamente foi l\u00e1 em Maculo, foi l\u00e1 onde tudo come\u00e7ou. Depois disso recolheram-se todos para l\u00e1, em Magule, zona litoral aqui de Moc\u00edmboa. Depois entraram no mato. Passado pouco tempo come\u00e7aram a esfaquear aquelas pessoas de Magule. Come\u00e7aram a matar em Magule, seus pr\u00f3prios irm\u00e3os. Uma pessoa matou o seu pr\u00f3prio irm\u00e3o, isl\u00e2mico. Ideologia trazida pelo tal Tanzaniano. Foram matar em Lalane, foram matar em Sande, matar hallal. Ent\u00e3o todos que estavam no litoral a sa\u00edrem. Subiram um pouco, no interior. Foram matar em Chikuluia, entraram aquela onda de Unidade (antes da dita vala comum). Confus\u00e3o at\u00e9 hoje.\u201d<\/p>\n<p>Tauha Saide, ainda debru\u00e7ando-se sobre esta quest\u00e3o e relativamente aos acontecimentos de Moc\u00edmboa, fazia men\u00e7\u00e3o \u00e0 ideologia Al-Shabaab e ao seu suposto mentor. Um cidad\u00e3o de nacionalidade Tanzaniana, de nome Abdul Chacur, que ensinava os jovens a lerem o Alcor\u00e3o. As crian\u00e7as jovens come\u00e7aram a \u2018acatar a mat\u00e9ria\u2019 ministrada pelo alegado ide\u00f3logo, ensinamentos que acabaram por se tornar num ve\u00edculo para a dissemina\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o, culminando com diverg\u00eancias, revindica\u00e7\u00f5es dos jovens perante o Isl\u00e3o, seus ensinamentos e l\u00edderes. \u201cNegar os nossos irm\u00e3os, os nossos casamentos, negar os nossos imamos.\u201d<\/p>\n<p>Aderiam a um novo deus-cren\u00e7a, a sua nova ideologia, que era implementada nas suas novas zonas libertadas, de habita\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c0 mulher era atribu\u00edda um novo Pai, padrinho, n\u00e3o os que foram indicados aquando da celebra\u00e7\u00e3o do casamento na nossa comunidade,\u201d facto que a posteriori serviu como alerta para os l\u00edderes isl\u00e2micos na Vila de Moc\u00edmboa. \u201cO casamento j\u00e1 tinha sido celebrado, mas assim que chegassem l\u00e1 na zona deles, tinham que celebrar o mesmo casamento pela segunda vez com base na sua nova ideologia. Negavam o Sualate que n\u00f3s faz\u00edamos, assim como o primeiro Djamate.\u201d<\/p>\n<p>Ideologias contr\u00e1rias, opostas. A tens\u00e3o foi aumentando, as fam\u00edlias -um pilar social importante- fragmentado, discuss\u00f5es agravam-se, pais, filhos, sobrinhos, tios envolvidos, contradi\u00e7\u00f5es. E o caos estava instalado, \u201cn\u00e3o havia entendimento.\u201d E, segundo Tauha, como resultado do mau entendimento, os jovens foram sendo escorra\u00e7ados da comunidade. \u201cN\u00f3s come\u00e7\u00e1mos a expulsar os mi\u00fados. Aquela j\u00e1 n\u00e3o era a mesma religi\u00e3o do profeta, a que n\u00f3s seguimos at\u00e9 hoje. Uma coisa tinha entrado no nosso seio,\u201d o Mualimo enfatiza.<\/p>\n<p>Um dos poss\u00edveis focos deste conflito, seria o controlo do mercado de contrabando por parte de alguns grupos, dos quais faz parte a rede de contrabandistas de Marfim, rubis, ouro, homicidas, criminosos que v\u00eam operando da Tanz\u00e2nia, Cabo Delgado-Montepuez, Moc\u00edmboa, Nampula-Nacala. Desta rede fazem parte Omar Mapesa e Buto, oriundos de Zanzibar, procurados na Tanz\u00e2nia por assassinato de pessoas, contrabando de marfim.<\/p>\n<p>O CJI apurou que Buto e Omar Mapesa est\u00e3o envolvidos, quer com a pol\u00edcia local, como com oficiais das alf\u00e2ndegas, linhas a\u00e9reas. O nome de Buto, segundo fontes da pol\u00edcia, foi mencionado como sendo um elo forte da c\u00e9lula Al-Shabab, aquando da deten\u00e7\u00e3o e pris\u00e3o, em Moc\u00edmboa, dos elementos da c\u00e9lula que se faziam transportar num autocarro de Nampula a Moc\u00edmboa. Buto e Omar Mapesa acabaram indo parar na esquadra para averigua\u00e7\u00f5es sobre as suas liga\u00e7\u00f5es com a c\u00e9lula. \u201cS\u00e3o v\u00e1rias viagens que fazem na sua Land cruise Moc\u00edmboa VS Pemba. \u2018\u00c9 Perigoso\u201d<\/p>\n<p>Em conversa com Masgide Abdullah, bra\u00e7o direito de Omar Mapesa, constat\u00e1mos como corre o dia-a-dia de Buto. De manh\u00e3, muito cedo, vai \u00e0 mesquita, fazer a primeira ora\u00e7\u00e3o do dia. Depois segue para o banco, aeroporto e depois para a Direc\u00e7\u00e3o Provincial de Agricultura em Pemba. Anteriormente ao encerramento da Mesquita no bairro de Gingone em Pemba, alegadamente pelos seus membros estarem coniventes com Al-Shabab, a rotina de Buto era casa, mesquita, casa. Nesta rotina, Buto, ia da mesquita para casa com somas avultadas de dinheiro.<\/p>\n<p>Omar Mapesa foi detido numa das esquadras e interrogado sobre o seu alegado envolvimento com a C\u00e9lula Al-Shabab.<\/p>\n<p>Ambos s\u00e3o procurados pela pol\u00edcia de investiga\u00e7\u00e3o da Tanz\u00e2nia por crimes de ca\u00e7a furtiva e contrabando de marfim.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Ataque \u00e0 Aldeia Chitolo<\/strong><\/p>\n<p>Fal\u00e1mos com Tacilo Venatte, chefe de produ\u00e7\u00e3o da aldeia Chitolo, recentemente atacada pela C\u00e9lula Al-Shabaab e onde vivem 2017 pessoas. Os insurgentes atacaram a aldeia por volta da meia-noite.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sabemos de onde sa\u00edram, quais s\u00e3o seus objectivos, s\u00f3 andam nas machamba a chatearem pessoas, at\u00e9 chegarem aqui. Muitas machambas foram destru\u00eddas por eles. N\u00e3o sabemos, estamos assim isolados, n\u00e3o soubemos o que se passa com eles, o que eles querem.\u201d<\/p>\n<p>Tacilo disse ao CJI que a esperan\u00e7a da aldeia reside na chegada das for\u00e7as de Defesa e Seguran\u00e7a de modo a debalar os insurgentes. \u201cMuitas pessoas perderam tudo. Outras coisas levaram, outras queimaram. Muitas casas formam queimadas! Eu, pr\u00f3prio, perdi tudo, s\u00f3 tenho esta camisa com a qual sa\u00ed com ela de casa. Os chinelos foram oferecidos. Sa\u00ed a correr de casa s\u00f3 com esta cal\u00e7a e camisa eu trago, que usei. Depois terei que devolver os chinelos que deram emprestados.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEstou com a camisa que vestia desde que sa\u00ed de casa, como estou, at\u00e9 os chinelos emprestados. N\u00e3o s\u00f3 chinelos. A cal\u00e7a e camisa uso j\u00e1 h\u00e1 alguns dias. Depois de muito tempo a andar, senti dores porque n\u00e3o estava habituado a andar longas dist\u00e2ncias. Queimaram o posto de sa\u00fade e levaram os medicamentos todos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cChegam numa casa como esta e exigem dinheiro \u2018pap\u00e1 d\u00e1-nos dinheiros.\u2019 Um bandido \u00e9 aquele, e depois te matam, n\u00e3o h\u00e1 como. Est\u00e3o a fazer assaltos. E, eles n\u00e3o sa\u00edram s\u00f3 de m\u00e3os a abanar. Quando esses jovens estavam aqui, faziam neg\u00f3cio, vendiam peixe, tinham neg\u00f3cio, s\u00e3o pessoas que mesmo se mexiam e quando souberam que aqui queremos fazer isto venderam suas motorizadas, lojas, alguns venderam suas casas, sa\u00edram e foram-se embora.\u201d<\/p>\n<p>Segundo alguns populares, a pessoa da comunidade que foi executada, teve como causa o facto de ter reconhecido um dos integrantes do grupo dos intitulados Al-shabab, como membro da comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Governador evacuado num dos carros blindados<\/strong><\/p>\n<p>Nem o actual governador, J\u00falio Jos\u00e9 Parruque, escapou aos ataques. O mesmo ter\u00e1 sido evacuado a 21 de Mar\u00e7o deste ano de Moc\u00edmboa da Praia, num carro blindado das For\u00e7as de Defesa e Seguran\u00e7a baseadas no local. \u00c0s 10 horas da manh\u00e3 desse mesmo dia a caravana do governador deparou-se com habitantes da Aldeia Manilha a correrem com bagagem na cabe\u00e7a, fugindo de insurgentes que foram vistos a circular nas margens do rio Quinhevo. O governador foi for\u00e7ado a viajar num dos dois carros blindados que escoltavam a comitiva <span style=\"text-decoration: line-through;\">de<\/span> a partir da zona de Auasse a Moc\u00edmboa e de Moc\u00edmboa a Aldeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Est\u00e1cio Valoi e Lu\u00eds Nhachote Aos 43 anos de independ\u00eancia Mo\u00e7ambique encontra-se envolto numa encruzilhada com requintes de abusos \u00e0 sua soberania. \u00c0 descoberta de reservas de jazigos de preciosos minerais, g\u00e1s e petr\u00f3leo, aliada \u00e0 aus\u00eancia das \u00a0autoridades em s\u00edtios nevr\u00e1lgicos para desenvolver o motor da economia nacional, o Estado mostra-se capturado, capitulado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2121,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,273],"tags":[266],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1.jpg",2184,1456,false],"landscape":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1.jpg",2184,1456,false],"portraits":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1.jpg",2184,1456,false],"thumbnail":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1-250x167.jpg",150,100,true],"medium":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1-400x267.jpg",300,200,true],"large":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1-650x433.jpg",650,433,true],"1536x1536":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1.jpg",1536,1024,false],"2048x2048":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1.jpg",2048,1365,false],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1.jpg",18,12,false],"post-thumbnail":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1-150x100.jpg",150,100,true],"retina2x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1-800x533.jpg",800,533,true],"retina3x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1-1200x800.jpg",1200,800,true],"retina4x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1-1600x1067.jpg",1600,1067,true],"retina5x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1-2000x1333.jpg",2000,1333,true],"retina6x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nhachote-1.jpg",2184,1456,false]},"rttpg_author":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/author\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/category\/uncategorized\/\" rel=\"category tag\">Crime Organizado<\/a> <a href=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/category\/direitos-humanos\/\" rel=\"category tag\">Direitos Humanos<\/a>","rttpg_excerpt":"Por Est\u00e1cio Valoi e Lu\u00eds Nhachote Aos 43 anos de independ\u00eancia Mo\u00e7ambique encontra-se envolto numa encruzilhada com requintes de abusos \u00e0 sua soberania. \u00c0 descoberta de reservas de jazigos de preciosos minerais, g\u00e1s e petr\u00f3leo, aliada \u00e0 aus\u00eancia das \u00a0autoridades em s\u00edtios nevr\u00e1lgicos para desenvolver o motor da economia nacional, o Estado mostra-se capturado, capitulado&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2108"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2108"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2108\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2113,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2108\/revisions\/2113"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}