{"id":3449,"date":"2025-08-30T10:55:50","date_gmt":"2025-08-30T08:55:50","guid":{"rendered":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/?p=3449"},"modified":"2025-08-30T10:55:50","modified_gmt":"2025-08-30T08:55:50","slug":"cabo-delgado-seguranca-para-as-multinacionais-futuramente-abrangera-as-populacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cjimoz.org.mz\/news\/cabo-delgado-seguranca-para-as-multinacionais-futuramente-abrangera-as-populacoes\/","title":{"rendered":"Cabo Delgado: Seguran\u00e7a para as Multinacionais [futuramente] abranger\u00e1 as Popula\u00e7\u00f5es?"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por Tiago J.B. Paqueliua<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Resumo<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O presente artigo analisa a situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a em Cabo Delgado, Mo\u00e7ambique, com enfoque nos recentes ataques em aldeias como Mapate e no megaprojeto de g\u00e1s natural da TotalEnergies em Afungi. A pesquisa combina informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica com an\u00e1lise cr\u00edtica, identificando um padr\u00e3o de \u201capartheid securit\u00e1rio\u201d, no qual a prote\u00e7\u00e3o \u00e9 seletiva e prioriza interesses de multinacionais, enquanto as popula\u00e7\u00f5es locais permanecem vulner\u00e1veis. O confinamento e isolamento do enclave de Afungi agravam dificuldades econ\u00f4micas para os residentes e empres\u00e1rios locais, evidenciando desigualdade, injusti\u00e7a e risco cont\u00ednuo. Conclui-se que a ret\u00f3rica oficial de paz e retorno das comunidades deslocadas n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade vivida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Palavras-Chave<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Cabo Delgado; Afungi; Apartheid securit\u00e1rio; Seguran\u00e7a seletiva; Conflito armado; Multinacionais; Mo\u00e7ambique; Economia local; Desigualdade; Neg\u00f3cios locais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Introdu\u00e7\u00e3o<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Cabo Delgado continua a ser cen\u00e1rio de conflito armado, deslocamentos for\u00e7ados e instabilidade social. Apesar de discursos oficiais sobre paz e coopera\u00e7\u00e3o internacional, a realidade \u00e9 marcada por ataques violentos, exclus\u00e3o das comunidades locais e prote\u00e7\u00e3o militar voltada principalmente para enclaves empresariais. Este artigo utiliza uma abordagem acad\u00e9mico-jornal\u00edstica, articulando informa\u00e7\u00e3o factual de fontes jornal\u00edsticas e relat\u00f3rios internacionais com an\u00e1lise cr\u00edtica sobre seguran\u00e7a, direitos humanos, desenvolvimento regional e impactos socioecon\u00f3micos do confinamento de enclaves como Afungi.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mapate: viol\u00eancia e deslocamento<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em 26 de agosto de 2025, dois moradores da aldeia Mapate, distrito de Muidumbe, foram decapitados por insurgentes. O jornal Carta de Mo\u00e7ambique (28\/08\/2025) informa que as v\u00edtimas n\u00e3o conseguiram fugir, ao contr\u00e1rio de outros residentes que buscaram ref\u00fagio em Mandava.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u2060\u201cA situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 boa. Primeiro, passaram pelos campos de produ\u00e7\u00e3o e, depois, soubemos que os terroristas entraram em Mapate, onde mataram duas pessoas. Outras pessoas fugiram para a aldeia de Mandava. Em Mapate, tamb\u00e9m causaram outros danos\u201d, relatou um residente de Miteda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>A inseguran\u00e7a gerou deslocamentos massivos e suspens\u00e3o de atividades. Dados da ONU apontam que, em julho de 2025, 29 pessoas morreram e 208 mil foram afetadas pelos ataques.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afungi: enclave de exclus\u00e3o e impacto econ\u00f4mico<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na pen\u00ednsula de Afungi, onde se localiza o megaprojeto de g\u00e1s natural da TotalEnergies, ergue-se um enclave fortificado, inacess\u00edvel \u00e0s comunidades locais, sob vigil\u00e2ncia das FDS e militares ruandeses. Populares descrevem a \u00e1rea como um verdadeiro \u201cpa\u00eds dentro do pa\u00eds\u201d, onde a seguran\u00e7a e o desenvolvimento beneficiam apenas trabalhadores e empresas estrangeiras.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u2060\u201cEsses muros n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 de rede tubar\u00e3o, arame farpado e escorpi\u00e3o, s\u00e3o muros de exclus\u00e3o. L\u00e1 dentro h\u00e1 luz, \u00e1gua, seguran\u00e7a. Aqui fora s\u00f3 temos medo, fome e incerteza\u201d, relatou um residente an\u00f3nimo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O confinamento e isolamento do enclave t\u00eam causado impactos diretos na economia local:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Empres\u00e1rios de alojamento e alimenta\u00e7\u00e3o: Muitos contra\u00edram empr\u00e9stimos para fornecer servi\u00e7os ao pessoal do projeto. Com a paralisa\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 pen\u00ednsula, esses neg\u00f3cios est\u00e3o estagnados, e propriet\u00e1rios tentam vender seus estabelecimentos com grande dificuldade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Taxistas: Antes da cria\u00e7\u00e3o do enclave, a renda di\u00e1ria m\u00e9dia era de mil meticais; hoje, devido \u00e0 restri\u00e7\u00e3o de acesso, \u00e9 dif\u00edcil conseguir sequer cem meticais por dia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pequenos comerciantes e fornecedores: Depender de contratos ligados a Afungi significa que grande parte da atividade econ\u00f4mica local foi interrompida, afetando fam\u00edlias inteiras e a subsist\u00eancia da comunidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Al\u00e9m disso, a diferen\u00e7a entre compensa\u00e7\u00f5es prometidas e efetivamente pagas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es que perderam suas terras evidencia desigualdade: enquanto a promessa era de 3 milh\u00f5es de meticais, apenas 250 mil foram pagos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A pergunta ret\u00f3rica surge naturalmente: os fundos e apoio da Uni\u00e3o Europeia para o combate ao terrorismo em Cabo Delgado destinam-se apenas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos megaprojetos ou tamb\u00e9m \u00e0s popula\u00e7\u00f5es locais?<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O discurso oficial e a ret\u00f3rica da paz<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em Kigali, o Presidente Daniel Chapo anunciou o memorando sobre o Estatuto das For\u00e7as (SOFA) com Paul Kagame, enfatizando o retorno \u201cprogressivo\u201d da paz (DW, 28\/08\/2025). Contudo, o ACSS relatou que, em 2024, 349 pessoas morreram em ataques no norte de Mo\u00e7ambique, evidenciando a disparidade entre a ret\u00f3rica oficial e a realidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>An\u00e1lise cr\u00edtica: apartheid securit\u00e1rio<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A l\u00f3gica militar e de prote\u00e7\u00e3o em Cabo Delgado revela um apartheid securit\u00e1rio, no qual a seguran\u00e7a \u00e9 seletiva e prioriza enclaves corporativos. Enquanto Afungi \u00e9 protegido e usufrui de infraestrutura, aldeias como Mapate, Muambula e Litandacua permanecem vulner\u00e1veis.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O apartheid securit\u00e1rio n\u00e3o se limita \u00e0 prote\u00e7\u00e3o f\u00edsica:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>1.\u2060 \u2060Exclus\u00e3o socioecon\u00f3mica \u2013 Neg\u00f3cios locais e agentes econ\u00f4micos enfrentam restri\u00e7\u00f5es, perda de renda e insolv\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>2.\u2060 \u2060Desigualdade territorial \u2013 Comunidades deslocadas ou sem acesso a compensa\u00e7\u00f5es adequadas s\u00e3o privadas de meios de subsist\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>3.\u2060 \u2060Militariza\u00e7\u00e3o voltada ao lucro \u2013 A presen\u00e7a militar serve \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de interesses corporativos e megaprojetos, e n\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es locais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Diferen\u00e7as entre Multinacionais e Popula\u00e7\u00f5es Locais<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A disparidade entre a seguran\u00e7a oferecida \u00e0s multinacionais e aquela dispon\u00edvel \u00e0s popula\u00e7\u00f5es locais \u00e9 profunda. Nos enclaves corporativos, como Afungi, existe presen\u00e7a militar constante, infraestrutura completa \u2014 incluindo eletricidade, \u00e1gua, comunica\u00e7\u00f5es e transporte seguro \u2014 e acesso a contratos lucrativos. A mobilidade \u00e9 livre e a estabilidade econ\u00f4mica \u00e9 vis\u00edvel, com neg\u00f3cios crescendo e compensa\u00e7\u00f5es financeiras claras.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em contraste, nas aldeias e comunidades locais como Mapate, Muambula e Litandacua, a prote\u00e7\u00e3o \u00e9 uma mirage, a infraestrutura prec\u00e1ria ou inexistente, e a renda depende de agricultura e com\u00e9rcio informal, frequentemente interrompida por deslocamentos e inseguran\u00e7a. Compensa\u00e7\u00f5es prometidas raramente chegam ou s\u00e3o insuficientes, e a mobilidade \u00e9 arriscada devido a barreiras e viol\u00eancia. A influ\u00eancia pol\u00edtica favorece investimentos estrangeiros em detrimento da popula\u00e7\u00e3o local, refor\u00e7ando a percep\u00e7\u00e3o de que a paz e a seguran\u00e7a s\u00e3o seletivas, voltadas para lucro corporativo, e n\u00e3o para o bem-estar comunit\u00e1rio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Testemunhos e percep\u00e7\u00f5es locais<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Um propriet\u00e1rio de restaurante em Afungi afirmou:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u2060\u201cInvesti tudo o que tinha para servir os trabalhadores do projeto. Hoje, o neg\u00f3cio est\u00e1 parado e devo aos bancos. N\u00e3o consigo vender nem o que constru\u00ed.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Um taxista relatou:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u2060\u201cAntes ganh\u00e1vamos mil meticais por dia, hoje \u00e0s vezes n\u00e3o conseguimos cem. As pessoas t\u00eam medo de atravessar as barreiras de seguran\u00e7a.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Um agricultor deslocado questiona:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u2060\u201cAs compensa\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegam nem perto do prometido. Como vamos sobreviver? Para quem \u00e9 esta seguran\u00e7a afinal?\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>An\u00e1lise sobre Influ\u00eancia Pol\u00edtica<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A situa\u00e7\u00e3o em Cabo Delgado est\u00e1 fortemente condicionada por decis\u00f5es pol\u00edticas nacionais e regionais. O Governo central, ao priorizar a prote\u00e7\u00e3o de enclaves corporativos, estabelece um modelo de seguran\u00e7a que privilegia investidores estrangeiros em detrimento das comunidades locais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A presen\u00e7a de for\u00e7as militares estrangeiras, como tropas ruandesas e consultores privados de seguran\u00e7a, revela interesses estrat\u00e9gicos e econ\u00f4micos que se sobrep\u00f5em \u00e0 prote\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es. Este alinhamento entre Estado e multinacionais fortalece um poder pol\u00edtico assim\u00e9trico, no qual decis\u00f5es de seguran\u00e7a s\u00e3o orientadas por contratos internacionais e lucros, n\u00e3o pelo bem-estar civil.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A lentid\u00e3o na entrega de compensa\u00e7\u00f5es e a burocracia no reassentamento das comunidades indicam fragilidades institucionais e favorecem a percep\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a, alimentando ressentimento e potencial instabilidade social.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>An\u00e1lise Internacional da Situa\u00e7\u00e3o de Cabo Delgado<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Cabo Delgado tornou-se foco de aten\u00e7\u00e3o internacional devido aos megaprojetos de g\u00e1s natural e \u00e0 presen\u00e7a de atores internacionais. A Uni\u00e3o Europeia, Estados Unidos e organiza\u00e7\u00f5es internacionais fornecem apoio log\u00edstico e financeiro sob a justificativa do combate ao terrorismo. No entanto, esse apoio tende a refor\u00e7ar a l\u00f3gica do apartheid securit\u00e1rio, ao concentrar recursos na prote\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ag\u00eancias internacionais criticam a falta de integra\u00e7\u00e3o entre seguran\u00e7a e desenvolvimento socioecon\u00f3mico. Organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos destacam que a militariza\u00e7\u00e3o de enclaves corporativos, embora eficiente na prote\u00e7\u00e3o de investimentos, perpetua desigualdade e viola direitos fundamentais da popula\u00e7\u00e3o local.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A situa\u00e7\u00e3o evidencia um padr\u00e3o recorrente em contextos africanos de explora\u00e7\u00e3o de recursos: seguran\u00e7a e prosperidade para investidores estrangeiros contrastando com vulnerabilidade e deslocamento para comunidades locais. Sem equacionar prote\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o social, a a\u00e7\u00e3o internacional corre risco de legitimar pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias e agravar tens\u00f5es regionais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Conclus\u00e3o<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Cabo Delgado encontra-se dividido entre \u00e1reas protegidas para multinacionais e zonas negligenciadas, onde os residentes enfrentam viol\u00eancia, deslocamentos, pobreza e colapso econ\u00f3mico. O confinamento de Afungi agrava a desigualdade e injusti\u00e7a social. A paz proclamada \u00e9 parcial e seletiva, refor\u00e7ando diferen\u00e7as estruturais e perpetuando inseguran\u00e7a. A influ\u00eancia pol\u00edtica e a a\u00e7\u00e3o internacional indicam que, sem uma abordagem inclusiva, que combine seguran\u00e7a, desenvolvimento social e justi\u00e7a econ\u00f3mica, a paz permanecer\u00e1 incompleta e desigual. A quest\u00e3o central permanece: a quem serve a seguran\u00e7a em Cabo Delgado?<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Gloss\u00e1rio<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Apartheid securit\u00e1rio: Estrutura de prote\u00e7\u00e3o seletiva que privilegia determinados grupos ou interesses econ\u00f4micos em detrimento da popula\u00e7\u00e3o local.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enclave: \u00c1rea isolada geograficamente, politicamente ou economicamente, com acesso restrito.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>FDS: For\u00e7as de Defesa e Seguran\u00e7a de Mo\u00e7ambique.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>SOFA (Status of Forces Agreement): Memorando que define o estatuto de for\u00e7as militares estrangeiras em territ\u00f3rio nacional.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Deslocamento for\u00e7ado: Migra\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria de pessoas devido a conflitos, viol\u00eancia ou press\u00e3o econ\u00f4mica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ep\u00edlogo<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As den\u00fancias de Mapate e Afungi ilustram a contradi\u00e7\u00e3o entre discurso oficial e realidade local. Cabo Delgado est\u00e1 a ser redefinido por muros f\u00edsicos e simb\u00f3licos: um lado beneficia de seguran\u00e7a, infraestrutura e prosperidade, enquanto o outro sofre abandono, deslocamento, inseguran\u00e7a e colapso econ\u00f3mico. Sem uma abordagem inclusiva, que combine seguran\u00e7a, desenvolvimento social e justi\u00e7a econ\u00f3mica, a paz permanecer\u00e1 incompleta e desigual.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Refer\u00eancias<\/div>\n<div><\/div>\n<div>1.\u2060 \u2060Carta de Mo\u00e7ambique. (28\/08\/2025). Terroristas decapitam duas pessoas em Mapate, Cabo Delgado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>2.\u2060 \u2060DW. (28\/08\/2025). Presidente de Mo\u00e7ambique celebra coopera\u00e7\u00e3o militar com Ruanda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>3.\u2060 \u2060ONU. (2025). Relat\u00f3rio sobre os ataques em Cabo Delgado \u2013 Julho 2025.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>4.\u2060 \u2060ACSS \u2013 Centro de Estudos Estrat\u00e9gicos de \u00c1frica. (2025). Relat\u00f3rio sobre ataques extremistas no norte de Mo\u00e7ambique, 2024.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tiago J.B. Paqueliua Resumo O presente artigo analisa a situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a em Cabo Delgado, Mo\u00e7ambique, com enfoque nos recentes ataques em aldeias como Mapate e no megaprojeto de g\u00e1s natural da TotalEnergies em Afungi. 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