{"id":3372,"date":"2025-03-21T06:53:01","date_gmt":"2025-03-21T04:53:01","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/?p=3372"},"modified":"2025-03-21T06:53:01","modified_gmt":"2025-03-21T04:53:01","slug":"tudo-e-todos-correm-a-velocidade-da-luz-mphanda-nkuwa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/tudo-e-todos-correm-a-velocidade-da-luz-mphanda-nkuwa\/","title":{"rendered":"Tudo e todos correm \u00e0 velocidade da luz -Mphanda Nkuwa"},"content":{"rendered":"<p>Por Estacio Valoi<\/p>\n<p><strong>Chegava a Tete numa das mais recentes viagens \u00e0quela Prov\u00edncia de requintado cabrito de \u00e1guas do Zambeze \u00a0que apesar da sua majestosa exposi\u00e7\u00e3o continuam longe de apagar o carv\u00e3o que arde sem parar, uma vaga de calor que nos deixa a permanente \u00a0pingos . Desta vez n\u00e3o aterrei no \u2018chapa a\u00e9reo\u2019 \u00e0 moda Embraer, mas sim num outro que dava at\u00e9 para esticar as pernas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Do lado de fora estava um companheiro que com o seu celular ia fazendo fotos para depois confidenciar-me \u2018aquele \u00e9 que \u00e9 o director do Gabinete de Mpanda Nkuwa. Seu vice chegou ontem\u2019. Era um senhor meio achinesado, de uma estatura mediana, trajado de camisete verde com barragem na cabe\u00e7a aparentemente ilustrada pelo couro cabeludo &#8211; umas partes carecas pareciam a zona entre os montes onde se pretende construir a barragem de Mpanda Nkuwa.<\/strong><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-7533\" src=\"https:\/\/moz24h.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/director-Mpandakua-2-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"741\" height=\"988\" \/><\/p>\n<p><strong>Em 2024, o director do Gabinete de Implementa\u00e7\u00e3o do projecto hidroel\u00e9ctrico de Mphanda Nkuwa, Carlos Yum, sem precisar o custo dos estudos nem a data da constru\u00e7\u00e3o, mas com a promessa do in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o de energia em 2031, afirmava que \u201csem preju\u00edzo da seguran\u00e7a energ\u00e9tica para o pa\u00eds, o projecto criar\u00e1 oportunidade de exporta\u00e7\u00e3o de energia para a regi\u00e3o. No fundo, o que vamos fazer \u00e9 complementar a robustez de interliga\u00e7\u00e3o que Mo\u00e7ambique tem. O pa\u00eds tem capacidade de 6 mil MW para a regi\u00e3o, mas \u00e9 engra\u00e7ado que, internamente, s\u00f3 tem capacidade para 5 mil MW, pelo que essa espinha dorsal vai ser importante para aumentar a capacidade norte, centro e sul, mas vai aproveitar a interliga\u00e7\u00e3o com a regi\u00e3o\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Tudo e todos correm \u00e0 velocidade de luz, uns com as ferramentas na m\u00e3o e as comunidades a dizerem \u201cn\u00e3o queremos essa barragem\u201d. Pois \u00e9 la onde seus antepassados nasceram, cresceram, tal como eles, tem terra f\u00e9rtil onde abunda gado bovino, caprino, e algum gado su\u00edno, machambas onde cultivam diversas culturas para o seu sustento, o rio Zambeze de onde tiram n\u00e3o s\u00f3 o peixe mas a \u00e1gua para o seu consumo di\u00e1rio, e por aqueles lados as comunidades tamb\u00e9m v\u00e3o explorando ouro, mas sempre com o Zambeze ao seu lado, parceiro e amigo de longas d\u00e9cadas.<\/p>\n<div id=\"attachment_7535\" style=\"width: 745px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7535\" class=\" wp-image-7535\" src=\"https:\/\/moz24h.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/GOV-TETE--300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"735\" height=\"490\" \/><p id=\"caption-attachment-7535\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Estacio Valoi\/ Domingos Viola\/ Gov-Tete<\/p><\/div>\n<p>Contudo, para Domingos\u00a0 Viola, governador da prov\u00edncia de Tete, versando sobre a sua viv\u00eancia com o Zambeze, afirma que nos seus momentos de f\u00faria, ningu\u00e9m o para. \u201cN\u00f3s temos \u00e1gua do Zambeze que s\u00f3 nos cria problemas em todas as \u00e9pocas\u00a0 A \u00fanica barragem que trabalhamos com ela para conter as inunda\u00e7\u00f5es e destrui\u00e7\u00f5es devido ao curso do Zambeze \u00e9 a barragem de Cahora Bassa.\u201d<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outros \u201c pontos estrat\u00e9gicos\u2019 para a constru\u00e7\u00e3o de barragens como \u201c \u00a0Baroma,\u00a0 Moatize entre o lim\u00edtrofe entre o Tambara e Doa.<\/p>\n<p>Segundo o governador Mphanda Nkuwa \u00e9 um projecto vi\u00e1vel,e apresenta n\u00fameros astronomicos \u00a0referindo que \u00a0\u201cMphanda Nkuwa prev\u00ea mais de 7 mil empregos sazonais na fase da constru\u00e7\u00e3o, e prev\u00ea mais de 3 mil empregos fixos na fase de explora\u00e7\u00e3o, onde mo\u00e7ambicanos poder\u00e3o ter uma renda fixa para melhor suas rendas.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_7536\" style=\"width: 714px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7536\" class=\" wp-image-7536\" src=\"https:\/\/moz24h.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/IMG_8840-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"704\" height=\"469\" \/><p id=\"caption-attachment-7536\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Estacio Valoi\/HCB<\/p><\/div>\n<p>Com a Hidroel\u00e9ctrica de Cahora Bassa j\u00e1 no \u2018seu m\u00e1ximo\u2019, com a produ\u00e7\u00e3o de 2.45 MW a escassos quil\u00f3metros, dentro da vila do Songo apenas algumas casas t\u00eam energia da HCB, e as comunidades rurais que se encontram um pouco por todo o distrito continuam sem electricidade. As comunidades v\u00eaem postes, torres e cabos passarem com energia para outros lados. Como muito bem o governador faz men\u00e7\u00e3o, \u00e0 semelhan\u00e7a de Cahora Bassa,\u00a0 \u201ccomo uma outra fonte com essa capacidade de produ\u00e7\u00e3o de energia, e vem Mphanda Nkuwa que vai ter capacidade de produzir 1.500 MW de energia. Ent\u00e3o os projectos que n\u00f3s temos s\u00e3o para alimentar a Z\u00e2mbia, o Malawi, \u00e9 um projecto concreto porque h\u00e1 amplia\u00e7\u00e3o da subesta\u00e7\u00e3o de Matambo.\u00a0 J\u00e1 est\u00e1 em curso a constru\u00e7\u00e3o da linha de alta tens\u00e3o para a alimenta\u00e7\u00e3o de Malawi, Z\u00e2mbia,\u00a0 Zimbabwe, j\u00e1 \u00e9 uma realidade. \u00c1frica do Sul recebe energia de n\u00f3s, achamos que este projecto \u00e9 vi\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto os planos e projectos de alimentar os pa\u00edses da regi\u00e3o, e ficando Tete para segundo plano. Domingos vai pondo o dedo nas feridas\u00a0 alegadamente abertas pelo\u00a0 Zambeze desde h\u00e1 anos: \u201cos danos que o Zambeze causa em Mutarara, Doa, Chinde quando est\u00e1 no tempo das inunda\u00e7\u00f5es&#8230; fui administrador de Doa, vivi a realidade da capacidade destruidora que o Zambeze tem quando est\u00e1 a transportar \u00e1gua para o oceano. Seria uma das alternativas que n\u00f3s como governo ter\u00edamos para conter os danos. Pod\u00edamos produzir na zona de Mutarara durante todo o ano, termos duas tr\u00eas ou \u00e9pocas porque ter\u00edamos certeza que aquele campo onde estamos a lan\u00e7ar as sementes n\u00e3o teria inunda\u00e7\u00f5es. Em 2019, com o ciclone Idai, todas as infraestruturas implantadas foram embora com as \u00e1guas.\u201d<\/p>\n<p>E os membros das comunidades amea\u00e7adas e afectadas pelo projecto da barragem de Mphanda Nkuwa dos distritos de Marara, Cahora Bassa e Chi\u00fata, reunidos em Chitima \u2013 capital do distrito de Cahora Bassa &#8211; de 11 a 13 de Mar\u00e7o de 2025, afirmam que para al\u00e9m de serem\u00a0 os leg\u00edtimos donos de suas\u00a0 terras herdadas e ocupadas \u201cde boa f\u00e9\u201d h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, os seus\u00a0 antepassados todos nasceram, morreram e foram aqui enterrados. \u201cOs nossos umbigos foram enterrados aqui. Esta terra \u00e9 que nos d\u00e1 sustento, vivemos de agricultura, pesca e garimpo, e com essas actividades conseguimos sobreviver e mandar os nossos filhos para a escola. Sem terra, n\u00e3o temos nada.\u201d<\/p>\n<p>Acrescentam ainda que rejeitam os acordos sem o seu consentimento: \u201cesses acordos que o governo anda a fazer sem nos consultar (&#8230;) afirmamos que at\u00e9 hoje ningu\u00e9m nos veio perguntar se queremos ou n\u00e3o este projecto. Sabemos que o nosso governo costuma ser corrompido pelas grandes empresas que querem a nossa terra, e exigimos que o governo defenda os interesses do seu povo. Exigimos uma informa\u00e7\u00e3o clara do governo em rela\u00e7\u00e3o a quais s\u00e3o as comunidades que o governo pretende reassentar, pois at\u00e9 hoje n\u00e3o nos informaram. Sabemos que temos direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, com base no artigo 48 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de Mo\u00e7ambique, e no artigo 14 do Decreto 31\/2012 de 8 de Agosto, que aprova o Regulamento Sobre o Processo de Reassentamento Resultante de Actividades Econ\u00f3micas. Reiteramos que de nenhuma forma este pedido de informa\u00e7\u00e3o significa que aceitamos ser reassentados.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_7537\" style=\"width: 729px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7537\" class=\" wp-image-7537\" src=\"https:\/\/moz24h.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/IMG_8847-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"719\" height=\"479\" \/><p id=\"caption-attachment-7537\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Estacio Valoi\/HCB<\/p><\/div>\n<p>Enquanto Domingos vai pondo o dedo nas feridas do Zambeze, as comunidades destapam Cahora Bassa. \u201cSabemos o impacto que as barragens causam nas comunidades que vivem \u00e0s margens do rio. Conhecemos o exemplo da barragem de Cahora Bassa, que at\u00e9 hoje n\u00e3o nos d\u00e1 energia nem qualquer benef\u00edcio mesmo estando mesmo perto de n\u00f3s aqui nesta prov\u00edncia, mas sempre faz as secas e as cheias ficarem piores. Temos perdido muita produ\u00e7\u00e3o nas nossas machambas nas margens do rio devido \u00e0s descargas da HCB, e sabemos que a barragem de Mphanda Nkuwa, se f\u00f4r constru\u00edda assim t\u00e3o perto de outras barragens, s\u00f3 vai piorar esta situa\u00e7\u00e3o.\u201d Assim como tamb\u00e9m conhecem hist\u00f3rias da barragem de Kariba, no Zimbabwe, \u201cesta barragem recentemente parou de produzir energia devido \u00e0 seca. Qualquer mudan\u00e7a no Zambeze afecta profundamente a nossa vida, a nossa cultura, a nossa tradi\u00e7\u00e3o, a nossa agricultura, e por isso rejeitamos esta barragem.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-7538\" src=\"https:\/\/moz24h.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/IMG_8641-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"753\" height=\"502\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe ainda a \u00e1rea exacta que a barragem vai cobrir, mas segundo especialistas, a albufeira ser\u00e1 menor que a da HCB, mas ainda assim significativa, e tudo que inundar vai apodrecer a vegeta\u00e7\u00e3o em baixo da \u00e1gua. Isso \u00e9 metano a ser produzido, um g\u00e1s de efeito de estufa 80 vezes mais potente que o di\u00f3xido de carbono, no curto prazo. Isto \u00e9 uma das quest\u00f5es para as quais os cientistas clim\u00e1ticos t\u00eam enviado alertas nos \u00faltimos anos: a contribui\u00e7\u00e3o das barragens para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, devido \u00e0 emiss\u00e3o de metano, tem sido largamente subestimada.<\/p>\n<p>Em comunicado de imprensa recebido pela nossa reda\u00e7\u00e3o intitulado \u201cJusti\u00e7a Ambiental ganha batalha judicial contra o Gabinete de Implementa\u00e7\u00e3o do Projecto Hidroel\u00e9trica de Mphanda Nkuwa: governo \u00e9 agora obrigado a fornecer informa\u00e7\u00f5es sobre o projecto.\u201d<\/p>\n<p><strong>O Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo intimava o Gabinete de Implementa\u00e7\u00e3o do Projecto Hidroel\u00e9trico de Mphanda Nkuwa e o Minist\u00e9rio de Recursos Minerais e Energia para fornecer informa\u00e7\u00f5es solicitadas pela associa\u00e7\u00e3o mo\u00e7ambicana Justi\u00e7a Ambiental (JA!). Em sede do processo n\u00ba 63\/2024, a JA! havia recorrido ao TACM solicitando a intima\u00e7\u00e3o do GMNK e do MIREME, para que fornecessem informa\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 salvaguarda dos direitos fundamentais das comunidades locais afectadas pela implementa\u00e7\u00e3o da controversa barragem de Mphanda Nkuwa, proposta para o Rio Zambeze na prov\u00edncia de Tete.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA JA! tem feito in\u00fameras e sucessivas tentativas de obter informa\u00e7\u00f5es junto ao GMNK, por meio de cartas e at\u00e9 encontros, a respeito dos estudos que ser\u00e3o realizados e respetivos termos de refer\u00eancia, de que forma ser\u00e3o integradas novos componentes nos estudos (tendo em conta que quest\u00f5es como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por exemplo, nunca foram contempladas em estudos anteriores), de que forma o projecto ir\u00e1 garantir que as vozes e os direitos das comunidades locais ser\u00e3o respeitados, entre v\u00e1rias outras quest\u00f5es.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_7539\" style=\"width: 742px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7539\" class=\" wp-image-7539\" src=\"https:\/\/moz24h.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/IMG_8819-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"732\" height=\"488\" \/><p id=\"caption-attachment-7539\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Estacio Valoi<\/p><\/div>\n<p><strong>Reassentamento<\/strong><\/p>\n<p>Existe, dentro do projecto, a ideia de reassentar essas comunidades para zonas seguras. Os seus direitos devem ser salvaguardados e \u201ch\u00e1 leis pr\u00f3prias que devem ser cumpridas, a popula\u00e7\u00e3o deve ser recompensada, por tudo que tinha antes. N\u00f3s j\u00e1 tivemos experi\u00eancias amargas nesses processos de reassentamento. N\u00f3s j\u00e1 fizemos um reassentamento, na altura para a explora\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o em Moatize, em que a lei que t\u00ednhamos \u00e9 uma lei que deu benef\u00edcios \u00e0s comunidades mas foi preciso rever a lei, hoje nenhuma explora\u00e7\u00e3o pode ocorrer sem a lei aprovada pelo governo.\u201d\u00a0 Disse Domingos<\/p>\n<p>Contudo, Domingos n\u00e3o faz refer\u00eancia ao reassentamento feito pela mineradora Jindal, parceira da Vulcan e as outras indianas . O reassentamento feito pela JINDAL foi \u2018uma cat\u00e1strofe\u2019, e perante o olhar do governo, membros da nomenclatura pol\u00edtica mo\u00e7ambicana preocupam-se com comiss\u00f5es e lucros f\u00e1ceis a troco de vidas humanas. As empresas fazem e desfazem a seu bel prazer. \u201cNa JINDAL, l\u00e1 tem muito ouro, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 carv\u00e3o. N\u00e3o queremos a barragem de Mpanda Nkuwa, queremos ficar aqui at\u00e9 nossos netos, nossas netas, at\u00e9 morrermos.\u201d Durante a semana em que estivemos no referido reassentamento, v\u00e1rias pessoas abandonaram as casas \u201ctipo dois\u201d, outras \u2018venderam cada casa a 150 mil meticais. Aqui n\u00e3o temos \u00e1gua, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o gado, nesta terra as culturas n\u00e3o germinam, n\u00e3o temos onde fazer nossas machambas.\u201d Disseram os reassentados que ainda ficaram por la.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Comunidades que ser\u00e3o afectadas pelo projeto Mphanda Nkuwa amea\u00e7adas<\/strong><\/p>\n<p>Funcion\u00e1rio do Gabinete de Mphanda Nkuwa de nome \u00d3scar, em coniv\u00eancia com chefes das localidades, \u00e9 acusado de amea\u00e7ar as comunidades.<\/p>\n<p>Em entrevista com o Governador Domingos referiu que n\u00e3o tinha conhecimento a respeito das amea\u00e7as feitas \u00e0s comunidades por um Senhor de nome Oscar, chefe da localidade, comandate da policia\u00a0 disse que era \u201c\u00c9 a primeira vez que oi\u00e7o esse coment\u00e1rio, discorro de fazer um pronunciamento, porque ouviu. Temos que aferir a veracidade dessas informa\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Contudo, assim como a comunidade narrou-nos e solicitou que question\u00e1ssemos o governador sobre as referidas amea\u00e7as, Anija Jo\u00e3o Carlos advogada de profiss\u00e3o, em representa\u00e7\u00e3o da JA tamb\u00e9m refere que a comunidade vem sempre reportando amea\u00e7as \u201cprincipalmente quando eles v\u00e3o aos encontros em Maputo ou ent\u00e3o quando vai uma equipa l\u00e1 para Marara para fazer trabalho de capacita\u00e7\u00e3o. Eles s\u00e3o amea\u00e7ados.\u201d<\/p>\n<p>E acrescenta que umas s\u00e3o feitas de forma directa, e outras indirectamente.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 recebemos chamadas por via de uma das pessoas da comunidade quando estava em Maputo, a serem amea\u00e7adas, questionando onde voc\u00eas est\u00e3o e o que est\u00e3o a fazer a\u00ed! Quando voc\u00eas voltarem para aqui h\u00e3o-de ver.\u201d\u00a0 Uma das pessoas que amea\u00e7a as comunidades \u00e9 a chefe da localidade de Chococoma. Na altura (2023), a comandante que estava l\u00e1 fazia amea\u00e7as constantes. Eu j\u00e1 presenciei amea\u00e7as feitas ao l\u00edder de Chirodzi-Nsanangue sede, ap\u00f3s ele ter voltado de uma viagem de Maputo. Quando chegamos l\u00e1 na zona de volta, ele foi retido. N\u00f3s entr\u00e1mos na esquadra, eu identifiquei-me e a comandante apenas recusou-se: &#8220;n\u00e3o quero saber do seu cart\u00e3o, n\u00e3o quero saber quem \u00e9 voc\u00ea. Eu s\u00f3 quero dizer que voc\u00eas mulheres s\u00e3o voc\u00eas que come\u00e7am com o terrorismo. Voc\u00eas v\u00eam para aqui, levam pessoas, v\u00e3o para Maputo e sei l\u00e1 o que v\u00e3o fazer, levam pessoas para alinhar no terrorismo.&#8221; Eu disse que n\u00e3o! Expliquei a ela as circunst\u00e2ncias do nosso trabalho em Maputo, ao que me respondeu &#8220;vou te prender&#8221;, quando perguntei em que qualidade e lembrei que n\u00e3o tinha compet\u00eancia para me prender pois n\u00e3o havia cometido nenhum crime, ela mandou-me sair juntamente com uma colega de uma organiza\u00e7\u00e3o parceira. Sa\u00edmos e fic\u00e1mos la fora das 9h ate \u00e0s 17h. O l\u00edder dentro do comando, retido, e n\u00f3s l\u00e1 fora. Ficamos \u00e0 espera. Quando eram 17h e tal sa\u00edmos e ficamos na estrada principal, passado um tempo a comandante passou no seu Mahindra com o l\u00edder l\u00e1 dentro.<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a Ambiental meteu uma queixa na procuradoria contra a comandante. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, no dia em que o l\u00edder foi chamado para perguntas na procuradoria ele simplesmente negou tudo. Eu estava l\u00e1 com ele. Eu acredito que ele foi amea\u00e7ado. Ele disse que n\u00e3o tinha ficado muito tempo, s\u00f3 uns 30 minutos e depois foi liberto. Mas as comunidades no distrito de Marara t\u00eam relatado casos de amea\u00e7as e intimida\u00e7\u00f5es, ainda h\u00e1 pouco tempo o senhor Latifo foi amea\u00e7ado. Fui amea\u00e7ado de morte por alguns jovens que trabalham l\u00e1 com a chefe da localidade, e a pessoa disse que foi mandada para me matar.\u201d \u201cS\u00e3o casos recorrentes\u201d disse a advogada.<\/p>\n<p>Em contacto via telef\u00f3nica depois de pr\u00e9via, o representante do GMNK em Tete, de nome \u00d3scar, foi evasivo na sua resposta sugerindo que n\u00e3o podia falar sem autoriza\u00e7\u00e3o dos seus escrit\u00f3rios em Maputo. \u201cComo deve imaginar trata-se de um assunto que n\u00e3o pode ser tratado ao telefone, segundo t\u00ednhamos que ter um f\u00f3rum pr\u00f3prio, a n\u00edvel do gabinete temos um departamento de comunica\u00e7\u00e3o e imagem que responde. Disse ao \u00d3scar que tamb\u00e9m telefonara por uma quest\u00e3o que diz respeito directamente a ele, pois as comunidades dizem que ele vem amea\u00e7ando-as, ao que respondeu\u00a0 &#8220;pelos vistos a quest\u00e3o que me \u00e9 colocada \u00e9 uma acusa\u00e7\u00e3o, quem o acusa que o prove, n\u00e3o quero ir nessa linha, responder, e nem devo comentar quest\u00f5es profissionais. Humildemente n\u00e3o posso falar sobre quest\u00f5es profissionais, o gabinete de Mphanda Nkuwa \u00e9 que tem que vos responder\u201d. Solicitamos os emails do Gabinete, mas o mesmo n\u00e3o nos facultou. Solitamos o email do seu gabinete o qual o Oscar simplemente n\u00e3o nos enviou (Moz24h)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/moz24h.co.mz\/quantas-vidas-custa-a-barragem-de-mphanda-nkuwa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/moz24h.co.mz\/quantas-vidas-custa-a-barragem-de-mphanda-nkuwa\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Estacio Valoi Chegava a Tete numa das mais recentes viagens \u00e0quela Prov\u00edncia de requintado cabrito de \u00e1guas do Zambeze \u00a0que apesar da sua majestosa exposi\u00e7\u00e3o continuam longe de apagar o carv\u00e3o que arde sem parar, uma vaga de calor que nos deixa a permanente \u00a0pingos . Desta vez n\u00e3o aterrei no \u2018chapa a\u00e9reo\u2019 \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3373,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[273],"tags":[],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false],"landscape":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false],"portraits":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false],"thumbnail":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1-250x167.jpg",150,100,true],"medium":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false],"large":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false],"1536x1536":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false],"2048x2048":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1-18x12.jpg",18,12,true],"post-thumbnail":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1-150x100.jpg",150,100,true],"retina2x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false],"retina3x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false],"retina4x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false],"retina5x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false],"retina6x":["https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mphanda-NkuwaJPG-300x200-1.jpg",300,200,false]},"rttpg_author":{"display_name":"Reda\u00e7\u00e3o CJIMOZ","author_link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/author\/hcuambe\/"},"rttpg_comment":2,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/category\/direitos-humanos\/\" rel=\"category tag\">Direitos Humanos<\/a>","rttpg_excerpt":"Por Estacio Valoi Chegava a Tete numa das mais recentes viagens \u00e0quela Prov\u00edncia de requintado cabrito de \u00e1guas do Zambeze \u00a0que apesar da sua majestosa exposi\u00e7\u00e3o continuam longe de apagar o carv\u00e3o que arde sem parar, uma vaga de calor que nos deixa a permanente \u00a0pingos . 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