{"id":3320,"date":"2024-09-20T07:47:19","date_gmt":"2024-09-20T05:47:19","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org\/news\/?p=3320"},"modified":"2024-09-20T07:47:19","modified_gmt":"2024-09-20T05:47:19","slug":"na-floresta-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/na-floresta-ii\/","title":{"rendered":"Na Floresta II"},"content":{"rendered":"<p><strong>Na Floresta II<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Por Estacio Valoi\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 480px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-3320-1\" width=\"480\" height=\"864\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/MELUCO-TIMBER-2.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/MELUCO-TIMBER-2.mp4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/MELUCO-TIMBER-2.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<pre id=\"tw-target-text\" class=\"tw-data-text tw-text-large tw-ta\" dir=\"ltr\" data-placeholder=\"Translation\" aria-label=\"Translated text\" data-ved=\"2ahUKEwjY5p-l_MaIAxXaWkEAHVI5A_8Q3ewLegQIEBAU\"><span class=\"Y2IQFc\" lang=\"pt\">Estaleiros de Madeira em Meluco\/ Parque das Quirimbas. Imagem de Est\u00e1cio Valoi.<\/span><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Parque Nacional das Quirimbas em Cabo Delgado, Mo\u00e7ambique, \u00e9 um patrim\u00f3nio da UNESCO descrito na sua website como \u201cuma joia escondida na coroa de \u00c1frica, com uma bela floresta costeira, ilhas isoladas e \u00e1guas azul-turquesa\u201d. Supostamente, recebeu montantes significativos em fundos \u201cverdes\u201d de Fran\u00e7a, It\u00e1lia, UE, Banco Mundial e outros doadores para garantir a continua\u00e7\u00e3o da sua exist\u00eancia como uma biosfera intocada. Mas a explora\u00e7\u00e3o madeireira voraz dentro do parque est\u00e1 devastando a \u00e1rea. Diz-se que os culpados s\u00e3o uma empresa madeireira chinesa em colabora\u00e7\u00e3o com funcion\u00e1rios de ag\u00eancias do parque. A parceria \u00e9 alegadamente apoiada por liga\u00e7\u00f5es de alto n\u00edvel no sistema judicial e no governo do partido no poder \u2013 o mesmo governo que est\u00e1 a arrecadar fundos verdes.<\/p>\n<p>Setembro de 2023, praia de Wimbe, Pemba. Tr\u00eas funcion\u00e1rios da Ag\u00eancia Nacional de Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA) de Mo\u00e7ambique, encarregados de manter os padr\u00f5es ambientais nas reservas naturais do pa\u00eds, explicam como veem o Parque das Quirimbas a deteriorar-se diante dos seus olhos. \u201cTodos os dias os comerciantes transportam camioes\u201d, dizem eles. \u201cNossos chefes apenas enchem seus bolsos com dinheiro .\u201d Falam em tentar estancar a hemorragia aplicando multas e san\u00e7\u00f5es, apresentando queixa e confiscando cami\u00f5es, mas invariavelmente os seus esfor\u00e7os n\u00e3o d\u00e3o em nada. \u201cAlgu\u00e9m ir\u00e1 ligar (ao governo em) Maputo\u201d ou \u201cligar para o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Sofala\u201d \u2013 a entidade do departamento de justi\u00e7a mais pr\u00f3xima, que supostamente far\u00e1 o acompanhamento das acusa\u00e7\u00f5es \u2013 ou ambos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os denunciantes tentaram estancar a hemorragia<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Cabe\u00e7a grande&#8221;<\/p>\n<p>Segundo os funcionarios \u200b\u200bda AQUA, o principal culpado da desfloresta\u00e7\u00e3o maci\u00e7a \u2013 que exp\u00f5e cada vez mais o parque a tempestades e \u00e0 eros\u00e3o \u2013 \u00e9 uma empresa chinesa. A Success Investments \u00e9 liderada pelo magnata chin\u00eas Yu Guofa, apelidado de \u201cCabe\u00e7a Grande\u201d. No in\u00edcio deste ano, as exporta\u00e7\u00f5es de madeira n\u00e3o processada e em grande escala da empresa <a href=\"https:\/\/eia.org\/wp%20content\/uploads\/2024\/06\/EIA_US_Mozambique_Timber_Report_0424_FINAL_SINGLES-5-13.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/eia.org\/wp content\/uploads\/2024\/06\/EIA_US_Mozambique_Timber_Report_0424_FINAL_SINGLES-5-13.pdf<\/a> por violar diversas proibi\u00e7\u00f5es de exporta\u00e7\u00e3o mo\u00e7ambicanas.<\/p>\n<p>A EIA tamb\u00e9m informou que Yu \u00e9 conhecido por se gabar da sua \u201camizade pessoal\u201d com o presidente mo\u00e7ambicano Filipe Nyusi, bem como com\u00a0 o proeminente membro do partido no poder,Frelimo, o General Chipande que detem empresas que estiveram anteriormente implicadas numa<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1125-mozambique-licensed-to-plunder\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.zammagazine.com\/investigations\/1125-mozambique-licensed-to-plunder<\/a><\/p>\n<p>devastadora explora\u00e7\u00e3o e pesca excessiva das \u00e1guas costeiras de Cabo Delgado. Uma fonte pr\u00f3xima de Yu disse aos investigadores da EIA que \u201co General ajuda o Sr. Yu com os documentos de madeira\u201d.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5594\" src=\"https:\/\/moz24h.co.mz\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/inside_QNP_Namitil_Meluco-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"659\" height=\"371\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cOs chefes tamb\u00e9m vendem madeira por conta pr\u00f3pria\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Os funcion\u00e1rios denunciantes da (AQUA) na praia de Wimbe acrescentam que receber subornos, multas e penalidades n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma de as autoridades do parque beneficiarem da explora\u00e7\u00e3o madeireira na reserva natural. \u201cOs nossos chefes, o Delegado Jorge Tassicane Mbofana tamb\u00e9m receberam pelos 5.000 hectares de \u00e1rvores abatidas que venderam por conta pr\u00f3pria. Os chineses cortaram a favor deles.\u201d Os pedidos de coment\u00e1rios em direito a resposta sobre as diversas alega\u00e7\u00f5es, enviados \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do Parque das Quirimbas, a Agencia Nacional de Administracao de reservas \u00a0e parques (ANAC) e \u00e0 pr\u00f3pria (AQUA), ficaram sem resposta.<\/p>\n<p><em><strong>Um mist\u00e9rio do Golfo<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Um misterioso comerciante, que se diz estar baseado num dos estados do Golfo, \u00e9 aquele que, de acordo com os funcionarios \u200b\u200bda AQUA, \u201cliga para o gabinete do procurador de Sofala\u201d para fazer desaparecer os casos de explora\u00e7\u00e3o madeireira ilegal. Os respons\u00e1veis \u200b\u200bdizem ainda que este comerciante, cujo nome desconhecem, recebe unidades de madeira cortada ilegalmente directamente da administra\u00e7\u00e3o do Parque das Quirimbas, que por sua vez \u201crecebe como presente dos madeireiros chineses\u201d em troca de fechar os olhos \u00e0s suas pr\u00e1ticas na reserva natural. O comerciante ent\u00e3o despacha-o do porto da Beira, em Mo\u00e7ambique, acrescentam. Colegas jornalistas na Beira confirmam que j\u00e1 ouviram falar do homem. Tamb\u00e9m n\u00e3o sabem o seu nome, mas dizem que frequenta os restaurantes sofisticados da Beira \u201cmuitas vezes na companhia do filho do Presidente Nyusi, Florindo\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Cerca de uma semana depois, o editor de um boletim informativo comercial na capital Maputo telefona-me. Ele diz que foi contatado pelo comerciante estrangeiro em quest\u00e3o, que quer ficar fora da hist\u00f3ria. \u201cEle quer saber quanto dinheiro voc\u00ea quer?\u201d O editor tamb\u00e9m n\u00e3o quer citar o nome do \u201cseu contato\u201d, mas na discuss\u00e3o fica claro que se trata do mesmo homem. Finjo considerar a oferta e pergunto se podemos enviar algumas perguntas para a entrevista. O editor promete repassar as perguntas, mas volta dizendo que \u201co contato\u201d n\u00e3o quer conversar de jeito nenhum.<\/em><\/p>\n<p><em>Isso \u00e9 real ou um esquema? N\u00e3o seria a primeira vez em Mo\u00e7ambique que algu\u00e9m tentava colocar-se entre um jornalista e a sua hist\u00f3ria, manipulando ambos os lados, extorquindo o sujeito da hist\u00f3ria e esperando embolsar ele pr\u00f3prio a maior parte do dinheiro da chantagem. Seja qual for o caso, o nome do comerciante de madeira do Golfo permanecer\u00e1 um mist\u00e9rio por enquanto.<\/em><\/p>\n<p><strong>Al-Shabab<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Entrar no parque para ver por mim mesmo \u00e9 mais f\u00e1cil falar do que fazer. Desde 2017, toda a prov\u00edncia de Cabo Delgado, incluindo o Parque das Quirimbas, \u00e9 palco de uma insurg\u00eancia armada. Ahlu Sunnah Wal Jamaah, conhecido localmente como \u201cnosso Al-Shabab\u201d (distinto do Al-Shabab na Som\u00e1lia), um conjunto de algumas centenas de jovens militantes que invadem violentamente comunidades, executam aqueles que se interp\u00f5em no seu caminho e \u201cliberam\u201d territ\u00f3rios , \u00e9 em si um produto da explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria dos recursos naturais \u2013 explora\u00e7\u00e3o madeireira e minera\u00e7\u00e3o \u2013 na regi\u00e3o, e das muitas remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas de moradores que da\u00ed resultaram. Mas embora o trauma e a expropria\u00e7\u00e3o desempenhem um papel nas origens do movimento, ainda n\u00e3o se quer topar com as suas brigadas armadas. Menos ainda quero conhecer os soldados mo\u00e7ambicanos que os combatem, pois tamb\u00e9m t\u00eam pouca toler\u00e2ncia para olhares indiscretos. A \u00faltima vez que encontrei as For\u00e7as Armadas de Defesa de Mo\u00e7ambique, disseram-me para desaparecer, a menos que eu pr\u00f3prio quisesse ser \u201catirado \u00e0 lenha\u201d.<\/p>\n<p>Os soldados amea\u00e7aram atirar -me \u201cna lenha\u201d. Antes portanto, comeco em Montepuez, centro comercial de Cabo Delgado, 200 quil\u00f3metros a oeste de Pemba. Por aqui passam todos os caminh\u00f5es que transportam madeira, marfim, rubis, granito, grafite ou ouro.<\/p>\n<p><strong>Crateras \u00a0e buracos<\/strong><\/p>\n<p>A viagem de Pemba para Montepuez demorava pouco mais de duas horas, mas isso foi antes de os cami\u00f5es come\u00e7arem a ir e vir. Agora, a estrada apresenta tantos\u00a0 buracos que at\u00e9 mesmo viajantes experientes ficam enjoados no trepidar \u00a0e serpentear as autenticas crateras . H\u00e1 muito abandonado pela Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Estradas, os trabalhos rudimentares de repara\u00e7\u00e3o s\u00e3o feitos por crian\u00e7as das comunidades, \u00a0deslocadas pela insurg\u00eancia. \u00a0Vivendo em abrigos prec\u00e1rios e com pouca capacidade para cuidar deles, ou em uma das casas de capim que surgiram \u00e0 beira da estrada, As criancas varrem areia, pedras sobre covas com suas m\u00e3os nuas perdidas no vermelho do solo, rasgadas pelas pedras que v\u00e3o recolhendo para tapar os buracos ao esquivo permanente de viaturas de toda carga que por elas passam. De bra\u00e7o estendido, palma da m\u00e3o espalhada, de quando-em-vez cai-lhes umas quinhentas a 10 meticais largados por alguns automobilistas. Por ali de vez em passaJorge Govanhica, diretor provincial da Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Estradas na sua\u00a0\u00a0 Toyota Hilux cinzenta\u00a0 zumbindo, de vento em popa l\u00e1 cruza os buracos autenticas crateras, \u00a0pelo retrovisor deixando as<\/p>\n<p>Criancas para tras que vao tentando proteger seus dedinhos faz tempo nao seguram uma caneta, imploram por \u201cpedintes\u201d aos motoristas.<\/p>\n<p><strong>As crian\u00e7as fazem reparos rudimentares<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de n\u00f3s \u2013 eu e dois membros da equipe de investiga\u00e7\u00e3o ambiental em nosso 4&#215;4 alugado \u2013 \u00a0os carros nesta estrada s\u00e3o, em sua maioria, ve\u00edculos de ajuda, que est\u00e3o aqui para distribuir paracetamol, latas de comida e mosquiteiros nos escassos abrigos da regi\u00e3o. N\u00e3o ser\u00e1 suficiente para as dezenas de fam\u00edlias deslocadas que percorrem as estradas e caminhos do mato, carregando fardos, na esperan\u00e7a de encontrar um lugar seguro, ou um saco de feij\u00e3o, arroz ou \u00f3leo do Programa Alimentar Mundial.<\/p>\n<p><strong>O centro commercial<\/strong><\/p>\n<p>Em Montepuez a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 diversifica .Os madeireiros, os moradores locais e os deslocados partilham as ruas com comerciantes de rubi e ouro que v\u00eam de lugares t\u00e3o distantes como a Tanz\u00e2nia, a Nig\u00e9ria, o Senegal e a Som\u00e1lia, e que se re\u00fanem em locais cafes abertos nas bombas de combustiveis para beber no final da tarde, quando h\u00e1 menos risco de ser preso, detido ou extorquido por ser estrangeiro ilegal. Aqui tamb\u00e9m se misturam\u00a0 ladr\u00f5es de carros\u00a0 trazidos da \u00c1frica do Sul para vender aqui. Os madeireiros locais Abdul* e Amade* apontam para um D4D Legend 45, um Prado, um Mark II, um Lexus que passa, ligando os ve\u00edculos a inspetores do parque,florestas bem conhecidos. \u201cAlguns deles possuem seis destes\u201d, dizem eles.<\/p>\n<p>Abdul e Amade trabalham para Cabe\u00e7a Grande, simplesmente porque hoje em dia ele \u00e9 o \u00fanico show da cidade quando o assunto \u00e9 madeira. Os dois, que dirigem cami\u00f5es de madeira para ele, confirmam que o chefe tem contatos em posicoes \u00a0importantes. \u201cNossos caminh\u00f5es pagam apenas US$ 50 e passam. Uma vez os inspectores fizeram-se de dif\u00edceis, mas os nossos chefes disseram-nos apenas para dizer-lhes para contactar o administrador do parque, Duarte Laqueliua. Ent\u00e3o, de repente, o corte foi autorizado como parte de um programa de Maputo.\u201d Outro caso de que se lembram \u00e9 quando alguns cami\u00f5es de madeira de Cabe\u00e7a Grande foram parados e detidos dentro do parque. \u201cMas bastou dizer que a madeira era de (um dos testa de ferro de Cabe\u00e7a Grande), foram imediatamente libertos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Alguns dos inspetores florestais possuem seis viaturas de luxo<\/strong><\/p>\n<p>Uma entidade\u00a0 localmente registada chamada Associa\u00e7\u00e3o Futuro Melhor, det\u00e9m uma licen\u00e7a de explora\u00e7\u00e3o florestas-madeira, cortar \u00e1rvores na prov\u00edncia. Mas segundo Abdul e Amade os patr\u00f5es locais funcionam como \u201cpequenos chefes\u201d para os chineses, extraindo madeira no Parque das Quirimbas, onde \u00e9 proibido. \u201cComo todas as esp\u00e9cies valiosas de \u00e1rvores, como Jambire e Pau Preto, foram exterminadas (em outros lugares), os chineses foram trazidos para dentro do parque dessa forma. Toda a madeira agora vem de dentro do parque\u201d, diz Abdul. Amade <strong>acrescenta<\/strong> que ainda assim sobra pouca madeira. \u201cEm 2017 pod\u00edamos carregar diariamente entre 10 e 15 caminh\u00f5es de toras de Umbila com di\u00e2metro de 50 a 60 cent\u00edmetros, mas atualmente \u00e9 dif\u00edcil encher 5 caminh\u00f5es e o di\u00e2metro m\u00e1ximo \u00e9 38.\u201d Jambire, Pau Preto e Umbila s\u00e3o esp\u00e9cies protegidas.<\/p>\n<div style=\"width: 848px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-3320-2\" width=\"848\" height=\"478\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Video-2024-07-07-at-10.03.55.mp4?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Video-2024-07-07-at-10.03.55.mp4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cjimoz.org\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Video-2024-07-07-at-10.03.55.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>Montepuez \/Camioes a caminho dos estaleiros chineses\/ Video Estacio Valoi<\/p>\n<p><strong>Patinagem<\/strong><\/p>\n<p>Naquela noite, comendo \u00e0 beira da estrada, observamos as classes sociais de Montepuez: aqueles que pedem grandes jantares em restaurantes luxuosos; aqueles que comem pequenas por\u00e7\u00f5es em caf\u00e9s; e aqueles que n\u00e3o t\u00eam dinheiro para comprar comida. A riqueza de que gozam alguns, com os seus ve\u00edculos e gostos caros, continua a chamar\u00a0 aten\u00e7\u00e3o nesta cidade. \u201cEsta \u00e9 uma \u00e1rea circular de patinagem\u201d, brinca Amade. \u201cO dinheiro sai daqui (os recursos dos cami\u00f5es) e volta para Montepuez.\u201d<\/p>\n<p><strong>Os recursos v\u00e3o embora, o dinheiro volta<\/strong><\/p>\n<p>Regressando a Pemba na manh\u00e3 seguinte, viajamos atr\u00e1s de um comboio de cami\u00f5es de cor vermelha e azul com escrita em chin\u00eas e a tradu\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas na frente \u00e0 direita: \u201cSinotruk\u201d. Contamos cerca de 15, um conjunto quase intermin\u00e1vel de camioes com contentores cheios de madeira, a caminho do porto, Pemba. Viajam r\u00e1pido, uma jornada fren\u00e9tica apesar das crateras na estrada, indo descarregar rapidamente antes de retornar ao estaleiro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5591\" src=\"https:\/\/moz24h.co.mz\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_7642-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"603\" height=\"402\" \/><\/p>\n<pre id=\"tw-target-text\" class=\"tw-data-text tw-text-large tw-ta\" dir=\"ltr\" data-placeholder=\"Translation\" aria-label=\"Translated text\" data-ved=\"2ahUKEwjY5p-l_MaIAxXaWkEAHVI5A_8Q3ewLegQIEBAU\"><span class=\"Y2IQFc\" lang=\"pt\">Cami\u00e3o chin\u00eas perto do Parque das Quirimbas. Imagem de Est\u00e1cio Valoi.<\/span><\/pre>\n<p><strong>Campos de futebol vazios<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Paramos a meio do caminho na aldeia de Muaja, onde os cami\u00f5es tendem a entrar nas Quirimbas. Procurando orienta\u00e7\u00e3o, encontro o fiscal Pedro, que trabalhava no santu\u00e1rio de elefantes de Taratibo, no interior do parque. Ele diz que sabe onde ficam as \u00e1reas seguras e juntos entramos a zona na nossa viatura.<\/p>\n<p>N\u00e3o dirigimos muito antes de vermos as \u00e1rvores diminuindo. O capim \u00a0alto est\u00e1 por toda parte menos as \u00e1rvores n\u00e3o est\u00e3o mais: as manchas vermelhas e vazias s\u00e3o t\u00e3o grandes quanto campos de futebol. Quando nos aproximamos da aldeia Ngura, alguns moradores aparecem na beira da estrada. Olham para n\u00f3s com olhares de incompreens\u00e3o enquanto avan\u00e7amos pela Estrada de terra batida onde o capim \u00a0\u00a0cresce a metros de altura que dificulta a visao ampla. A apar\u00eancia deles vai nos deixando desconfort\u00e1veis. Talvez o Al-Shabab esteja aqui afinal !Mas,n\u00f3s nos viramos.<\/p>\n<p>Mais tarde naquela tarde, de volta a Muaja, encontrei o operador florestal local e propriet\u00e1rio de cami\u00e3o Miguel*, que tamb\u00e9m trabalha para Cabe\u00e7a Grande. Ele explica que os seus chefes chineses n\u00e3o t\u00eam problemas com os terroristas. \u201cEles simplesmente pagam\u201d, diz ele. \u201cCortamos de Muaja para Ngura (despreocupados). \u00c0s vezes tamb\u00e9m somos escoltados por inspetores do parque.\u201d<\/p>\n<p><strong>Os chineses apenas pagam aos terroristas<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Miguel, relembrando junto \u00e0 sua casa de tijolos castanhos feita de lama queimada no seu quintal cercado de bambu, diz que se lembra com carinho dos \u201cdias de gl\u00f3ria em que havia muita madeira\u201d e conseguia alimentar a fam\u00edlia sem problemas. Agora, os chineses s\u00e3o os \u00fanicos que permanecem no neg\u00f3cio. \u201cEles apenas pagam aos insurgentes\u201d, repete um colega que se juntou a n\u00f3s, um jovem magro que tamb\u00e9m trabalha como transportador para a empresa. \u201cEles s\u00e3o os \u00fanicos que ainda v\u00e3o para l\u00e1. Existem \u00e1reas enormes onde apenas os chineses, os terroristas e o ex\u00e9rcito podem entrar.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>\u201cAl-Shabab fatura US$ 2 milh\u00f5es por m\u00eas\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Segundo c\u00e1lculo do instituto de investiga\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica de Mo\u00e7ambique<a href=\"https:\/\/www.iese.ac.mz\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/cadernos_17eng.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.iese.ac.mz\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/cadernos_17eng.pdf<\/a> citado pelo <a href=\"https:\/\/eia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/EIA_US_Mozambique_Timber_Report_0424_FINAL_SINGLES-5-13.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/eia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/EIA_US_Mozambique_Timber_Report_0424_FINAL_SINGLES-5-13.pdf<\/a>, a explora\u00e7\u00e3o madeireira ilegal poderia render aos insurgentes em Cabo Delgado cerca de 2 milh\u00f5es de d\u00f3lares por m\u00eas. A EIA afirma que as empresas de recursos da prov\u00edncia pagam \u00e0 \u201cAhlu Sunnah Wal Jamaah\u201d, tamb\u00e9m conhecida localmente como \u201co nosso Al-Shabab\u201d, para poderem operar nas \u00e1reas controladas pelo grupo. Em Setembro de 2023, mais de 6.500 pessoas tinham sido mortas e mais de 830.000 deslocadas devido \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o. No seu relat\u00f3rio, a EIA afirma que 30% da madeira extra\u00edda em Cabo Delgado corre alto risco de vir de florestas ocupadas pela insurg\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><strong>Motosserras em Quissanga<\/strong><\/p>\n<p>Francisco*, um membro do partido no poder da Frelimo e empres\u00e1rio que conheci em Pemba, tamb\u00e9m est\u00e1 envolvido no neg\u00f3cio da madeira, mas diz que n\u00e3o cortar\u00e1 \u00e1rvores na reserva natural porque \u201cvoc\u00ea pode ir para a pris\u00e3o de 2 a 5 anos por isso\u201d. .\u201d Ele tamb\u00e9m diz ter observado o corte de madeira pelos chineses dentro das Quirimbas. \u201cDava para ouvi-los durante todo o ano passado perto de Quissanga (\u00e1rea dentro do parque). Havia muito barulho de cerca de vinte caminh\u00f5es, motosserras e tratores. Os insurgentes n\u00e3o os incomodaram. Eles s\u00f3 tiveram que parar por um tempo no ano passado (2023), Outubro, Novembro e Dezembro, quando houve combates reais em Quissanga.\u201d<\/p>\n<p>Este relato est\u00e1 correlacionado com o an\u00fancio feito em 29 de Dezembro de 2023, pelo Servi\u00e7o Nacional de Investiga\u00e7\u00e3o Criminal de Mo\u00e7ambique (SERNIC) de que apreendeu 84 unidades de pau-ferro \u201cpertencentes a um cidad\u00e3o chin\u00eas\u201d que foram transportadas ilegalmente de Quissanga para um armaz\u00e9m de madeira em Montepuez. O SERNIC informou ainda que tr\u00eas cidad\u00e3os mo\u00e7ambicanos, \u201csupostos contrabandistas de madeira, (foram) encontrados numa \u00e1rea do Parque Nacional das Quirimbas\u201d, embora a sua licen\u00e7a estivesse limitada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o em Meluco (fora do parque). Segundo o relat\u00f3rio do SERNIC, tamb\u00e9m foi apreendido um cami\u00e3o cheio de madeira cortada no parque.<\/p>\n<p><strong>A madeira apreendida foi devolvida aos comerciantes infratores<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>No entanto, os tr\u00eas funcion\u00e1rios denunciantes da AQUA e Francisco dizem que as unidades apreendidas foram logo devolvidas aos comerciantes infratores. \u201cCabe\u00e7a Grande pagou quantias substanciais para libertar a unidade, o cami\u00e3o e os tr\u00eas detidos\u201d, diz Francisco.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis \u200b\u200bda AQUA t\u00eam n\u00fameros: \u201cO motorista que foi preso foi libertado sob fian\u00e7a de (o equivalente a) 1.500 d\u00f3lares. A liberta\u00e7\u00e3o dos demais detidos, da madeira e do cami\u00e3o foi organizada por um valor pr\u00f3ximo a US$ 200 mil.\u201d Isto tamb\u00e9m \u00e9 confirmado por Abdul, que foi um dos madeireiros detidos dentro do parque.<\/p>\n<p>Pedidos de coment\u00e1rios sobre as diversas alega\u00e7\u00f5es deste relat\u00f3rio foram enviados \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do Parque das Quirimbas; Gest\u00e3o AQUA; e a Ag\u00eancia de Parques de Mo\u00e7ambique (ANAC). Nenhuma resposta de nenhum deles foi recebida. O n\u00famero de WhatsApp da Associa\u00e7\u00e3o Futuro Melhor tamb\u00e9m n\u00e3o respondeu \u00e0s mensagens com pedido de coment\u00e1rios. N\u00e3o foi poss\u00edvel obter detalhes de contato ou qualquer informa\u00e7\u00e3o de registro de empresa para Success Investments ou Yu Guofa.<\/p>\n<p><em><strong>Os milh\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o nos livros<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>De acordo com um relat\u00f3rio financeiro da Ag\u00eancia de Parques de Mo\u00e7ambique (ANAC) sobre as actividades no Parque das Quirimbas no per\u00edodo de cinco anos entre 2019 e 2024, foram implementados quatro projectos ambientais no parque. Os projectos, denominados Mozbio, Abelha, Albela II e MozNorte, v\u00e3o desde a \u201cmelhoria da efici\u00eancia da gest\u00e3o\u201d da apicultura at\u00e9 subs\u00eddios de resili\u00eancia clim\u00e1tica para as comunidades. As quatro iniciativas ter\u00e3o contribu\u00eddo com cerca de 50 milh\u00f5es de meticais (o equivalente a 780 mil d\u00f3lares) para o Parque das Quirimbas durante este per\u00edodo de cinco anos.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_5592\" style=\"width: 717px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5592\" class=\" wp-image-5592\" src=\"https:\/\/moz24h.co.mz\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Deforestation-Mozambique-300x275.jpg\" alt=\"\" width=\"707\" height=\"648\" \/><p id=\"caption-attachment-5592\" class=\"wp-caption-text\">Screenshot<\/p><\/div>\n<p>P\u00e1gina do relat\u00f3rio da ANAC listando os recursos recebidos pelo parque entre 2019 e 2024.<\/p>\n<p><strong>\u201cDev\u00edamos ter fundos para o desenvolvimento comunit\u00e1rio\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDever\u00edamos ter fundos, al\u00e9m da conserva\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m para o desenvolvimento comunit\u00e1rio, como a cria\u00e7\u00e3o de aves e caprinos, e a constru\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas de filtros de \u00e1gua na aldeia de Bilibiza para processamento de arroz\u201d, disse Antonio*, funcion\u00e1rio do parque que denunciou a den\u00fancia.<\/p>\n<p>\u201cMas milh\u00f5es de d\u00f3lares para isso nunca chegaram (aos n\u00edveis de pessoal). E eles n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddos neste relat\u00f3rio. Mesmo as ferramentas para os inspetores florestais n\u00e3o chegam at\u00e9 n\u00f3s. (Os patr\u00f5es) administram uma \u00e1rea que n\u00e3o conhecem e n\u00e3o t\u00eam interesse em conhecer.\u201d\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ZAM n\u00e3o encontrou entrada nas contas das Quirimbas da ANAC no valor de 150 mil d\u00f3lares <a href=\"https:\/\/clubofmozambique.com\/news\/montepuez-ruby-mining-and-anac-renew-agreement-to-support-quirimbas-national-park-206925\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/clubofmozambique.com\/news\/montepuez-ruby-mining-and-anac-renew-agreement-to-support-quirimbas-national-park-206925\/<\/a> a ser pago em tr\u00eas parcelas entre 2021-2023.<\/p>\n<p>Encontr\u00e1mos apenas um exemplo de ajuda prestada pelas autoridades provinciais aos moradores das Quirimbas: um milh\u00e3o de meticais, 15.000 d\u00f3lares foram <a href=\"https:\/\/clubofmozambique.com\/news\/cabo-delgado-governor-hands-over-funds-to-13-communities-in-quirimbas-national-park-242946\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/clubofmozambique.com\/news\/cabo-delgado-governor-hands-over-funds-to-13-communities-in-quirimbas-national-park-242946\/<\/a> pelo Governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, em 2023.<\/p>\n<p>O tempo foi demasiado curto para contactar todos os financiadores para coment\u00e1rios, mas uma lista de perguntas sobre o financiamento europeu foi enviada \u00e0 delega\u00e7\u00e3o da UE em Mo\u00e7ambique, que acusou a recep\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<p>Esta investiga\u00e7\u00e3o publicada pelo ZAMMAGAZINE teve o apoio da<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mezimbite_Forest_Center\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mezimbite_Forest_Center<\/a> e o <a href=\"https:\/\/henrynxumalofoundation.co.za\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/henrynxumalofoundation.co.za\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Floresta II \u00a0Por Estacio Valoi\u00a0 &nbsp; Estaleiros de Madeira em Meluco\/ Parque das Quirimbas. 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