{"id":2893,"date":"2024-02-05T06:00:22","date_gmt":"2024-02-05T04:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org\/news\/?p=2893"},"modified":"2024-01-30T10:49:39","modified_gmt":"2024-01-30T08:49:39","slug":"2024-um-apelo-a-accao-da-rede-de-reporteres-e-editores-de-investigacao-africanos-naire","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/2024-um-apelo-a-accao-da-rede-de-reporteres-e-editores-de-investigacao-africanos-naire\/","title":{"rendered":"2024: Um apelo \u00e0 ac\u00e7\u00e3o da Rede de Rep\u00f3rteres e Editores de Investiga\u00e7\u00e3o Africanos-NAIRE"},"content":{"rendered":"<p>Em 2023, a \u00c1frica revelou-se um lugar cada vez mais perigoso, tanto para os jornalistas como para o pr\u00f3prio jornalismo. N\u00e3o foram so pelo assinato de \u00a0pelo menos oito de n\u00f3s, tambem \u00a067 jornalistas \u00a0foram presos neste ano, e com o registo de\u00a0 dezenas de pessoas a sofrerem\u00a0 mais amea\u00e7as e assediadas,\u00a0 at\u00e9 mesmo a pr\u00e1tica de reporter sobre \u00a0\u00a0a verdade \u00e0 nossa volta, \u00a0est\u00e1 a ser cada vez mais dificultada pelos corruptos que lideram os nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes pol\u00edticos &#8211; muitas vezes cleptocratas que vendem recursos, promovem a incompet\u00eancia e o nepotismo, assediam e oprimem a sociedade civil &#8211; pagam a rep\u00f3rteres e publica\u00e7\u00f5es de \u00a0falsas not\u00edcias (fake News)\u00a0 avultadas quantias de dinheiro para abafar aqueles que pretendem desvendar a injusti\u00e7a e responsabilizar as elites governantes. Usam a viol\u00eancia para nos intimidar, negam-nos acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e recusam-se at\u00e9 a atender o telefone quando levantamos quest\u00f5es. Os cidad\u00e3os relatam ter perdido a esperan\u00e7a, especialmente quandoas elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u00a0manipuladas apenas patra manter as mesmas elites pol\u00edticas no poder.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio notar que os nossos l\u00edderes corruptos, al\u00e9m de prejudicarem os seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os, tamb\u00e9m causam danos ao resto do mundo. Como ir\u00e1 a migra\u00e7\u00e3o para fora de \u00c1frica diminuir, quando os governantes cleptocratas beneficiam dela atrav\u00e9s de taxas de passaporte cada vez mais elevadas e do envolvimento em ag\u00eancias de tr\u00e1fico de seres humanos? Como podem as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a defloresta\u00e7\u00e3o serem travadas quando o financiamento internacional destinado a resolver estes problemas desaparece nos bolsos dos indiv\u00edduos? A Europa manifestou preocupa\u00e7\u00e3o com os golpes militares africanos, mas ser\u00e1 que espera realmente que os cidad\u00e3os desesperados continuem a submeter-se ao dom\u00ednio de regimes p\u00f3s-coloniais, ladr\u00f5es e incompetentes?<\/p>\n<p>No entanto, o facto de os nossos actuais l\u00edderes pol\u00edticos gastarem grandes quantias em pagar, promover not\u00edcias falsas \u00a0(Fake News) enquanto ca\u00e7am jornalistas cred\u00edveis, tamb\u00e9m parece mostrar que os mesmos \u00a0nos v\u00eaem, cada vez mais, como uma amea\u00e7a. Temos orgulho de ter isto em comum com os activistas, profissionais cr\u00edticos e outros cidad\u00e3os dos nossos pa\u00edses que desafiam os poderes actuais e os seus sistemas. As nossos reportagens sublinharam a necessidade de as pot\u00eancias internacionais ouvirem o grito de liberdade que cresce cada vez mais alto nos nossos \u00a0pa\u00edses. Como rep\u00f3rteres de investiga\u00e7\u00e3o africanos, comprometidos com a democracia, a justi\u00e7a social, a transpar\u00eancia e a responsabiliza\u00e7\u00e3o, precisamos de ser ouvidos e lidos em Londres, Paris, Nova Iorque e, na verdade, em Moscovo, Teer\u00e3o ou Pequim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temos o prazer de dizer que tamb\u00e9m neste aspecto fizemos grandes progressos em 2023, com publica\u00e7\u00f5es nossas ou sobre n\u00f3s nos meios de comunica\u00e7\u00e3o do Reino Unido, Fran\u00e7a, Pa\u00edses Baixos, B\u00e9lgica, It\u00e1lia e EUA. Em 2024 pedimos para sermos ainda mais ouvidos por estes meios de comunica\u00e7\u00e3o e pelos seus p\u00fablicos, simplesmente porque j\u00e1 n\u00e3o se vive como sempre. Sem as nossas vozes, sem apoio \u00e0 liberdade de imprensa e \u00e0 democracia no nosso continente, sem um esfor\u00e7o conjunto para enfrentar os opressores cleptocr\u00e1ticos, \u00c1frica corre o risco de cair ainda mais, com cada vez mais secas e conflitos, mais pessoas votando com os p\u00e9s, e cada vez mais desespero for\u00e7ando golpes militares e outros \u00a0pesadelo futuros \u00a0no continente.<\/p>\n<p>Os jornalistas n\u00e3o s\u00e3o ativistas, nem deveriam ser. Mas \u00e9 nosso dever profissional e \u00e9tico denunciar pelo interesse p\u00fablico, revelar irregularidades, responsabilizar os transgressores e, de facto, procurar ter\u00a0 um impacto \u00a0melhoria destas questoes. Fazemos este apelo ao apoio aos colegas, \u00e0 cidadania internacional em geral e ao mundo, porque acreditamos que com mais liberdade para meios de comunica\u00e7\u00e3o cred\u00edveis, mais apoio \u00e0s for\u00e7as da democracia e menos cleptocracia, \u00c1frica pode ser um lugar melhor. E que uma \u00c1frica melhor, mais bem equipada para servir o seu povo, bem como a sua natureza, florestas e clima, tamb\u00e9m significar\u00e1 um mundo melhor.<\/p>\n<p><strong>Comprometemo-nos, em 2024, a:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Distinguir-nos, membros do NAIRE, como jornalistas cred\u00edveis e \u00e9ticos que permanecem firmes no meio de uma enxurrada de not\u00edcias falsas e propaganda paga;<\/li>\n<li>Procurar o debate dentro das nossas comunidades, bem como com a comunidade internacional e os poderosos;<\/li>\n<li>Informar a nossa sociedade civil e dot\u00e1-la da informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para agir em prol do interesse p\u00fablico;<\/li>\n<li>Estabelecer uma presen\u00e7a forte nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, a partir dos quais planeamos envolver cada vez mais o p\u00fablico pan-africano e internacional;<\/li>\n<li>Apelar a colegas de pa\u00edses onde o jornalismo est\u00e1 mais protegido para trabalharem connosco em igualdade e ajudarem a amplificar o nosso trabalho;<\/li>\n<li>Apelar \u00e0s for\u00e7as pr\u00f3-democracia, aos pa\u00edses parceiros poderosos a n\u00edvel internacional, \u00e0 Uni\u00e3o Europeia e \u00e0 Uni\u00e3o Africana para apoiarem o jornalismo profissional e as for\u00e7as pela democracia, responsabiliza\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia no continente. E estabelecer este apoio em di\u00e1logo com as estruturas de cidad\u00e3os africanos, bem como com jornalistas independentes e as suas redes;<\/li>\n<li>Continuar a construir e utilizar a plataforma ZAM para transmitir as nossas chamadas e os nossos esfor\u00e7os transnacionais pan-africanos. E aumentar a sua fun\u00e7\u00e3o como canal de apoio editorial, de seguran\u00e7a, jur\u00eddico e psicol\u00f3gico que tanto nos falta na maioria dos nossos pa\u00edses;<\/li>\n<li>Envolver-nos com os apoiantes internacionais da democracia e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social livres para nos ajudar a criar plataformas de comunica\u00e7\u00e3o social mais profissionais e de boa qualidade em \u00c1frica.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Assinado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agather Atuhaire, jornalista independente, Uganda, @AAgather<\/p>\n<p>Anas Aremeyaw Anas, Ghana, @anasglobal<\/p>\n<p>Brezh Malaba, Newshawks, Zimbabwe, @BrezhMalaba<\/p>\n<p>Catherine Muema, Africa Uncensored, Kenya, @catevacemuema<\/p>\n<p>Charles Mafa, Centro Makanday de Jornalismo Investigativo, Z\u00e2mbia, @MakandayMedia<\/p>\n<p>Chief Bisong Etahoben, Cameroon, @ChiefBisongEta1<\/p>\n<p>David Demb\u00e9l\u00e9, D\u00e9p\u00eaches du Mali and Mail24Info, Mali, @alcofris<\/p>\n<p>Derick Matsengarwodzi, free-lance, Zimbabwe, @Comic24Derick<\/p>\n<p>Elizabeth BanyiTabi, The Guardian Post, Cameroon, @ElizabethTabi1<\/p>\n<p>Emmanuel Mutaizibwa, Nation Media, Uganda, @emutaizibwa<\/p>\n<p>Estacio Valoi, Moz24H, Mozambique, @estaciosvaloi<\/p>\n<p>Gregory Gondwe, Plataforma para Jornalismo Investigativo, Malawi, @PlatformMalawi<\/p>\n<p>Hayatte Abdou, National Magazine, Comoros, @hayatteabodu<\/p>\n<p>John-Allan Namu, Africa Uncensored, Kenya, @AFuncensored<\/p>\n<p>Josephine Chinele, Platform for Investigative Journalism, Malawi, @JosephineChinel<\/p>\n<p>Joy Kirigia, Africa Uncensored, Kenya, @Joy_Kirigia<\/p>\n<p>Musikilu Mojeed, Editor in Chief Premium Times, Nigeria, @musikilu<\/p>\n<p>Ngina Kirori, rep\u00f3rter investigativa e de projetos especiais, Nation Media, Qu\u00eania, @NginaKirori<\/p>\n<p>Ohemeng Tawiah, Joynews, Ghana, @ohemengtawiah<\/p>\n<p>Selay Marius Kouassi, journalist\/media trainer Information Integrity Initiative, Ivory Coast, @selaymariusk<\/p>\n<p>Taiwo Adebulu, The Cable, Nigeria, @taiween<\/p>\n<p>Theophilus Abbah, The Insight, Nigeria, @theinsightngr<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Veja nossas recentes publica\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p>Chore Liberdade, <a href=\"https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1563-human-rights-violations-2017-2022-in-nigeria-cameroon-uganda-zimbabwe-and-kenya\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1563-human-rights-violations-2017-2022-in-nigeria-cameroon-uganda-zimbabwe-and-kenya<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A riqueza sob seus p\u00e9s, <a href=\"https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1679-mozambique-southern-africa-s-mining-scars-part-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1679-mozambique-southern-africa-s-mining-scars-part-3<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1712-the-making-of-african-migration-losing-hope\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1712-the-making-of-african-migration-losing-hope<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios p\u00fablicos lutando contra a corrup\u00e7\u00e3o internamente,<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1728-public-servants-kenya-uganda-nigeria-ghana-malawi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1728-public-servants-kenya-uganda-nigeria-ghana-malawi<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O assassinato de Martinez Zogo <a href=\"https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1648-cameroon-the-murder-of-martinez-zogo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1648-cameroon-the-murder-of-martinez-zogo<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2023, a \u00c1frica revelou-se um lugar cada vez mais perigoso, tanto para os jornalistas como para o pr\u00f3prio jornalismo. 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